31 maio 2017

[Resenha] A Magia da Raposa - Por Inbali Iserles



Título: A magia da raposa
[Foxcraft #1]
Autor (a): Inbali Iserles
Páginas: 272
Editora: Rocco
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Sinopse: Destemidas, solitárias, trapaceiras, pouco confiáveis... Seja em fábulas ou ditos populares, o imaginário coletivo não tem sido muito generoso com as raposas. A inglesa Inbali Iserles, uma autora premiada e apaixonada por animais, convida os leitores a conhecer melhor esses seres incríveis com a série Foxcraft, uma emocionante trilogia de fantasia protagonizada por uma raposa filhote. Isla vive nos limites das terras dos sem-pelo (os humanos) e está começando a desenvolver suas habilidades. Um dia, ao retornar para sua toca, ela está em chamas e cercada por raposas estranhas. E sua família não está em lugar nenhum. Forçada a fugir, Isla escapa para o frio e cinza mundo dos sem-pelo e é caçada por um inimigo cruel. Para sobreviver e encontrar sua família, Isla precisará dominar a antiga arte das raposas – poderes mágicos conhecidos apenas por elas – e desvendar os segredos da Foxcraft.

Isla é uma filhote de raposa que vive com a sua família, (mãe, pai, avó e irmão) em uma toca localizada em um território que fica bem próximo de onde os sem-pelo (humanos) vivem. Isla é muito feliz ali, adora passar seu tempo brincando com o irmão, Pirie, ouvindo os conselhos de sua sábia avó, sem contar que seus pais são muito carinhosos e dedicados, sempre tentam fazer com que ela e Pirie tenham a melhor vida possível. Ela não poderia querer mais nada.

"- Desde a autora dos tempos, nossa espécie é caçada: torturada, atacada e transformada em peles para aquecer o pescoço dos sem-pelo. Eles atiram em nós por diversão e nos perseguem de brincadeira, nem comem os que matam. Pelo rio da morte ou pela crueldade casual dos sem-pelo, por gás, por cachorros ou de fome. A terra dos sem-pelo é cheia de mortes, e cada uma delas sussurra o nome de uma raposa."

Até que um dia, depois de se distrair com uma mariposa, Isla desobedece aos pais e fica brincando longe da toca sozinha. Quando decide, por fim, voltar para casa, encontra a toca em chamas e sua família não está em parte alguma. Ela entrar em desespero e os procura dentro da toca e aos arredores, até que um grupo sinistro de raposas aparece e o líder ordena que a Isla seja capturada. E ela foge!

"Mal percebia o mundo que passava perto dos meus bigodes. Os prédios eram borrões. Eu só sabia de uma coisa: minha família havia desaparecido, nossa toca fora abandonada.
Eu precisava encontrá-los."

Isla consegue despistar seus perseguidores, no entanto, tarde demais percebe que foi parar no Grande Grunhido (mundo dos sem-pelo), e ali os perigos são ainda maiores. Não bastasse o canal da morte (rua), com seus monstros terríveis e incansáveis, ela ainda tem que se alimentar sem “roubar” comida de outros animais, maiores e ferozes, e, aparentemente, o grupo de raposas não desistiu de capturá-la.

"O Grande Grunhido era um labirinto encardido de cercas e passagens sem saída, de redes e cabos afiados como garras. Os sem-pelo gostavam de suas paredes.
Paredes que os mantinham lá dentro.
Paredes que mantinham os outros do lado de fora.
O Grande Grunhido estava repleto delas."

O que fazer agora para encontrar sua família? Como sobreviver em um mundo tão hostil? E o que querem com ela? Por que não param de persegui-la? Isla terá que aplicar os ensinamentos de sua avó, e, principalmente, terá que aprender que ninguém é confiável.





A palavra de ordem para escrever descrever esse livro é “fofo”. Preparem-se, vocês lerão muito essa palavra durante esta resenha. Antes de começar a falar do livro, acho que é importante dizer que se trata de uma trilogia, sendo que somente esse livro, o primeiro, foi lançado no Brasil por enquanto.


Devo confessar que eu evito ler livros e assistir filmes que falam sobre animais, simplesmente porque odeio vê-los sofrendo. Eu escolhi esse livro por trazer uma proposta diferente: é uma fantasia que tem como personagem principal uma filhote de raposa. E a autora, que também é uma amante dos animais, escreveu o livro visando tirar a má impressão que as pessoas têm das raposas. E já adianto que não me arrependi de escolher esse livro, e que agora ele se tornou um dos queridinhos na minha estante.

"Esperava me destacar nessa terra de pedra cinza, mas a maioria dos sem-pelo nem me notava. Lembrei-me de mamãe dizendo que eles têm olfato ruim, mas era mais que isso - era como se eu fosse invisível."

A autora imprimiu características infantis a Isla, nossa raposinha, o que é pertinente, tendo em vista que ela é um filhote. Ela está assustada e ainda não aprendeu a se virar sozinha, caçar para se alimentar nunca foi seu forte e agora se tornou um martírio. Ela aprende, a duras penas, que não pode confiar em ninguém enquanto procura sua família, e, tem que lidar com a falta crescente que sente do irmão de quem era muito próxima. Talvez esse vínculo único seja a chave para encontrá-lo.

"A dor havia quase desaparecido, mas nem quando mudava de posição eu conseguia ficar confortável. Nunca dormi sem ter meu irmão ao lado. Enrolei o corpo com a causa, fingindo que ela era Pirie. Fechei os olhos e tentei imaginar o calor de nossa toca. Em vez disso, lembrei-me de como a vi pela última vez, cheia de fumaça."

Aparecem outros personagens na trama, mas eu prefiro não falar neles por medo de gerar algum spoiler indesejado ou passar mais informações do que gostaria. É o que sempre digo: leias e descobrirás.

"Suas palavras ecoaram em minha cabeça. Só veio aqui para olhar os  animais presos, como os sem-pelo costumam fazer?
A cauda se enrolou junto do meu corpo. Era isso, então? Esse lugar  era um entretenimento para os sem-pelo?"

Eu simplesmente amei a narrativa da autora. Li esse livro com um sorriso no rosto e tendo ataques de fofura a cada página. O livro é escrito em primeira pessoa, através do ponto de vista de uma filhote de raposa, e tudo que ela sente tem uma manifestação física, por exemplo: “fiquei curiosa e levantei as orelhas”, ou “fiquei apreensiva e senti um arrepio na ponta da cauda”. E eu tendo ataques de fofura imaginando isso. Só digo que meus cachorros sofreram enquanto eu lia esse livro, porque eu acabava descontando neles a vontade de apertar a raposinha.


O trabalho gráfico feito pela editora foi incrível. A capa está linda, conta com orelhas e folhas amareladas, mas isso é o padrão de qualidade da editora. O que mais gostei nesse livro em específico, é que traz um mapa no início, facilitando para o leitor entender a trajetória da Isla, e, em cada início de capitulo temos uma pequena ilustração, que retrata uma cena do que podemos esperar naquele capitulo. Sem contar que as letras e os espaçamentos são bem grandes, o que torna a leitura fácil, rápida e prazerosa.


É um livro leve, doce, fofo e encantador, obviamente foi escrito visando o público infanto-juvenil, mas traz muitas lições que nós, adultos, ainda não aprendemos. Assim, o livro consegue passar essas reflexões de forma leve e divertida, sem ser um constante tapa na cara do leitor. Ademais, eu acho que os livros voltados ao público juvenil são, em regra, melhor escritos e trazem personagens mais desenvolvidos e complexos do que os livros voltados ao público adulto que li ultimamente.

"Não conseguia entender o Grande Grunhido. Alguns sem-pelo viviam em tocas com suas famílias, enquanto outros se encolhiam sozinhos na entrada dessas tocas.
Era sempre melhor estar perto da família."

Assim, indico esse livro a todos. Às crianças, jovens, adultos e idosos. Aos amantes e aos não amantes de animais. Leia com o coração aberto e prepare-se para ficar encantado(a). É aquele tipo de leitura que te deixa com a alma leve e com sensação de bem estar. Espero ter despertado a curiosidade de, pelo menos, algumas pessoas e que depois venham me contar o que acharam da leitura.




13 comentários:

  1. Olá Bárbara! Realmente apresenta ser uma história fofa. Amo livro de fantasia, mas não li nenhum onde o protagonista fosse somente um animal, principalmente um filhote de raposa. Que bom que você não se arrependeu da escolha e ele tornou-se um dos queridinhos da sua estante. Gostaria de saber mais dos outros personagens, mas spoiler são realmente chatos. Bom que amo a narrativa da autora. A capa está linda mesmo, e amo livros com mapas. "Leve, doce, fofo e encantador" tem como não querer ler um livro depois dessas palavras? Dica anotadíssima. Tomara que os outros livros da trilogia seja lançado aqui no Brasil logo. Beijos'

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  2. Ola
    Eu também já fiz essa leitura e gostei bastante, especialmente pelo lado mágico e da forma como tudo é retratado e de uma forma encantadora. Achei incrível, e uma leitura muito rápida, bem doce mesmo, sem dúvidas. Suas impressões se parecem muito com as minhas próprias. De fato, é indicado mesmo para todas as idades.
    Beijos, F

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  3. Oiiiii,

    Eu sou dessas que não tem muita pascoencia com livro que tenha animal como personagem principal, não sei dizer o motivo específico, mas gostei muito da premissa deste e da capa também rs. Realmente parece ser um leitura muito fofa, e pra deixar a gente com um sorriso no rosto durante a leitura tem q ser realmente muito bom, fora que eu estou curiosa pra saber como ela sobrevive no mundo humano e se consegue achar a família rs.

    Beijinhos...
    http://www.paraisoliterario.com

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  4. Olá!
    Aiii eu já tive ataques de fofura só lendo sua resenha. Eu morro em ver filmes e ler livros que trazem animais também, ainda mais se tiverem sofrendo. Pensa em uma pessoa que chorou horrores com "Marley e Eu" e "Sempre Ao Seu Lado"? Eu mesma! Eu sou apaixonada por raposas, de verdade. Eu acho a coisa mais linda do mundo (a começar por ser mascote do meu time do coração). Esse livro parece ser tão fofo e ao mesmo tempo uma aventura bem prazerosa de ser lida. Eu adoro infanto-juvenis, realmente trás algumas lições que os adultos ainda não aprenderam. Fiquei morrendo de vontade de ler esse livro, curiosa para saber as aventuras dessa raposinha no mundo dos sem-pelo hahaha.
    Beijos,
    Nay
    Traveling Between Pages

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  5. Ah, fiquei muito curiosa!
    Amo livros sobre animais, mesmo sabendo que vou sofrer na maioria das vezes, rs.
    Já adicionei esse também a minha lista de desejos, a capa é realmente maravilhosa e parece ser uma leitura leve! Obrigada pela dica.

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  6. Oi, Barbara!
    Gesralmente não leio histórias com animais (porque sempre são tristes, sempre alguém morre, etc. etc. etc.), mas essa parece ser uma leitura bastante proveitosa! Eu acho que essa é uma das poucas histórias que traz uma raposa como personagem principal, né? ~o que é, como você disse, uma proposta bem interessante (afinal, mudar a imagem de uma raposa é um trabalho bem legal)! Pela sua resenha deu para perceber mesmo que a história é bem leve e fofa - eu acho que, se tiver tempo, vou ler mesmo sendo uma trilogia (ando tentando fugir de séries de livros). Fiquei pensando, por ser um livro infantojuvenil, a linguagem usada pela autora (além dos detalhes dos movimentos da raposinha) deve ser bem suave também né?
    Beijos!

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  7. Oiee!!
    Não entendi a parte da "má impressão que as pessoas têm das raposas"... É sério isso? Tenho paixão por raposas desde O Pequeno Príncipe <3
    O fato da narrativa partir de uma raposa filhote me chamou muito a atenção, e consigo imaginar a fofura do livro todo rsrs
    A capa está linda, e adorei a autora ter pensado na questão do mapa também, pois sempre gosto de compreender os locais e as vizinhanças.
    Enfim, não conhecia o livro, mas vou procurar saber mais sobre ele!
    Obrigada pela dica.
    Um beijo

    www.asmeninasqueleemlivros.com

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  8. Oie! Caramba, adorei a proposta da autora ao escrever um livro com essa foco, pois nunca havia visto algo assim. Eu sou apaixonaaada por livros que contam a história ou tem como personagens principais os animais (quando a história não for triste, se não, sofro em dobro). Não conhecia o livro, mas me encantei com a proposta do enredo e fiquei louca de curiosidade para saber o que acontecerá com a Isla. Adorei isso das manifestações físicas do que ela está sentindo. ♡

    Beijos,
    Fernanda F. Goulart

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  9. Eu adoro livros cujo gênero é fantasia. Ao que me parece, esse livro ainda tem o mérito de mostrar um outro lado das raposas, que são animais fantásticos. A capa está maravilhosa, nota 10 para o trabalho do capista. Essa sua dica veio bem a calhar, pois meu sobrinho está de aniversário no dia 15 de junho. Já sei o que darei a ele de presente.

    Tatiana

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  10. Oi, Bárbara

    Não duvido que o livro seja fofo, mas não curto histórias com bichos. Assim como você, também evito coisas sobre o assunto, mas não por receio de vê-los sofrendo e sim porque não gosto. Bicho é bicho, sabe? Rss
    Não me leve a mal, eu tenho meu gatinho e amo muito ele, mas não leria uma história sobre ele! Hahahaha

    Beijos

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  11. OI!
    Eu adoro quando os autores colocam animais em histórias, mas gosto nesse estilo do livro, quando eles são fofos e tem características infantis, pois aí quero aperta-los e guardar o livro em um potinho.
    Pelo jeito esse livro é um amorzinho e tem uma história bem bacana com a raposa protagonista, com certeza vou querer ler essa série, espero que a editora traga os próximos volumes em breve

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  12. Fiquei encantada com a sua resenha, imagina quando eu puder ler o livro? Não sou de ler fantasia, mas a fofura deste enredo me deixou curiosa e acho que seria uma aventura deliciosa.
    Suas fotos me deixaram com vontade de ter um exemplar também!
    Beijos

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  13. Oii Barbara, como vai? Amei conhecer melhor esse livro. Tinha lido alguns comentários sobre ele, mas essa é a primeira resenha, e já fiquei muito interessada, pois parece ser um livro daqueles que dá quentinho no coração, de tão fofo <3 Com certeza irei ler :D Fora essa edição, que está incrível.
    Beijos!!

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