14 junho 2017

[Resenha] Entre o Amor e o Silêncio - Por Babi A. Sette



Título: Entre o Amor e o Silêncio
Autor (a): Babi A. Sette
Páginas: 528
Editora: Novo século
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Sinopse: Francesca Wiggs sofreu uma grande decepção amorosa e, desde então, está decidida a não se relacionar mais. Além de se dedicar a escrever o seu livro, ela resolve preencher os dias com um trabalho voluntário – a leitura para pacientes em coma proporcionaria para ela a distância para problemas com o coração. No entanto, um grande imprevisto ocorre quando ela passa a se sentir atraída pelo paciente. Mitchell, descrito como um poderoso magnata, seria a antítese de tudo o que ela busca em um homem... se não estivesse em coma. Precisar de alguém inconsciente seria um absurdo, não seria? Amar uma pessoa que nunca responde parece loucura! Francesca já havia entendido e sentia-se quase segura diante disso. Mas, e se Mitchell acordasse? A aproximação desses personagens tão diferentes revela um romance encantador e divertido, repleto de reviravoltas. Entre a vida e a morte, a ilusão e a realidade, o amor pode ser realmente o milagre que faz tudo mudar?

"Toda a carga emocional do estupro de uma traição trouxe o prólogo do seu livro. Ela digitou-o com um impulso frenético momentos antes de deitar. A escrita sempre foi uma descarga de qualquer conturbação. Curava feridas novas como a traição que comprovou naquela tarde. Curava feridas velhas como... Suspirou."

Doce, uma sonhadora incorrigível e apaixonada pelas palavras. Perder-se por entre as palavras era, ultimamente, o maior consolo de Francesca. A escrita e a companhia de sua colega de apartamento e melhor amiga, Olivia, eram tudo o que seguravam-na para que não se entregasse de vez à uma dor da qual não havia como fugir. O motivo? A descoberta recente da traição de Vince, seu namorado e, de acordo com o que ela imaginava, o amor de sua vida. Como se não bastasse, ele era ainda diretor de uma das escolas de Artes Cênicas mais bem conceituadas do país, onde ela cursava aulas de teatro. Mantinham um relacionamento quente e aventureiro há 3 anos até que, no mesmo palco onde se conheceram e onde viveram grande parte desse romance, Francesca descobre que não era a única aluna a cair no papo cafajeste do diretor. Desde então, ela passa a se dedicar à carreira de escritora com a qual tanto sonhara. Mas sente que lhe falta algo...

"– Não, já disse que U$$ 200 mil é a minha última palavra. – A forte voz masculina disse em um francês impecável.
Mitchell Petrucci, que era o dono desta voz, falava em um celular. Estava sentado na larga poltrona de couro preto, de trás da escrivaninha imponente esculpida em madeira de demolição, no último e 83o andar do prédio Jonh Petrucci Group Co."

Mitchell, por sua vez, é chamado "o menino de ouro". Rodeado de riquezas desde bebê, herdeiro de um império construído pelo pai e um dos economistas mais influentes do mercado financeiro. Dono de um charme incomparável e conhecido por estar sempre cercado de mulheres. Felicidade, talvez, seja tudo o que lhe falte. Não que ele reclame, claro, pois é difícil sentir falta daquilo que não se conhece. Indiscutivelmente frio e, aos olhos de muitos, terrivelmente solitário. Quem diria que os mundos tão distintos de duas pessoas ainda mais distintas poderiam se cruzar?

"Há quanto tempo ele está assim? – A voz feminina saiu abafada enquanto era direcionada ao encontro do paciente.
– Nove dias – respondeu a enfermeira de cabelos pretos, quase cobertos pela touca hospitalar.
– Sra. Campbel, tem alguma instrução, regras ou algo mais que deva saber?
– Apenas não desligue os aparelhos – era uma enfermeira bem-humorada.
– Não farei isso – disse Francie sorrindo com a brincadeira."

Foi uma grande decepção amorosa que à levou até ali. À um quarto de hospital, disposta a ler para alguém que, até onde se sabe, nem se quer poderia ouvi-la. Desesperada para arranjar algo mais com o que preencher sua vida, Francesca descobre-se voluntária desse programa. Já ele, apenas estivera no lugar errado na hora errada. Ou não. Porque, aquilo que de início parecera um trágico acidente de trânsito que deixara o aparentemente intocável Mitchell em coma e a beira da morte pode ter sido, talvez, o início da jornada mais emocionante da vida de ambos. Para ela, é como se o universo a estivesse colocando dentro de uma das histórias de amor que ela tanto adora escrever. Para ele, será como se fosse um personagem que não se encaixa de maneira alguma em sua trama, pois seu coração, que até então alguns julgavam inexistente, despertará para algo com o que ele jamais ousara desejar: o verdadeiro amor.

O livro é dividido em 77 capítulos, fora o prólogo e narrado em terceira pessoa.






Entre o amor e o silêncio é uma trama que, para quem se depara com a sinopse ou até com resenhas, pode parecer um tanto clichê. E é mesmo! É um romance leve, estilo fim de tarde, onde os protagonistas são completamente opostos, o típico mocinho rico e inalcançável, a mocinha simples e romântica. A maioria dos cenários são dignos de contos de fadas de tão belos e, principalmente, de tão bem descritos. Francie, apesar de uma força fantástica para lidar com problemas femininos, guarda consigo uma pitada de fraqueza por Vince que, aliás, é o tipo de personagem para quem a gente passa o livro inteiro olhando e pensando: "que babaca". Mitchell, com todo seu jeito charmoso de ser, ainda que encontre dentro de si uma sensibilidade que não sabia existir ou que há muito havia sido enterrada, não perde seu lado também um tanto babaca. O que não o afasta, de modo algum, do posto de conquistador. Inclusive do coração das leitoras, conquistou o meu.

O fato é que, mesmo diante de toda a previsibilidade da história, é uma leitura gostosa e que vale a pena. Toda recheada de conflitos, cenas que nos fazem rir e chorar.

Em relação aos pontos negativos, devo dizer que o que realmente me incomodou na história foi o início, o momento em que Francesca julga-se apaixonada por Mitchell, ainda que nem se quer o conheça de verdade. Me pareceu uma certa obsessão e, confesso, não esperava nada do livro enquanto estava nessa parte. Sentimentos que acontecem de forma natural e nada forçada é algo que preso muito nos livros e, quando isso não acontece, acabo me frustrando um pouco. No entanto, isso se deu apenas nos primeiros capítulos, pois durante o desenrolar da história pude observar o sentimento entre ambos desenvolver-se de forma mais lenta e verdadeira, digamos assim, o que me surpreendeu positivamente.

Quanto aos pontos positivos, acredito que o maior deles seja justamente este, a vastidão de leveza que a história nos traz. A maneira que ela tem de nos encantar e divertir, ao mesmo tempo, ainda que seja com um enredo onde pouco do que imaginamos é diferente do que acontece. Além de, claro, as descrições dos cenários, as quais eu já citei acima e pelas quais eu fiquei totalmente apaixonada. Os personagens são todos cativantes cada um à sua maneira. É meio impossível não gostar tanto de Francesca quanto de Mitchell e, outra que ganhou meu carinho foi a Olivia, o companheirismo entre ela e Francie é algo lindo de se ver.

A história de Francie e Mitchell me fez refletir sobre como ainda que o amor precise de tanto para sobreviver, é totalmente capaz de nascer de um silêncio. De uma simples presença.

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