24 julho 2017

[Resenha] Nossa Música - Por Dani Atkins



Título: Nossa música
Autor (a): Dani Atkins
Páginas: 368
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Ally e Charlotte poderiam ter sido grandes amigas se David nunca tivesse entrado em suas vidas. Mas ele entrou e, depois de ser o primeiro grande amor (e também a primeira grande desilusão) de Ally, casou-se com Charlotte.
Oito anos depois do último encontro, o que Ally menos deseja é rever o ex e sua bela esposa. Porém, o destino tem planos diferentes e, ao longo de uma noite decisiva, as duas mulheres se reencontram na sala de espera de um hospital, temendo pela vida de seus maridos. Diante de incertezas que achavam ter vencido, elas precisarão repensar antigas decisões e superar o passado para salvar aqueles que amam.
Com a delicadeza tão presente em seus livros, Dani Atkins mais uma vez nos traz uma história de emoções à flor da pele, um drama familiar comovente que não deixará nenhum leitor indiferente.

Há oito anos, quando ainda estava na faculdade, Ally conheceu David numa festa de Natal. David estava com seu grupo seleto como convidado e Ally como substituta de uma trompetista da banda contratada. Como em todo bom clichê da vida, o caminho de Ally e David se cruzam quando ela tropeça na entrada da festa e ele a ajuda, a partir daí, David aos poucos quebra suas barreiras e em pouco tempo eles começam um relacionamento baseado em muito amor.

"– Tem certeza de que está bem? Não machuquei você quando a segurei, machuquei? [...]
– Estou bem. Obrigada de novo. Desculpe, preciso ir – falei, desviando-me dele e seguindo para a entrada dos fundos da tenda."
Capítulo 03

Mesmo sendo extremamente apaixonados, Ally e David são muito diferentes e teimosos o que sempre causa brigas na relação. Ela uma menina introvertida, humilde que se esforçava para conseguir sua graduação. Ele um cara extrovertido, brincalhão, rico e com uma vida regada a excessos. Mas ninguém tem dúvidas que Ally e David são a alma gêmea um do outro, ou pelo menos achavam até Charlotte se mudar para a residência que David divide com os amigos. Ally percebe que seu namorado tem mais afinidade com a nova moradora da casa do que os outros rapazes. Aos poucos as desconfianças e as inseguranças aumentam, e a relação perfeita que possuíam rui.

"Lembro-me de uma canção que fala sobre conhecer o homem de seus sonhos... e em seguida conhecer a mulher que se casou com ele. Bem, foi o que aconteceu comigo no dia em que me mudei para o número 63 da Warwick Road – só que na ordem inversa. Conheci uma amiga – ou pelo menos alguém com potencial para uma amizade – e então conheci seu namorado, que vinha a ser o homem dos meus sonhos [...]"
Capítulo 05

Oito anos depois, Ally seguiu em frente, está casada com um homem incrível e possui um filho maravilhoso. Tudo que ela menos queria em sua vida era encontrar seu ex-amor, mas numa noite decisiva em sua vida seus caminhos tornam a se cruzar. Joe, marido de Ally, cai num lago congelado após tentar salvar um garotinho e seu cachorro, e David tem um ataque do coração numa loja quando foi comprar um presente para Charlotte, e assim, o caminho das duas torna a se encontrar na sala de espera da UTI. Ambos estão entre a vida e a morte, e Ally e Charlotte além de enfrentar seus medos, precisam enfrentar o passado e resolver assuntos que há muito tempo ficaram inacabados.

"– Não faço a menor ideia do que você está falando, mas é claro que meu lugar é aqui. O homem que eu amo está lutando pela vida, onde mais eu deveria estar?
– Ele não é seu marido. É meu! – gritei, a voz embargada enquanto as lágrimas que eu não queria que ela testemunhasse começavam a rolar.
Os olhos de Ally se arregalaram, incrédulos. Ah, claro, como se ela não soubesse que tínhamos nos casado...
– David? – perguntou ela, trêmula, e, só de ouvir o nome dele em sua boca, já sentia ódio. – David está aqui?"
Capítulo 02






Mais uma vez estou com a difícil missão de falar de um livro que amei. Mais uma vez me encontro numa situação difícil pois tudo que direi jamais fará jus a tudo que Nossa música conseguiu despertar em mim. Estava totalmente receosa pelo que encontraria aqui, muitos colegas leram e amaram sem exceção, o consideraram o melhor livro do ano mas peguei o livro sem expectativas pois não queria me frustrar. Até considerei todo o amor despejado na obra um pouco exagerado, e não imaginava o que tinha de especial para ter tantos elogios já que a sinopse é cheia de clichês. Que erro meu, não estava preparada para a enchente de emoções que a Dani Atkins derramaria sobre mim.


Considero esse livro sensacional principalmente por três pontos cruciais que estão interligados com muita maestria e caminham juntos. Primeiro é a alternância de narrativa entre Ally e Charlotte mostrando o ponto de vista das duas personagens. É um grande erro achar que Ally é a protagonista dessa história, Charlotte divide esse posto com igualdade porém ela assume esse posto poucos capítulos após Ally. Temos duas histórias de amor com o mesmo homem narradas por mulheres diferentes.

"Abaixei-me lentamente até sentar em uma das duras cadeiras de plástico. Qual era a chance? Uma em um milhão? Um bilhão? Nenhuma de nós falou por vários minutos, mudas pela absoluta aleatoriedade da situação. Você pensa que tem o controle de sua vida, acredita que é você quem toma todas as decisões, e então algo assim acontece e você se dá conta de que é apenas uma minúscula peça em um jogo de xadrez, sendo movida de um lado para outro ao capricho de alguma coisa ou alguém muito maior. Livre-arbítrio? Eu nem mesmo tinha certeza se ainda acreditava nisso."
Capítulo 02

Ally é uma personagem difícil e suas atitudes são precipitadas que geraram grandes consequências na vida de todo mundo. Ela é teimosa, se acha insuficiente para o namorado por ele ser rico, e frisa a todo instante que é uma garota que não possui riquezas não aceitando gestos simples como ele pagar um táxi, ou, pagar uma compra no supermercado. Essa atitude dela chega até a ser um pouco arrogante e "julgatória" onde considera um ato de esbanjar da parte dele quando na realidade é algo simples em todo relacionamento. Porém ela é uma garota que é muito difícil não gostar. Todas suas inseguranças, incertezas e medos a tornam alguém humano e real, é fácil se identificar com a personagem, e até mesmo entender algumas de suas ações. Outro ponto positivo sobre ela são as pessoas que estão ao seu redor e que a amam e a fazem feliz.


Já Charlotte é exatamente igual a David. Veio de uma família rica, porém desprovida de afeto, é carismática, alegre e companheira. Creio que essa é a razão deles terem se dado tão bem, a vida deles é muito igual e se entendem de uma forma que poucas pessoas se entendem. O problema da Charlotte é ela ser uma garota irresponsável e mimada. Não vou dizer que ela fez de tudo para ficar com o David, mas também não impeliu as investidas dele, o que pra mim, como mulher e expectadora da estória, não consegui qualificá-la como a vilã. Vários fatores contribuiram para que Ally e David tivessem um fim, e considero eles mesmos os responsáveis.

"Eu esperava encontrar uma sala vazia. A enfermeira não dissera que havia outra pessoa ali. Mas havia. O rosto dela estava voltado para a porta, e seus olhos, presos aos meus. Não houve nenhum momento de dúvida. Haviam se passado anos desde a última vez em que tínhamos nos visto, mas eu conhecia suas feições tão bem quanto as minhas. Ela era a mulher que mudara o curso da minha vida."
Capítulo 02

O segundo ponto que o torna sensacional é a linha de narrativa. A história é um grande quebra-cabeça que vamos montando aos poucos. Durante a noite na sala de espera aguardando para saber se Joe e David vão sobreviver são preenchidas com situações do presente com os médicos, prontuários, medicação, etc... Mas Ally e Charlotte vagueiam pelo passado constantemente e assim vamos sabendo porque são hostis e o que de fato aconteceu entre os três. Por isso é extremamente importante ter a narrativa das duas personagens, temos uma perspectiva completa do que aconteceu, aquilo que Ally desconhece, Charlotte conta, e vice versa. E o terceiro ponto está atrelado ao segundo: a escrita da Dani Atkins.


A autora escreve de uma forma que nos deixa imersos e totalmente envolvidos na estória. Somos um expectador silencioso que sente tudo que acontece aos personagens. Além disso, ela tem o poder e domínio de despertar na hora certa sentimento ao leitor como raiva, irritação, alegria e tristeza. Toda a atmosfera da estória contribui para que fiquemos imersos e presos aos acontecimentos, como se piscássemos algo acontecesse sem que percebemos. É tudo muito forte e regado a emoções, que vão muito além fazendo o leitor refletir sobre coisas que a maioria das pessoas sequer já pensou, como por exemplo: quando um relacionamento acaba de verdade? ou, Até que ponto é justo esconder algo importante de outra pessoa por estar magoado? Além de outras que envolvem família, e como elas rompem a barreira de sangue.

"– Você me avisou, todos vocês avisaram. Mas eu continuei torcendo para que isso nunca acontecesse – falei, e dei uma risadinha amarga. – Eu deveria ter percebido quanto isso era inútil, não deveria? Parece que algo, como um arame farpado invisível, nos mantém amarrados todos juntos. Você acha que já passou, acha que está livre, mas, se correr muito na direção oposta... bem, ele corta você."
Capítulo 10

Além desses três pontos, os personagens secundários dispensam elogios pois todos são extremamente bem construídos, humanos e reais. Joe é sem dúvida o meu mais novo crush da vida. Cara perfeito, compreensivo e amoroso. Jake é filho de Ally e Joe, e é impossível não se emocionar com a inocência do garotinho. Além deles também conhecemos o melhor amigo da Ally, Max, um verdadeiro irmão para ela em todos os sentidos. Além dos pais dela, como disse, Ally tem pessoas extraordinárias em sua vida.


Creio que a maioria das pessoas estão se perguntando "se amou tanto o livro então por que quatro estrelas?" Simples, o final da obra. Assim como o resto do livro ele é arrasador, difícil e extremamente emocionante. O problema é que meu lado romântica incorrigível não o aceitou muito bem, e por favor, retirem o último parágrafo desse livro, me recuso ele ser real. Só digo que vocês precisam ler com uma caixa de lencinhos de papel do lado.

"Entre nós havia tanto combustível para desavenças que a mais íntima centelha poderia desencadear uma explosão, algo que nenhuma das duas era capaz de lidar no momento."
Capítulo 02

A edição física do livro trás 13 capítulos impressos em folhas ásperas, levemente amarelas, com uma fonte excelente para leitura, e também, o exemplar acompanha orelhas em ambas as capas. A capa é sem dúvidas uma das mais bonitas da minha estante e trás uma textura emborrachada coroando com maestria essa belezura.


Nem preciso dizer que a resenha está gigantesca, mas ainda acho que nada do que disse aqui resume tudo que Nossa música despertou em mim. Dani Atkins se tornou uma autora que tocou meu coração e estou ansiosa para ler outros livros dela, que já pesquisei, são tão maravilhosos quanto esse. Tudo que posso dizer como leitora, e, uma pessoa apaixonada pela obra é que vocês precisam ler para entender. Esse é o tipo de livro que palavras não são suficientes, vocês podem ler inúmeras resenhas e ainda assim nenhum fará justiça pois só tem como saber a dimensão da história quando se lê. Recomendado e indicado á todos sem exceção.




Um comentário:

  1. Nossa!
    Fiquei nervosa com o final, já vi que alguém deve morrer :(
    hahaha Amei a resenha, me deu muita vontade de ler esse livro. Vou procurar no Unlimited, se não tiver vou adicionar na lista de compras da Bienal rs.

    Beijos!
    Blog Reviewing

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