26 maio 2017

[Resenha] Os veranistas - Por Emma Straub



Título: Os Veranistas
Autor (a): Emma Straub
Páginas: 288
Editora: Rocco
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Sinopse: Autora de romances e contos que conjugam sucesso de público e de crítica, Emma Straub narra, em seu primeiro livro lançado no Brasil, uma história sobre família, amizade, afetos e frustrações, sob o sol da paradisíaca Maiorca. Franny e Jim comemoram 35 anos de casamento e o diploma de segundo grau da filha, Sylvia. Na encantadora casa alugada na ilha espanhola, os três contam ainda com a companhia de Bobby, o filho que mora na Flórida com a namorada dez anos mais velha, e do casal de amigos Charles e Lawrence. A promessa de dias leves e tranquilos, no entanto, é quebrada pelas tensões que envolvem as relações familiares. Franny e Jim na verdade vivem uma crise no casamento, e cada um dos demais personagens é confrontado com seus próprios dramas, à medida que se relacionam com o outro. Com uma prosa elegante e por vezes cômica, Emma Straub envolve o leitor na complexa teia de sentimentos de que é feita qualquer família, num livro recomendado por ninguém menos que Jojo Moyes (Como eu era antes de você) e Elizabeth Gilbert (Comer, rezar, amar).


"Sylvia rolou para ficar de lado e puxou os joelhos em direção ao peito. A única janela do quarto estava aberta e por ela entrava uma brisa agradável. Sylvia tinha poucas opiniões sobre a Espanha: não era como a França, que a fazia pensar em baguetes e bicicletas, nem como a Itália, que a fazia lembrar de gôndolas e pizza. Picasso era espanhol, mas parecia francês e soava como italiano. Havia um filme de Woody Allen que se passava na Espanha mas, na realidade, Sylvia não o havia visto. Toureiros enfrentando touros? Isso era Espanha, ou não? Ela poderia ter igualmente acordado em um quarto ensolarado em algum lugar na ilha de Peoria, Illinois."

A ensolarada e quente Maiorca, na Espanha, é um destino diferente e paradisíaco, ótimo para turistas de férias. E foi para lá que Jim e Franny, um casal de meia idade de Nova York, resolveu partir, junto com seus filhos, Bobby e Sylvia, a namorada de Bobby, Carmem, e um casal de amigos gays, charles e Lawrence, por 14 dias. Tal viagem foi planejada como um presente de formatura para Sylvia, que acabara de se formar no ensino médio, mas também como uma forma de todos descansarem e de Jim e Franny tentarem resolver os problemas que surgiram em seu casamento de trinta e cinco anos, após Jim trair a esposa com uma mulher quarenta anos mais nova. Ao chegarem no local, logo descobrem as delícias de um lugar tão diferente, porém, os ânimos continuam afetados e é perceptível que há uma rachadura na relação de toda a família.

"Não fazia o menor sentido, não para Jim, mas ele não discutiria com ela. Era esse o problema de incluir Charles e Lawrence: Franny faria qualquer coisa para modificar os planos a fim de passar vinte e quatro horas por dia com Charles, pelo máximo de dias possível. Não importava que agora Charles fosse casado, ou que o restante da família estivesse presente e as férias tivessem ostensivamente a ver com passar algum tempo com Sylvia. O plano também havia sido aproveitar a viagem para comemorar o trigésimo quinto aniversário de casamento dos dois, mas essa ideia, de que a viagem seria de certa forma uma comemoração do casamento deles, agora parecia uma piada de mau gosto. Assim que Charles chegasse, Franny começaria a rir como fazia aos vinte e quatro anos e, no que lhe dizia respeito, o restante deles poderia começar a atear fogo uns nos outros. Era isso o que grandes amigos faziam: estragavam as pessoas para todos os demais. Claro que Franny teria dito que Jim já havia estragado tudo."

Conforme os dias passam, segredos começam vir à tona, reflexões são realizadas e pouco a pouco os problemas, temores, anseios  e arrependimentos de cada um começam a ser expostos, e algumas rachaduras se fecham, enquanto outras se rompem de vez, colocando pontos finais à impasses que antes pareciam sem solução, e cada um pode voltar para casa não com todos seus problemas resolvidos, mas sim com uma visão mais pura das coisas, percebendo que nada é tão simples quanto parece e que as vezes as decisões mais difíceis são as melhores a serem tomadas em determinados momentos.

"Eles haviam comprado bifes finos (Franny levou uma das mãos ao tórax, ao longo do diafragma, no balcão do açougue, mímica que pareceu dar resultado) e Jim os havia marinado em uma mistura oleosa durante toda a tarde. A churrasqueira era bastante nova, o que fez Jim resmungar. Eram os anos de uso que proporcionavam um sabor incrível, como as panelas de ferro. Ele raspou a grelha com uma escova de metal que encontrou, na tentativa de provocar algum tipo de atrito, o que melhoraria a refeição. O dia havia começado a refrescar - como o mecanismo de um relógio, um vento ocidental abria caminho por entre as montanhas todos os finais de tarde, forçando todas as crianças, salvo as mais teimosas, a saírem da piscina e se vestirem.
A casa era exatamente como Franny gostava: linda e no meio do nada. Era o tipo de mudança que costumava ter seu charme - ir para terras estrangeiras exóticas, ou para um estado imenso como o Wyoming, mas o aluguel que Franny invariavelmente escolheria sempre distaria de tudo apenas o suficiente para ser o mesmo que estar em casa, só que com um pano de fundo diferente por trás.”

 Com uma escrita fluída, cativante e um senário incrível, mergulhamos na vida de cada um dos personagens, ouvimos suas vozes, sentimos seus sentimentos e ao final, sentimo-nos como se tivéssemos acompanhado cada um deles na bela Maiorca.

"- Bem - disse ela, assim que se viu segura em terra firme -, segredos não são divertidos para ninguém. Tenha isso em mente. - Ela o beijou no rosto e encaminhou-se ao quarto, ouvindo os roncos vindos de todos os outros cômodos."





Eu adoro livros que trazem como enredos principais  tramas familiares, principalmente quando elas prometem dramas e segredos, então quando descobri esse livro, imediatamente ele foi para a minha lista de desejados. Porém, ao recebê-lo, me senti um pouco receosa devido à algumas opiniões não tão positivas que vinha encontrando, mas resolvi mergulhar de cabeça nele, e foi uma leitura muito rápida, um livro no qual eu não vi as páginas passando de tanto que ele me absorveu, e li em menos de 24 horas. No entanto, não posso chamá-lo de marcante e nem dizer que é um livro que mudou a minha vida, mas achei uma obra deliciosa de se ler, daquelas que se tivesse mil páginas, eu ainda acharia muito gostoso estar lendo. Foi um livro que me prendeu e me levou a refletir em diversos momentos, e também me fez passar por diversos sentimentos, como amor, raiva, tristeza e alegria por cada um dos personagens que nos foram apresentados durante a trama.

Quando o autor sabe como narrar e descrever os cenários, certamente a obra fica mais cativante, e esse, foi o ponto mais positivo de todo o livro para mim, pois enquanto eram descritos o calor, o sol, a praia e a Espanha, eu conseguia visualizar tudo com perfeição e até mesmo conseguia me sentir naqueles dias quentes de verão, em meio àquela família conturbada e cheia de humanidade, com defeitos e qualidades. Também, gostei de todos os conflitos encontrados, pois todos se mostraram muito reais e passíveis de acontecerem com cada um de nós, e tudo é tratado com muita realidade, sem enfeites desnecessários ou máscaras, e todos os assuntos abordados são de grande importância e reflexão. Outro ponto que me chamou atenção foi o modo de narração utilizado, que foi dividido por dias, os 14 que a família passou no local, e cada dia, trazia informações sobre todos que estavam na casa, sem que a autora em nenhum momento perdesse o foco com tantos personagens.

Porém, confesso que se o livro tivesse mais páginas, eu acharia bem interessante, pois em alguns momentos, desejei mais detalhes sobre cada conflito apresentado pelos personagens, e desejei, por vários momentos, também poder acompanhar como se tornaram suas vidas após Maiorca, mas isso se deve a meu intenso sentimento de curiosidade que aparece sempre que alguma história me cativa muito. Também, cabe destacar que não é uma obra surpreendente, ou cheia de ação, e acredito que alguns podem achá-la até mesmo entediante, mas ela é simplesmente uma história que traz como pano de fundo um senário diferente e incrível, uma família em conflitos e é também uma história que nos permite acompanhar o desenrolar de cada parte desses conflitos de perto.

É difícil definir um personagem que amei ou odiei, pois cada um deles traz uma personalidade única, que em alguns momentos nos levam a raiva, e depois, nos levam a sentimentos bons. Mas se fosse para escolher, diria que Charles e Lawrence, o casal gay, me cativaram, mais que os outros, com sua luta para adotar um bebê e com seu amor incondicional um pelo outro. Também, gostei do conflito entre Franny e Jin, com a presença de uma traição maculando um casamento bem sucedido, e os sentimentos que isso causou em cada um deles. Ainda, Sylvia, a filha adolescente, me chamou bastante atenção, pois apresenta, com maturidade, parte dos conflitos que muitos de nós passamos na adolescência, e isso foi retratado com perfeição.

O livro, narrado em terceira pessoa, traz a divisão em 14 capítulos, cada um referente a um dia passado no local. Realizei a leitura em ebook e não encontrei erros.

Recomendo esse livro para leitores que assim como eu, gostam de histórias que apresentam cenários diferentes, conflitos familiares, e fogem um pouco dos clichês românticos que encontramos por aí, e para aqueles que gostam de histórias que trazem, de certa maneira, alguns aprendizados que nos fazem refletir, com profundidade, após o virar da última página.



8 comentários:

  1. Olá Tamara, tudo bem??
    Nossa eu nem conhecia este livro... confesso que a Rocco tem me despertado o interesse em alguns livros, mas nada nesta temática rs... relações familiares, as vezes me chamam atenção, dependendo do enredo que é apresentado... este não me atraiu tanto, as que bom que a leitura pra ti, foi produtiva. xero!

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  2. Romance não é meu gênero favorito, mas até gosto de alguns que, como você mesma disse, fogem dos clichês. A sinopse e a trama me lembraram um pouco o filme Antes da Meia-Noite, do Richard Linklater. Valeu a dica, vai pra lista

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  3. Olá,

    Também gosto muito de dramas familiares, eles são sempre tão complexos e com diversas mensagens nos incentivando a sermos diferentes e tentarmos entender aqueles que têm um papel tão importante em nossas vidas. Não conhecia essa obra, mas adorei saber um pouco mais sobre ela, estou curiosa para saber o que acharei desse livro. Valeu pela dica!

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  4. Olá, tudo bem? Sima trama parece ser bastante instigante e curiosa. Também gosto de livros que trabalham dramas familiares e que pena que alguns detalhes passam sem o autor querer se alongar porque também sou muito curiosa. É muito relativo essa questão de algum livro "marcar" ou não a pessoa. Acho que essa questão vai de cada um <3 Ótima resenha!
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com.br

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  5. O Tamara! Nunca tinha ouvido falar desse livro, mas também adoro tramas familiares e depois da sua resenha com certeza vou colocar esse livro na lista! <3

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  6. Olá
    Eu só li um livro que traz tramas familiares mas achei bem legal e pretendo ler outros na mesma pegada. Quanto a esse livro,eu o desconhecia mas orla resenha que acabei de ler creio que irei amar o livro. Adorei a dica é até mais ver
    Bjs

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  7. Oi Tamara, adorei sua resenha, pois já estou com esse livro na minha lista ha um tempo e ela me ajudou a ver que é realmente algo que estou procurando, fugir dos clichês românticos, com uma trama leve porem envolvente. Obrigada pela dica. Bjs

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  8. Olá Tamara, tudo bem?

    Não conhecia o livro, mas fiquei bem curiosa em relação a história, pois a premissa é muito instigante. Também gosto de livros com dramas familiares, pois sempre tem muitos segredos envolvidos que mexem com todos os personagens. Parece ser uma obra boa, então já adicionei a listinha!

    Beijos!

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