29 junho 2017

[Resenha] Apenas respire - Por Bárbara Herdy



Título: Apenas Respire
[Um conto quase de fadas #1]
Autor (a): Bárbara Herdy
Páginas: 802
Editora: Amazon Kindle
Skoob || Encontre

Sinopse:  Ao embarcar para um cruzeiro de sete dias com os amigos para comemorar o fim do ensino médio e o início de uma nova etapa de suas vidas. Kate Farrell, uma jovem pacata, sonhadora e audaciosa sonha conhecer Londres, ser jornalista e ter seu primeiro livro publicado se vê em meio a pessoas influentes, festas luxuosas e um mundo irresistível. Ela acaba por se encontrar entre a cruz e a espada quando seus melhores amigos lhe colocam em uma situação delicada e ela precisa, utilizando da razão e emoção escolher o lado certo a defender. Nesse meio tempo, Kate conhece um rapaz misterioso, Peter Hartley envolvendo-se em um romance capaz de fazê-la permitir com que a paixão fale mais alto, assim a cada dia ela se encontra mais envolvida a ele, sem perceber a vida misteriosa de Peter, repleta de segredos e intrigas familiares, podendo trazer uma grande tormenta para sua vida e para seu coração. Kate precisa escolher entre dois caminhos: Seguir em frente e esquecer os maravilhosos dias ao lado de Peter ou atirar-se em um caminho tomado pelo desconhecido e o incerto de mãos dadas àquele que faz seu coração bater de forma irresistível e apenas respirar.

Katerina Isabella Ferrell é americana com sangue brasileiro, irlandês e português nas veias. Com seus dezoito anos completos, ela acabou de se formar no ensino médio e um cruzeiro deveria ser a coroação do começo de uma vida nova como universitária de Jornalismo na Universidade de Columbia, em Nova York.

"Essa história não é sobre um amor, mas sim, sobre viver."

Deveria? Por que não “será”?
Porque Kate, como prefere ser chamada, durante os sete dias que passará no oceano, viverá uma legítima tormenta em alto mar. Entre amizades seriamente abaladas, inclusive rompidas, por acontecimentos que apenas o coração e os impulsos explicam e uma paixão que nasce à primeira vista, ela vai descobrir que ser impulsiva pode ser ao mesmo tempo bom e ruim. Nada nesse caso, porém, serão flores, pois como a própria, e tão única, Kate diz:






Apenas Respire não é apenas um romance, um new adult como tantos. É um livro que se foca nas duas seguintes perguntas:


  1. Até que ponto vale mais a felicidade do outro que a sua?
  2. O quanto sacrificamos por quem gostamos para no fim descobrir que não valeu tanto a pena? E que no fim a gente saiu mais machucado que beneficiado?


Começamos a nossa trama logo após a formatura de uma turma de Ensino Médio, na cidade de Durham, Carolina do Norte. Nesse grupo destacam-se quatro amigos: Kate, Rachel, Joana e Steve. Os dois últimos namorando há três anos. Além de Alex e Chris, outro casal, Lucas e Tom, gêmeos que não poderiam ser mais diferentes embora ambos sejam excelentes pessoas e Brittany, uma moça muito da fofoqueira que, por odiar a própria vida, dedica-se a infernizar outrem. (Pelo menos é o que a Kate diz e considerando o que a Stéfani comentou sobre bullies na resenha dela de Quando tudo faz sentido, eu concordo.)

"Liberdade.
A palavra mais doce e perigosa de nosso vocabulário jovem."

A partir daqui, e desde o começo, são 802 páginas de um excelente desenvolvimento de trama e de personagens, já que a autora Bárbara Herdy não hesita em mostrar todas as nuances de cada um dentro da trama. Isso que as duas primeiras partes se passam em apenas uma semana. Mas, como diria um autor (ou autora) cujo nome esqueci, apenas um momento pode fazer tudo valer a pena. Ou começar uma nova história.

Sendo nesse ponto que eu comento sobre o inacreditável romance que se desenvolve entre Kate e Peter, um belo loiro britânico pelo qual a nossa protagonista sente algo à primeira vista.

"- Se entregue, Kate. – Rachel pediu, senti um nó se formar em minha garganta. - Curta, aproveite o momento. O que tiver que acontecer, vai acontecer naturalmente. Você querendo ou não. Agora: Não pense, se você fizer isso, você vai parar de viver e é essa a grande sacada da vida. Viver e fazer a diferença sem pensar no amanhã. O resto fica na história."

Ok, eu não nego que “instalove” é algo que me deixa um pouco incomodada, mas a forma como a situação é descrita e desenvolvida é tão real e maravilhosa que você para e se pergunta: isso poderia acontecer comigo? Ainda mais porque Peter parece ter um legítimo dom para enxergar as pessoas na sua essência. Possivelmente por sua criação e origens, já que desde novo ele teve de conviver com situações públicas demais para o gosto da maioria. Apesar de que, no caso da tia e prima dele, Miranda e Serena, ele demora muito a perceber que quando as pessoas são maldosas mesmo, nem laço familiar as impede de fazer coisas ruins, já que a tia do Peter é a mais detestável criatura do livro. O que ela, junto da filha, faz contra o casal é simplesmente uma das maiores maldades que já li e olha que já vi coisas cabeludas e cabulosas.

O que impressiona mais no livro, porém, não é o romance dos protagonistas, embora eu tenha amado porque o Peter é um doce, mas sim a riqueza de detalhes com que a Bárbara Herdy descreve os sentimentos dos personagens nas situações apresentadas. É impressionante a força que os sentimentos possuem nessa trama, a ponto de fazer a Kate ser obrigada a decidir entre Joana e Rachel em um triângulo amoroso que mais parece coisa de novela. Sim, o Steve dá uma senhora pisada na bola a respeito do namoro dele e pede ajuda da pobre Katerina para resolver a encrenca. Rachel pede igual ajuda, mas de forma muito mais incisiva, o que faz Kate tomar uma decisão que vai mudar para sempre a vida dela e de seu trio de amigos. O saldo final, porém, fica longe de ser positivo e a protagonista precisa lidar com a realidade: ela abriu o Jarro de Pandora. (Não é caixa, segundo o Percy Jackson.)

"Se dormir com Peter era bom, o que poderia dizer sobre acordar? Trazia uma sensação de conforto e prazer inacreditável sentir suas mãos em volta de minha cintura, a batida de seu coração próximo ao meu ouvido e sua respiração a me arrepiar. Provavelmente nunca dormi tão bem em um travesseiro como havia dormido no peito de Peter. Sentia-me protegida, confortável e amada."

E é aqui que eu entro no ponto da personalidade de Kate Ferrell. Ela é forte demais para o próprio bem. (Não que isso seja ruim, mas pode acabar sendo.) Faz escolhas dolorosas para si mesma porque não deseja ver quem ela ama sofrer. É apaixonada e não pensa duas vezes em mostrar o que sente. Enfrenta tubarões mesmo sabendo que vai tomar mordidas. É impulsiva, complexa, gente como a gente. Quer ser feliz, mas sabe que o caminho para a felicidade tem muitas pedras e não hesita em escalar cada uma ou chutá-las mesmo sabendo que vai se ferir. No entanto, tudo isso muitas vezes se volta contra ela em razão de que existe gente má como a Miranda que não pensa duas vezes em usar as fraquezas da pessoa contra ela. O que fala mais de quem faz do que de quem sofre a maldade embora isso cause uma bela controvérsia com relação à atitude da Kate em determinada altura do livro.

Porém, quando lemos é que vemos que a situação é bem mais difícil e isso amaina um pouco a raiva que sentimos embora não a deixemos completamente de lado. Pois ela demora muito a se dar conta da estupidíssima coisa que fez e do novo Jarro de Pandora que abriu. E é aí que mais profundamente entram Dorian e Amelia, cunhado e irmã de Peter, mostrando que quando o amor é verdadeiro e a amizade é “pra valer”, nem mesmo a maldade alheia tem vez. Garotos, eu amo vocês e os quero no próximo livro!

"Ele tirou do seu paletó uma caixinha de veludo azul e me entregou, indicando para abri. Abri, me deparando com dois longos cordões de prata com pingentes de corações idênticos, pequeno pintados em vermelho em sua frente. Olhei para Peter surpresa e encantada com a jóia delicada, ele pediu licença afastando a caixa de minhas mãos, tirou um dos cordões, e aproximou-se de mim, pedindo permissão para colocar o cordão. Com ele em meu pescoço o admirei, notando que ele batia na altura de meu coração, com o pingente em meus dedos senti algo gravado na parte de trás, ao virar o pingente encontrei um P gravado."

No entanto, não posso deixar de falar do trio Joana, Steve e Rachel. Todos eles mudaram, todos eles sofreram, mas estão tentando consertar as próprias vidas depois do cruzeiro. Não posso falar mais do que isso porque seria um spoiler, mas acho que Steve vai seriamente aparecer no segundo livro e as coisas vão complicar para a Rachel. Afinal, a situação deles, que na minha opinião não foi resolvida, e bem mais, incluindo Miranda e Serena, foi deixado solto para o próximo volume, Apenas Viva, que tem esse título por motivos que não posso revelar, mas garanto que a leitura do final AR vai dar o devido sentido.

Li o livro em e-book e encontrei alguns erros de revisão, mas nada que comprometesse o entendimento da leitura embora admita que a construção dos capítulos é um bocado longa, o que conta um ponto contra para muitos, mas para mim foi normal. Além de uma excelente leitura que eu altamente recomendo.

"Há, contudo, um segundo segredo que é apenas meu, e provavelmente deve me definir pelos próximos anos, mas... mas eu não estou pronto para falar sobre ele. Isso ainda é muito recente, portanto eu peço paciência. Não posso falar sobre isso com você, não por não querer, mas por não poder conviver com isso em meu ser. Ainda. Eu lhe peço que confie em mim que, no momento certo, eu vou lhe revelar tudo. Quando aceitar esse meu segredo, eu estarei pronto para contá-lo a você. Você pode... Confiar em mim?."

Faço um adendo falando do conto Gravidade, que é uma continuação direta do livro e um prequel para o segundo, que conta como a vida da Kate segue após o emocionante final do primeiro livro e de como ela está lidando com as decisões que teve de tomar no capítulo final de AR. Naturalmente, as coisas não estão simples, um certo par de pessoas e uma das colegas de Kate aparentemente sumiram do mapa e ela não sabe o que esperar do futuro dela com Peter. Kate bravamente só precisa continuar vivendo. Um dia de cada vez até que uma história nova comece. Que eu profundamente desejo que chegue logo.

10 comentários:

  1. Ola
    Fiquei surpresa pela quantidade de páginas, mas se ele é bem desenvolvido então está valendo super a pena. Não sei como ainda não tinha lido nada a respeito, mas fiquei bem curiosa quanto as mensagens repassadas, desde questões envolvendo mudanças, sofrimentos, sacrificios e sentimentos igualmente marcantes. Com certeza gostaria de fazer essa leitura. Obrigada pela indicação!
    Beijos, F

    ResponderExcluir
  2. Oie!
    Mesmo não gostando muito de amor miojo, aquele que depois de 3 minutos está pronto, gosto quando a trama é bem desenvolvida.
    Ainda não tive a oportunidade de ler a história, mas fiquei bem interessada para conferir. Vou anotar essa dica.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

    ResponderExcluir
  3. Oii

    Tenho que ler esse livro e a sua resenha me lembrou disso,a escrita da Bárbara é ótima porque é bem detalhada e faz com que o leitor se situe muito bem na história.
    Assim como você me incomodo um pouco com essa coisa de se apaixonar rapidamente, mas se for bem escrito e coeso,a gente até releva.
    Amei a sua resenha!

    ResponderExcluir
  4. Oi Renata!

    Tudo bem? Esse livro... UAU! Vou me envergonhar agora, mas eu julguei pela capa quando a vi e não dei muito crédito para a história porque parecia muito do mesmo. Achei interessante que a questão da felicidade pessoal vs a felicidade do outro seja colocada aqui e debatida porque muitas vezes (na maioria dos livros) é um tema que vai sendo meio que "jogado" na narrativa...

    Como você eu não sou a maior fã de amores repentinos do tipo à primeira vista, soa muito fácil para mim já que assim o autor não precisa construir momentos e afinidades que vão fazer o casal realmente se apaixonar e por mais que você tenha gostado eu fico com o pé atrás.

    Beijinhos - Jessie
    www.paraisoliterario.com

    ResponderExcluir
  5. Olá!
    Confesso que a princípio me assustei com o número de páginas (li menos de 600 páginas até agora). De acordo com suas impressões a autora desenvolveu uma trama envolvente para cativar o leitor; estou curiosa para acompanhar a história desse romance entre a Kate e o Peter.
    Abraços,
    Cidália.

    ResponderExcluir
  6. Primeira coisa que me chamou a atenção: é o primeiro livro de uma série e tem mais de 800 páginas... Nuossa... Não sou fã de YA ou NA, mas gostei dos pontos levantados, são interessantes de serem abordados em qualquer livros, e livros que abrangem uma faixa etária mais jovem, melhor ainda. Infelizmente a fila por aqui está impossível. Mas é uma dica interessante.

    ;D
    Nelmaliana Oliveira

    ResponderExcluir
  7. Oi Renata,
    Que livro mais longo, hein? Ainda não conhecia esse título e confesso que não fiquei muito interessada em fazer a leitura, pois não sei até que ponto essa impulsividade da Kate é boa. Eu sou muito mais pé no chão e acho que preciso pensar antes de falar as coisas, mas talvez ela seja mais feliz sendo assim.
    Vou passar a dica, pelo menos, por enquanto.
    Beijos,
    Um Oceano de Histórias

    ResponderExcluir
  8. Olá,

    Também não sou muito fã de "instalove", o romance tem que ser muito bem construído para eu gostar, mas pelo o que li de sua resenha o romance foi satisfatório. Adoro livros que tenham riqueza nos detalhes, mas que não fiquem chatos ou arrastados demais. Não conhecia a obra, e confesso que às 800 e poucas páginas me assustaram um pouco no começo, porém conhecendo sua opinião fiquei empolgada para saber mais sobre essa história. Valeu pela dica!

    Beijos,
    entreoculoselivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  9. Pela quantidade de páginas, confesso que fiquei um pouco assustada, pois é muito fácil de se perder durante a narrativa. Mas como pude conferir, a trama parece ser bastante envolvente com personagens que conseguem prender durante a leitura. Gostei bastante do geral, mas não seria um livro para mim no momento.
    Bjim!
    Tammy

    ResponderExcluir
  10. Olá!
    Assim como você não gosto de "instalove", mas pela sua resenha a autora soube descrever e construir isso, deixando o acontecimento natural.
    Gosto de histórias bem construídas e de personagens bem desenvolvidos. Quando eles amadurecem com erros então, me deixa com brilho nos olhos.
    A protagonista parece forte, mas também um pouco inconsequente.
    Enfim, a premissa do livro me interessou bastante, a sua resenha me fez querer ler a obra, mas 802 página de new adult me afugentou rs
    Quem sabe no futuro?
    Abs e parabéns pela resenha ^^

    ResponderExcluir