14 julho 2017

[Resenha] Pecados no inverno - Por Lisa Kleypas



Título: Pecados no inverno
[As quatro estações do amor #3]
Autor (a): Lisa Kleypas
Páginas: 288
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Agora é a vez de Evangeline Jenner, a Wallflower mais tímida que também será a mais rica quando receber sua herança. Mas primeiro ela tem que escapar das garras de seus ambiciosos parentes, Evie recorre a Sebastian, visconde de St Vincent, um conhecido mulherengo, com uma proposta incrível: que se case com ela!
A fama de Sebastian é tão perigosa que trinta segundos a sós com ele arruínam o bom nome de qualquer donzela. Mesmo assim, esta cativante jovenzinha se apresenta em sua casa, sem acompanhante, para lhe oferecer sua mão.
Mas a proposta impõe uma condição: depois da noite da lua-de-mel, o casal não voltará a ter relações íntimas. Evie não deseja tornar-se apenas mais uma que Sebastian descarta sem piedade, o que significa que Sebastian simplesmente tem que trabalhar mais duro na sua sedução... ou, talvez entregar seu coração pela primeira vez em nome do verdadeiro amor.


Resenhas Anteriores:
As quatro estações do amor #1 - Segredos de uma noite de verão
As quatro estações do amor #2 - Era uma vez no outono


É Londres, 1843. Sebastian, lorde St. Vincent, como visto no último livro da série, é um aristocrata com graves problemas financeiros. Conhecido por seu jeito libertino de ser e uma lista imensa de atos desprezíveis, era de se imaginar que casamento jamais estivesse nos planos daquele homem frio e sarcástico. E não estava mesmo. Até que sua situação tornou-se precária e, de repente, tudo o que ele precisava era de uma noiva que trouxesse consigo uma boa herança. Sua última tentativa, no entanto, não havia sido muito promissora. Lillian Bowman tinha o essencial, era de família rica. Além de que seus atributos físicos em nada deixavam a desejar. Na época, pareceu-lhe a escolha perfeita. Tudo acabara em uma das maiores surras de sua vida quando seu até então melhor amigo e noivo da garota que ele sequestrara, ou pegara emprestado, segundo ele, descobriu seu plano e resgatou a jovem antes que ele pudesse obrigá-la a casar-se consigo.

"Enquanto Sebastian, lorde St. Vincent, contemplava a jovem que acabara de entrar em sua residência em Londres, ocorreu-lhe que talvez tivesse raptado a herdeira errada no último fim de semana em Stony Cross Park."

Qual não foi sua surpresa, então, quando viu a Srta. Evangeline Jenner, uma das melhores amigas de Lillian, invadir sua casa tarde da noite e desacompanhada. Estar sozinho com uma mulher não seria, de modo algum, algo que lhe desagradasse. Mas a mulher em questão era Evangeline. Evangeline, além de ser uma das jovens mais sem graças que já tinha visto, possuía uma timidez palpável que causava-lhe uma terrível gagueira. Ele desconfiava que ela estivesse ali para conversar, coisa que ele e a maioria dos homens faziam questão de evitar com ela. Porém, Sebastian estava prestes a descobrir que Evangeline Jenner era, na verdade, uma mulher completamente oposta daquela que aparentava ser.

"– Acredito que eles querem me ma-matar depois que puserem as mãos no di-dinheiro do meu pai.
Sebastian não desviou seu olhar do rosto dela, embora mantivesse seu tom leviano.
– Que falta de consideração da parte deles. Por que eu deveria me importar com isso?
Evangeline não reagiu à provocação, apenas lhe lançou um olhar firme que evidenciava uma segurança que Sebastian nunca vira em uma mulher.
– Eu estou lhe propondo casamento. Quero sua proteção. Meu pai está do-doente e fraco demais para me ajudar e não que-quero ser um fardo para mi-minhas amigas. Acredito que elas se o-ofereceriam para me abrigar, mas eu sempre te-temeria que meus parentes me le-levassem de volta e me forçassem a fazer a vontade deles. Uma mulher sol-solteira tem poucos re-recursos, social ou legalmente. Isso não é ju-justo... mas não posso lutar em vão. Preciso de um ma-marido e o senhor pre-precisa de uma esposa rica. Ambos estamos i-igualmente desesperados, o que me leva a acreditar que o se-senhor aceitará minha pro-proposta. Nesse caso, gostaria de partir para Gretna Green esta noite. Agora. Estou ce-certa de que meus parentes já estão me procurando."

A doce e reservada Evie enxergava o homem a sua frente exatamente como o ser detestável que ele era, tanto quanto suas amigas e, por isso, temia que elas nunca a perdoassem por isso. Mas ela estava desesperada. Vivia com os tios desde a morte da mãe em seu parto e da partida do pai que, apesar de amá-la, amava também seu clube de jogos e não pôde deixá-lo. Nem permitir que ela ficasse, claro, já que óbviamente este não era um lugar para crianças. Fora mal tratada pela família de sua mãe a vida toda e, agora que seu pai estava a beira da morte, a situação se tornara ainda pior. Os tios pretendiam-na casar com um de seus primos para obterem, assim, sua herança. Tudo o que ela desejava era ser livre para ficar ao lado do pai em seus últimos dias, porém, eles não permitiriam. Casar-se com alguém que raptou uma de suas melhores amigas e que, ela sabia, jamais lhe seria fiel, gentil ou qualquer coisa boa, não que ela estivesse procurando algo assim, não era uma atitude da qual poderia se orgulhar, mas era sua única opção. Um casamento por amor e paixão, tal como duas de suas amigas tanto eram felizes por terem encontrado, era algo que ela jamais ousara sonhar para si. Evie nunca fora alvo da cobiça dos homens, no entanto o desespero extremo demonstrado por Sebastian ao raptar a noiva do próprio amigo fez com que ela acreditasse que ele estaria desesperado o suficiente para aceitar sua proposta.

"– O senhor tentou violar Lillian? – perguntou ela tensamente.
– Eu ameacei fazer isso.
– Teria cumprido a ameaça?
– Não sei. Nunca fiz isso antes. Mas, como a senhorita disse, estou desesperado. E já que estamos falando sobre esse assunto... Está me propondo um casamento de conveniência ou dormiremos juntos?
Evangeline ignorou a pergunta.
– O senhor teria se imposto a ela ou não?
Sebastian a olhou com visível escárnio.
– Se eu dissesse não, Srta. Jenner, como poderia saber que não estou mentindo? Mas não. Eu não a teria violado. É essa a resposta que quer? Então acredite nisso, se a faz se sentir mais segura. Agora, e quanto à minha pergunta...?
– Eu do-dormirei com o senhor uma vez – disse ela –, para tornar o casamento legal. De-depois disso, nunca mais.
– Ótimo – murmurou ele. – Raramente gosto de dormir com uma mulher mais de uma vez. É tedioso, depois que deixa de ser uma novidade."

Suas personalidades e valores não têm absolutamente nada em comum. O desdém que sentem um pelo outro é visível. Porém, ambos possuem algo que o outro precisa: a proteção e, nesse caso, a liberdade trazida por um marido, a generosa herança de uma esposa. Sendo assim, eles serão obrigados a conviver. Ele enxergará em Evie uma força e segurança que até então ela jamais demonstrara ter. Ela, por sua vez, arrancará pedaços de delicadezas daquele homem tão bruto, ainda que na maior parte do tempo elas permaneçam ocultas. Eles terão de suportar a companhia um do outro e, afinal, talvez essa seja uma ideia bastante perigosa. Pois dela pode nascer o desejo, a amizade, um sentimento mais forte e intenso do que qualquer coisa que algum deles já quisera ou imaginara viver.





Eu acredito que qualquer pessoa que terminou o segundo livro de As Quatro Estações do Amor foi, assim como eu, cheia de expectativas para o terceiro. Eu imaginei milhões de possibilidades e roí as unhas de ansiedade enquanto ele não chegava para mim. Nunca vi um final de livro mais instigante para ler o próximo do que aquele e, a melhor parte, não me decepcionei nem um pouquinho! Pecados no Inverno é um dos meus romances de época favoritos. Sebastian e Evie são um dos meus casais literários favoritos.

Eu particularmente considero o desenvolvimento desse casal um dos pontos mais altos do livro. Sempre me atraio por essas atrações opostas, esse contraste que às vezes há entre os protagonistas. Mas Sebastian e Evie não são apenas diferentes, não. Eles são inimagináveis. Nunca, jamais passou pela minha cabeça que eles seriam um casal. Um casal com tanta química, aliás. Ela é uma jovem exageradamente tímida que fica nervosa e gagueja só de conversar com alguém, ele, além de cafajeste com orgulho, é aparentemente uma criatura sem escrúpulos que raptou sua melhor amiga, gente! Dá para imaginar? Não dá não. Mas aconteceu. E o melhor de tudo, aconteceu lentamente. Bem devagar, com naturalidade, como deve ser.

Quanto aos personagens: Sebastian, como já vimos pelos quotes, faz muito mais o estilo vilão do que mocinho. E ele não perdeu essa característica de uma hora para a outra. Não ficou bonzinho de repente, pelo contrário. Seus comentários irônicos e sarcásticos permaneceram e até perto do fim do livro a gente olha para ele e pensa 'nossa, que babaca'. Eu não diria que ele muda, porque são mudanças tão sutis e gradativas que é mais fácil dizer que ele melhorou. Não deixou de ser quem era, mas descobriu em si mesmo um lado que desconhecia. De repente, quem diria, o vilão também tinha um coração. Também podia ser gentil, terno e fofo. Tinha uma habilidade terrível de dizer a coisa errada, mas também sabia como dizer a coisa certa. Quente por fora e uma completa geleira por dentro, mas nada como uma Evie para derreter o gelo e esquentar ainda mais o que já era fogo, né?

Falando na Evie, gente, que mulher! Confesso que lendo os livros anteriores eu tive um certo receio de chegar no livro dela, pois ela me parecia um tanto sem graça e frágil demais, normalmente prefiro mocinhas um pouco mais ativas. Mas ativa é pouco para descrever a Evie. A força e a segurança dela não surpreenderam só a você, Sebastian, surpreenderam a mim também. É determinada sem deixar de ser doce, aguenta tudo e um pouco mais pelas pessoas que ama, é suavidade que esconde um furacão dentro de si. Ambos me cativaram totalmente. Evie é aquela mulher que a gente respeita e admira o tempo todo. Inclusive, Evie, preciso dizer que você não foi a única a se apaixonar pelo mocinho mal da história. Sebastian ganhou meu coração, também. Não sei se pelo fato de que eu quase sempre tenho uma quedinha pelos vilões ou por nosso vilão ser, realmente, um vilão amável, mas ele foi o meu protagonista preferido de toda a série.

Não encontrei pontos negativos a serem destacados. Assim como os outros livros da autora esse soube ser romântico, intenso, divertido, dramático e ter pitadinhas de suspense, tudo na medida certa. Recomendo Pecados no Inverno para qualquer pessoa que curta um bom romancezinho de época. Se você gostar do gênero, acredite, a história e os personagens se encarregarão do resto e te farão se envolver nessa história de amor que de fria, não tem nada.

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