07 agosto 2017

[Resenha] Geekerela - Por Ashley Poston



Título: Geekerela
Autor (a): Ashley Poston
Páginas: 384
Editora: Intrínseca
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Sinopse: Quando Elle Wittimer, nerd de carteirinha, descobre que sua série favorita vai ganhar uma refilmagem hollywoodiana, ela fica dividida. Antes de seu pai morrer, ele transmitiu à filha sua paixão pelo clássico de ficção científica, e agora ela não quer que suas lembranças sejam arruinadas por astros pop e fãs que nunca tinham ouvido falar da série. Mas a produção do filme anunciou um concurso de cosplay numa famosa convenção valendo um convite para um baile com o ator principal, e Elle não consegue resistir. Na Abóbora Mágica, o food truck vegano onde trabalha, ela encontra a ajuda de uma amiga cheia de talentos para moda que vai criar o traje perfeito para a ocasião. Afinal, o concurso é a chance de Elle se livrar das tarefas domésticas impostas pela terrível madrasta e das irmãs postiças malvadas.
Já Darien Freeman, o astro adolescente escalado para ser o protagonista do filme, não está nada ansioso para o evento, embora o papel seja seu grande sonho. Visto como só mais um rostinho bonito, o próprio Darien também está começando a achar que se tornou uma farsa. Até que, no baile, ele conhece uma menina que vai provar o contrário.

Elle Wittimer não tem muito em sua vida que lhe traga alegria. Adolescente e cursando ensino médio, ela não vê a hora de se formar e ir para faculdade deixando sua madrasta e suas duas meio irmãs que tornam sua vida um inferno. A única coisa que lhe traz felicidade é a série Starfield que é o maior vínculo que tem com seu falecido pai. Ele fora o maior fã da série, e também foi através desse universo que ele conheceu a mãe de Elle e viveram dias apaixonados e felizes. Starfield é a vida de Elle.

"- Meu pai disse que as coisas só são realmente impossíveis se a gente nem se der ao trabalho de tentar."

Depois de muitos anos vendo e revendo cada um dos episódios em sua pequena TV de tubo em um videocassete, Elle se vê animada pois verá sua amada série ser convertida para as telas do cinema através de um remake, mas para sua tremenda frustração, colocaram o ator Darien Freeman para viver seu amado príncipe Carmindor, e, ainda por cima, anunciaram um concurso de cosplay como prêmio conhecer Darien na convenção anual que foi fundada por seu pai. Sua decepção foi tão grande que assim que viu o anúncio fez um post em seu blog desconhecido simplesmente para se queixar e descontar toda sua raiva por terem colocado um ator modinha que não se importa com a série para o papel. Para sua surpresa, seu post caiu na rede e vários sites de notícias vincularam o blog mostrando o descontentamento dos fãs com a escolha do elenco. Só que o que Elle não sabe é que Darien é tão fã de Starfield como ela.

"Sou a princesa perdida. A vilã da minha própria história, e a heroína também. Sou um pouco da minha mãe e um pouco do meu pai. E existo neste universo. Sou o possível e o impossível."

Darien precisa passar a imagem de celebridade almejada, e ser um geek não combina com essa imagem. Ele está morrendo de medo de estragar o personagem que tanto ama, e saber que as pessoas também o desaprovam o deixa inseguro. Mas Darien está determinado a interpretar o papel de sua vida, e para isso, vai se empenhar com afinco. O que ele não contava era com a única coisa que ele sempre exigiu não fazer: participar da Convenção. Decidido a cancelar sua participação, Darien entra no site do evento, pega o telefone do fundador e entra em contato com a empresa organizadora, porém, quem responde é uma garota informando que o número não era mais do fundador. Sem saída, Darien resolve que participará, mas será em seus termos.

"- Seria estranho se eu dissesse que entendo como você se sente?  [...]
- Então podemos ser estranhos juntos."

Chateada com a vida que anda vivendo em casa, Elle decide que precisa fazer algo para sair das garras da madrasta, e para isso, ela decide participar do concurso de cosplay de Starfield, não porque deseja conhecer Darien, mas sim porque o vencedor receberá uma boa quantia de dinheiro dando-lhe a oportunidade de sair de casa. Com a ajuda de Hera, sua colega de trabalho no foodtruck vegano abóbora, e agora também sua nova melhor amiga, elas começam a fazer uma fantasia vencedora. Ao mesmo tempo Elle começa a trocar mensagens e se apaixonar pelo estranho que entrou em contato através do número de seu pai. Eles nunca trocaram nomes, mas começam a se conhecer profundamente. Com a aproximação do concurso eles terão a chance de se conhecer, mas as coisas não saem como o planejado.





Geekerela é aquele livro que qualquer pessoa que faz parte de um fandon, ou que ama tanto um universo fictício e aprendeu muito com ele vai se identificar. Ao decorrer de Geekerela me peguei em vários momentos me identificando com as situações dos personagens pois são situações bem recorrentes na vida de um fã. Aquela euforia de ir numa Convenção e ver os atores que interpretam nossos amados personagens, ou aquele medo depois do anúncio que uma adaptação do nosso livro favorito está a caminho. Tudo isso encontramos aqui, e isso foi o que fez com que eu gostasse mais do livro, a sensação de familiaridade.


Assim como o título já demonstra, Geekerela é uma recontagem da Cinderela convertido para a atualidade. De todas as recontagens que já li até hoje, esse foi o melhor em disparada pois tudo é muito real. Elle é uma adolescente que sofre muito, mesmo que a autora não deixe isso de forma muito explícita, Elle sofre diversos abusos em casa por parte de sua madrasta, e isso fez com que ela crescesse com medo de enfrentar as pessoas e algumas situações. Starfield é seu porto seguro, e tudo que ela vive em casa entra em conflito com os ensinamentos de coragem, determinação e luta que a série lhe mostrou com o passar dos anos. Catherine era apaixonada pelo pai de Elle, e aos poucos mudou tudo em sua vida, menos o amor do marido por Starfield, e ter Elle em casa mostra tudo o que ela sempre detestou no marido. Sabendo disso ela é sempre controladora, mandona e abusiva com a enteada. Para ela, a jovem é uma aberração e ameaça toda a vida perfeita que possui. Essas coisas são bem tristes pois vemos as filhas de Catherine sendo criadas de forma abundante com roupas caras, aulas de tênis no club, enquanto Elle não tem nada. A jovem possui o celular retrô do pai, trabalha para ter algo e praticamente vive como empregada da casa. Elle cresceu assim sendo coagida a pensar que não é importante e ninguém especial.

"Até podemos ser diferentes, torcer por casais diferentes, ou ser fãs de histórias diferentes, mas, se aprendi alguma coisa nestes vinte e três dias enfiado num uniforme da cor errada, interpretando um personagem que eu nunca pensei que seria capaz de interpretar, foi que, quando nos transformamos nesses personagens, partes de nós se acendem como fogos de artifício. E brilham. Nós brilhamos. Juntos."

Fiquei surpresa quando percebi essas coisas no livro, pois esperava algo bem levinho e juvenil. Mas esses fatores abriram grandes espaços para que a personagem crescesse durante a estória, e é exatamente isso que acontece. Com a ajuda de Hera, sua amiga de trabalho, e o misterioso garoto com quem troca mensagens, ela começa a se libertar e fazer tudo aquilo que sempre acreditou e aprendeu com Starfield. É um crescimento muito bonito de se acompanhar e dá muito orgulho de vê-la lutando.

"- Como atores, só podemos nos colocar no lugar de outra pessoa por um tempo e dar o nosso melhor. Somos instrumentos. Lemos as anotações nas páginas e as interpretamos."

Darien me surpreendeu bastante pois foi meu personagem favorito da estória. Ele também cresce bastante e se liberta de muitas coisas que ele mesmo deixou que o aprisionassem, como por exemplo seu pai/assessor controlar sua vida e decisões. Ele é superfã de Starfield e quer que todos saibam disso. É bem legal esse paralelo que a autora fez sobre o personagem, ele é um geek mas também é um cara super gato desejo de todas as mulheres. Quebrou-se o tabu que um garoto geek é gordo, espinhento e virgem como é retratado na sociedade. Outra coisa que gostei é ver sua vida de ator e como ele administra quem ele é, com quem ele deve ser em frente as câmeras, é um paralelo bem interessante se ainda colocarmos em xeque a vida simples de Elle. São completamente opostos, mas com gostos e pensamentos iguais.


Starfield poderia muito bem ser um outro personagem dessa estória pois está presente a todo momento. Através de Darien e Elle vamos conhecendo os personagens, o universo, figurinos, as batalhas, os amores e shippes. Fiquei doida pra conhecer essa série, tenho certeza que amaria e me tornaria fã. O mais bacana da construção da estória é que a autora colocou diversos elementos da cultura pop na estória. Uma expressão bem conhecida que algumas pessoas usam é "Santa ____, Batman". Esse espaço é preenchido com alguma coisa que o usuário quer dar intensidade, e a autora usou de forma bem natural na estória. Não só isso, como também outras referências a HQ's, Funko Pop, Star Wars, e até a própria Comic-Con. Tudo isso deu um ar de familiaridade e fez com que desse a sensação dos personagens estarem no nosso mundo.

"Fico boquiaberta. Santo príncipe da Federação, Batman. É o maldito Darien Freeman."

Como personagem secundário destaco a Hera, colega de trabalho de Elle que passa a ser sua fada madrinha na estória e a amizade delas é desenvolvida através dos nossos olhos. Hera não se importa com a opinião alheia e faz aquilo que quer, por ser assim, Elle sempre teve vergonha e nunca se aproximou de verdade, mas Hera foi conquistando terreno e se aproximando até que elas se tornam inseparáveis dando muito apoio uma para outra. Temos também Chloe, irmã má que é uma copia da mãe moldada a perfeição, e, prova o quanto uma má criação tem resultados desastrosos. A garota é fútil, maldosa, cruel e manipuladora. Por parte do Darien temos Gail, amiga / assistente que está sempre ao seu lado sendo competente e facilitando a vida dele. O bacana é que por mais que ele seja famoso e muito rico, Darien é super humilde e companheiro. Gente como a gente ♥.


O romance entre os protagonistas se desenvolve através das mensagens que eles trocam, e o mais legal de tudo é que eles se detestam na "vida real". Elle por ele poder estragar seu personagem favorito, e Darien por ela detoná-lo no blog. Uma das minhas preocupações com o enredo era justamente isso, eles se odeiam mas como seria quando eles descobrissem quem são? A autora deu um show nesse desenrolar e ri muito. Amei a interação deles, acabaram por se tornar amigos a cima de tudo, além do que, Darien é um fofo. Crush da vida ♥.

"Como me sentir mais verdadeiro justamente quando estou escondendo minha identidade?"

Fiquei super ansiosa pra ler o livro assim que a Intrínseca anunciou, e como sou meio desesperada acabei por adquirir o ebook. A estória intercala os pontos de vista dos protagonistas, e também algo que achei curioso foi que não há uma contagem de capítulo, só o nome de quem irá narrá-lo. Não achei nenhum erro ortográfico durante a leitura, e também a escrita da Ashley é sensacional sendo bem jovem e fácil de ler, o que por si só, deixou tudo muito rápido de ler. Dá pra ler numa tarde.


Enfim, eu sei que ficou imensa essa resenha, mas o livro é muito gostosinho e delicioso de ler. Depois de tantos livros mais pesados que andei lendo, Geekerela foi um alívio muito bem vindo, porém também me surpreendeu por trazer lições lindas, e, um ar de aconchego por me identificar com a personagem em relação ao seu amor pela série. É uma recontagem que vale super a pena, e recomendo para todos sem exceção.

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