20 junho 2017

[Resenha] Fortaleza Negra: A chegada da Nova Era - Por Kel Costa



Título: Fortaleza negra
[A chegada da nova era #1]
Autor (a): Kel Costa
Páginas: 464
Cortesia: Ler Editorial
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Sinopse: Não tema! Não se entregue! Resista!
O que aconteceria se a humanidade ficasse no meio de uma guerra sem precedentes entre criaturas poderosas, de duas espécies predadoras e extremamente perigosas?
Em um mundo completamente diferente de tudo que conhecemos até então, começa a aventura de uma adolescente rebelde e atrevida, que enfrentará os mais temidos vampiros e seres mitológicos, para conquistar uma posição de respeito, graças à sua força e coragem.
"Fortaleza Negra não é apenas mais um livro de vampiros. Kel Costa conseguiu reunir todos os ingredientes necessários para criar uma história que você pega e não consegue largar. Personagens cativantes, uma mocinha não convencional, vampiros que amamos odiar e que parecem pertencer ao nosso cotidiano, mesmo sendo fantásticos. Ainda bem que Kel não os guardou em apenas um volume, mas há mais dois para que possamos conviver com eles por mais tempo. Pena que não são eternos. Ou são?"
Graciela Mayrink - autora de: Até eu te encontrar, A namorada do meu amigo, Quando o vento sumiu e O livro delas

Em 1985 os Vampiros decidiram se revelar aos humanos, e, em pouco tempo começaram a tomar o poder no mundo dos humanos. No começo, alguns humanos resistiram e lutaram, mas foram massacrados pelos vampiros até que se renderam e deixaram os vampiros tomarem o poder. No mundo todo, os governantes foram depostos e substituídos pelos vampiros. E os mestres (vampiros mais antigos que existem) comandam tudo de uma Fortaleza, que foi construída na Rússia.

Com a ascensão dos vampiros ao poder, houve aspectos positivos e outros negativos para os humanos: as leis eram muito rígidas e a pena de morte era comum, entretanto, não existiam mais guerras e os crimes eram praticamente inexistentes. E existiam regras para os vampiros também, que não podiam matar os humanos e não poderiam tomar seu sangue sem autorização.

"Sempre fiz pouco caso de vampiros, talvez por nunca ter sido necessário ficar cara a cara com um deles, mas quando aconteceu me senti amedrontada. Algo maligno parecia emanar daqueles olhos azuis, que enganavam pela beleza."

Até que outros seres sobrenaturais decidiram se revelar também: os Mitológicos (minotauros e centauros), que se alimentam de carne humana e começaram a invadir as cidades e atacar as pessoas. Os vampiros, então, decidiram implementar algumas medidas de segurança para evitar que sua fonte de alimentos fosse dizimada.

E é nesse mundo cheio de regras e restrições que vive a nossa protagonista, Aleksandra, ou Sasha, como prefere ser chamada. Ela mora nos Estados Unidos, junto com os pais e o irmão, até que a cidade dela é invadida pelos Mitológicos e seus pais decidem que a família se mudará para a Fortaleza, lugar mais seguro que existe, por conta da proximidade com os mestres. E é aqui que essa história começa.

"A criatura gigantesca galopava em nossa direção, como um touro furioso. Ele vinha a toda velocidade, com os olhos vermelhos e os dentes arreganhados. Tinha chifres longos, negros e afiados, e um pedaço de pano esfarrapado cobria a genitália. Nunca presenciei algo do tipo em toda a minha vida e, para meu desgosto, percebi que minhas pernas ficaram quentes conforme o xixi descia."






Gostei muito de vários aspectos da Sasha, ela é uma protagonista forte, determinada e que não tem papas na língua, fala o que pensa (às vezes até demais) sem se importar com as consequências. No entanto, o que mais gostei foi a auto-estima dela. Ela é uma garota cheia de curvas, com seios fartos e quadris largos, que não se incomoda quando a chamam de gordinha, pois sabe o quanto é bonita e que chama a atenção masculina. Nem preciso dizer que a autora quebrou vários estereótipos e clichês.

"Agarrei o braço do vampiro, mas não consegui movê-lo um centímetro sequer. Na falta de outras opções, fiz o que qualquer dama faria para salvar o amigo. Pulei nas costas do homem e comecei a bater em sua cabeça."

Agora preciso destacar um ponto que pode incomodar alguns leitores: ela está na adolescência, tem 17 anos, e apresenta muitos elementos típicos dessa fase. Por exemplo, ela fez o maior drama quando os pais contariam que a família se mudaria para a Fortaleza, mesmo sabendo que era por questões de segurança. Então, o livro está recheado de frases do tipo: “Ah, nunca mais vou ter vida social se esse boato se espalhar” ou “Se isso acontecer minha vida acabou”. Não vou ser hipócrita e dizer que isso não me incomodou em momento algum, mas posso dizer que não impediu que eu gostasse da obra, como um todo.



Um dos diferenciais desse livro em relação a outros do gênero é que a Sasha está com a sua família: pai, mãe e irmão. Os pais dela são super carinhosos e presentes, sendo que a mãe, que é descendente de russos, tem a personalidade super forte e é rígida, mas ao mesmo tempo presente e carinhosa. O pai é o gênio da família, por causa do trabalho deles é que a família fora convidada a morar na Fortaleza (já que não é qualquer humano que pode morar lá). Já a relação de Sasha com o irmão não é das melhores, já que os dois são muito diferentes.

"- Parem os dois! – O homem da casa (minha mãe, é claro!) bateu na mesa e todos nos calamos ao vermos os pratos balançarem. – Desembuchem logo. Ou acham que seu pai e eu não conhecemos vocês dois?"

Quando mudou para a Fortaleza, Sasha deixou para trás Helena, sua melhor amiga, que é extremamente tranquila em relação aos novos amigos que ela fez na Fortaleza: Kurt e Lara, que só fazem colocá-la em confusões.

"- E como são! Impossível não sentir um fogo crescente quando Klaus chega perto!
Quem falou isso não foi Lara e sim Kurt, para meu total espanto, que devia estar estampado na minha cara."

Se tem romance no livro? Tem sim! Mas não vou dar detalhes sobre isso. Porque estou sendo tão má? Porque o par romântico da nossa protagonista é alguém que eu nunca imaginaria quando iniciei a leitura e quero que você também se surpreenda quando chegar nessa parte.

"- Você é muito convencido. Desde quando eu quero me envolver com você?
- Fale por você – ele sussurrou em meu ouvido enquanto parávamos na frente de um elevador. – Porque eu, desde que te vi, só consigo pensar na sua boca."

A narrativa da autora é excelente, não deixa a desejar nem um pouco em relação a autores estrangeiros que escrevem o mesmo gênero. O livro foi escrito em primeira pessoa através do ponto de vista da Sasha, sendo que alguns capítulos trazem o ponto de vista de outro personagem (leia o livro se quer saber quem é). Tem uma pitada de humor maravilhosa que me arrancou risadas durante toda a leitura, e, ela fez uso da linguagem culta, o que considero maravilhoso.

"- Definitivamente não! – A voz era minha e até eu me surpreendi. Não precisava ver Mikhail beijando minha mãe para ela voltar à vida. Porque ela, com certeza, voltaria. Era casada, mas não era burra. – Quero dizer, tenho certeza de que ela já vai acordar."

Agora tenho que ressaltar outro aspecto que eu, particularmente gosto, mas sei que algumas pessoas sentem-se incomodadas: a autora retrata bastante a rotina dos personagens, então o livro não tem ação o tempo todo, o que pode deixar a leitura lenta em alguns momentos. Isso não me incomoda, porque é um mundo totalmente diferente do nosso e eu adorei o fato de a autora ter se preocupado com todos os detalhes.



Outro ponto é que não é o tipo de livro no qual a personagem vai descobrindo o mundo novo junto com o leitor: ela já sabia da existência dos vampiros e dos mitológicos e o que aconteceu quando eles se revelaram aos humanos. Então, até a página 25 mais ou menos, a autora precisou relatar o que aconteceu para que o mundo chegasse àquele ponto no qual começa a história. Portanto, se você achar a leitura parada no início, insista mais um pouco, garanto que essa impressão passa.

"Por falar em Brasil, eu me lembrei de uma matéria que tinha lido anos antes, contando que ele tinha sido um dos primeiros países a aceitar de vez o governo vampírico. Algo sobre a população preferir ser comandada por seres da noite do que se submeter a seus antigos governantes."

Tenho algumas considerações no que diz respeito à edição. Vou falar primeiro dos pontos negativos, na minha humilde opinião, e depois dos aspectos positivos, vamos lá:

1. Achei as letras e espaçamento pequenos. No entanto, nesse momento devo ressaltar que estou prestando concursos e estudando entre 6 e 8 horas por dia. Depois de 3 anos nessa rotina, acho que o cansaço está realmente começando a pegar, e eu senti um pouco de incômodo com as letras e espaçamentos deste livro. Não sei definir bem se incomodariam qualquer pessoa, por isso fiz questão de postar a foto do miolo do livro.
2. Os parágrafos são longos, o que me incomodou um pouco no começo da leitura. Mas depois me adaptei.
3. Agora vou começar a falar dos pontos positivos: temos um glossário no início do livro explicando quem são e quais são os poderes dos Vampiros, dos Mestres e dos Mitológicos. Gostei muito de ter essa noção antes de iniciar a leitura.
4. Temos também, no início, um manual de como pronunciar alguns nomes, de acordo com a pronúncia em russo. Achei interessante ler já imaginando a pronúncia correta na minha cabeça.
5. A capa é bonita e possui orelhas, e, em cada início e final de capítulo tem um desenho, gostei disso, pois demonstra um cuidado especial com a edição.

Enfim, é um livro que indico para quem gosta do gênero fantasia mesclado com humor e romance. Gostei muito de ter tido a oportunidade de ler esse livro e posso dizer que estou ansiosa pelas continuações, já que se trata de uma trilogia. Espero que tenham gostado da dica. Até mais.

Um comentário:

  1. Minha primeira leitura esse ano foi FN, porém, na edição da Jangada.
    Eu simplesmente amei! Sou sempre suspeita pra falar de vampiros, pois os amo de paixão, mas a mitologia que a Kel criou em torno deles foi fantástica. E claro que amei cada referencia ao Brasil. ~aquela criticazinha marota~

    Parabéns pela resenha, completa e sem spoiler.



    Minha Fuga da Realidade

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