17 maio 2017

[Resenha] Extraordinário - Por R. J. Palacio



Título: Extraordinário
Autor (a): R. J. Palacio
Páginas: 320
Editora: Intrínseca
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Sinopse: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.
R. J. Palacio criou uma história edificante, repleta de amor e esperança, em que um grupo de pessoas luta para espalhar compaixão, aceitação e gentileza. Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade. Um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo o tipo de leitor.


   “Quer dizer, é claro que faço coisas comuns. Tomo sorvete. Ando de bicicleta. Jogo bola. Tenho um Xbox. Essas coisas me fazem ser comum. Por dentro. Mas sei que as crianças comuns não fazem outras crianças comuns saírem correndo e gritando do parquinho.”

Às vezes, tudo o que uma criança quer é ser notada por sua aparência. Às vezes, tudo o que ela não quer é ser notada, pelo mesmo motivo. É nessa segunda opção que se encaixa o menino August. Com apenas 10 anos de idade ele já teve de enfrentar 27 cirurgias cujos resultados foram bastante positivos, apesar de não parecer. Seu rosto extremamente deformado não pôde ser mudado, mas os problemas respiratórios, de fala e audição, por exemplo, que isso acarretou puderam ser resolvidos com muito esforço dos médicos, desde o seu nascimento. Ele sobreviveu, mesmo que tivessem dito que isso não aconteceria. Porém, o que seria um rostinho bonito de acordo com os padrões da sociedade, August, ou Auggie, como normalmente é chamado, não pode oferecer.

“Todo mundo vai ficar olhando para mim na escola -- falei, começando a chorar.
  -- Querido -- disse a mamãe. Ela se virou para trás no banco do carona e segurou minha mão. -- Você sabe que, se não quiser, não tem que fazer isso. Mas conversamos com o diretor da escola sobre você e ele quer muito conhecê-lo.
  -- O que vocês disseram sobre mim?
  -- Falamos de como você é divertido, gentil e inteligente. Quando contei que você leu O cavaleiro do dragão aos seis anos, ele disse: "Uau! Tenho que conhecer esse garoto."
  --Você disse mais alguma coisa? -- perguntei.
  Mamãe sorriu e seu sorriso foi como um abraço.
  -- Falei de todas as suas cirurgias e de como você é corajoso.”

Principalmente por conta de sua saúde bastante frágil até pouco tempo atrás, Auggie nunca frequentou a escola. No entanto, seus pais acreditam firmemente que ele está pronto para iniciar o quinto ano em um colégio de verdade e deixar de ser ensinado apenas em casa, por sua mãe. Para ele, claro, é outra história. Acostumado às caretas e exclamações de espanto das outras crianças e até adultos ao ser visto na rua, ele sabe que sua vida no ambiente escolar não poderia ser nada fácil. Inseguro e relutante, apesar disso, resolve tentar.

“Eu ia dizer mais alguma coisa, mas de repente ouvi outras vozes do lado de fora do escritório. Vozes de crianças.
Não estou exagerando: meu coração disparou como se eu tivesse participado da corrida mais longa do mundo. Minha vontade de rir passou na mesma hora.”

No dia marcado para conhecer sua futura escola e seu diretor, junto com seus pais, August é apresentado à três alunos e possíveis colegas de classe. Jack Will, Julian e Charlotte. A pedido do diretor, eles o levam para explorar o lugar. Todos são simpáticos, ou tentam ser. Horas de um jeito sincero, horas mais forçadamente. Mesmo assim, August não consegue deixar de notar os olhares chocados para seu rosto e as perguntas maldosas que vez ou outra escapam da boca de um deles. Essa foi a realidade que estendeu-se, então, pelos próximos meses. Auggie mergulhou em uma jornada de descobertas para si mesmo e, talvez ainda mais, para as pessoas que o cercavam. Ouviu comentários que o magoaram, sim, constantemente. Foi evitado e ignorado. Sentiu vontade de desistir, quase todos os dias. Mas encontrou motivos, por menores que fossem, pelos quais ele sabia que valeria a pena insistir, também. O orgulho estampado no olhar de seus pais, por exemplo, ou a força de sua irmã mais velha, Via. Aprendeu a fazer piadas daquilo que não era possível mudar e se descobriu mais feliz assim. Fez amigos, mostrou para uma porção de gente que uma boca incomum, orelhas ou um nariz diferentes não contam mais que um coração gigante e a doçura de um menino de 10 anos.


O livro é narrado em primeira pessoa, começando com o August e alternando entre os outros personagens como sua irmã, a amiga dela, Mira, Jack e outros, mostrando a visão dos fatos de acordo com cada um.





Extraordinário é cheio de pontos positivos sim, mas já que estamos falando nessa característica do livro preciso dizer que essa divisão de narradores entre os capítulos foi algo que me incomodou um pouco. Fez eu me confundir e, em vários momentos, ficar me perguntando quem é que estava falando.

Um dos pontos que considerei mais positivos foi, com certeza, a realidade retratada na história. Auggie possui uma aparência peculiar. Com gostos e vontades comuns de uma criança, claro, uma personalidade especial. Mas as pessoas nem sempre enxergam isso, ao menos não a princípio. Elas enxergam sua testa funda e seus lábios que não permitem que ele se alimente, por exemplo, de uma maneira muito bonita. Há, sim um tipo de preconceito e choque por parte da sociedade em relação a ele e o enredo não mascara isso. Do mesmo modo que não mascara o jeito de Auggie de lidar com isso. Ele é, sim, um menino corajoso. Um herói de si mesmo por tentar e tentar tanto, enfrentar tanto, com tão pouca idade. Mas em nenhum momento ele é representado como o mocinho perfeito que não pensa em desistir ou não perde as esperanças, o que eu achei simplesmente incrível. Ele chora e chora muito, sim. Faz birra. Inventa dor de barriga para faltar a escola e outras coisas. Ele é criança e, acima de tudo, ser humano.

Em relação aos personagens, ah, é impossível não se encantar com August e Via! A maneira com que ela defende o irmão mais novo dos comentários impróprios e das olhadelas preconceituosas é linda. Por outro lado, claro, ela também tem seus problemas de adolescente. Está engrenando em um colégio novo, acabou de se afastar de uma grande amiga e está, pouco a pouco, descobrindo o amor. Inevitavelmente, ela sente vontade de ser apenas a Via, não a garota que todos conhecem como a irmã do “menino esquisito”. Isso não faz com que ela ame menos o irmão e que a relação dos dois seja menos que um encanto.

É um livro pesado e leve, ao mesmo tempo. Pesado porque nos choca, sim. Me chocou. O preconceito vindo até mesmo de adultos que fazem de tudo para excluir do meio de seus filhos uma criança simplesmente porque ela não tem um rosto comum, foi algo que me deixou bem triste. Ainda assim, a leveza trazida pela forma com que as crianças vão, devagarzinho, aprendendo que August é mais parecido com elas mesmas do que parece e que dentro do garoto de aparência estranha pode estar escondido um bom amigo, é incontestável. Para mim, como leitora, foi um misto de emoção e diversão.

11 comentários:

  1. Ola
    Extraordinário é um livro que todos deveriam ler não é mesmo?! Impossível não se encantar com todos os personagens mesmo, adorei a sua resenha, especialmente para poder relembrar uma história tão especial. De fato, tem suas partes pesadas, assim como a narrativa consegue ser leve a sua maneira. Sempre recomendo muito a trama!
    Beijos, F

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  2. Olá!fiz a leitura desse livro a poucos dias e realmente ele nos choca em diversas formas.
    Crianças pequenas podem ser cruéis.mas o pior de tudo é a crueldade de adultos
    Eu sou apaixonada por este livro.eel é umas das minhas melhores leituras
    .mesmo com algumas falhas ele te toca profundamente
    O amor da irmã dele é da família foi primordial para ele conseguir vencer os obstáculos que enfrentou

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  3. Oi!
    realmente esse livro é muito emocionante.
    Eu adorei fazer essa leitura e nunca imaginei quando comprei o livro que a história seria tão intensa (bateu uma vontade de reler agora rsrsrs)
    Como voc~e disse o livro consegue chocar o leitor mostrando a origem de todo preconceito, afinal se você cresce com uma pessoa que te afasta de um colega de escola simplesmente pela aparencia dele que tipo de adulto você irá se tornar além de uma cópia do que aprendeu?

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  4. Olá!
    Estou apaixonada pela premissa desse livro, e já li muitos comentários favoráveis sobre ele, e a sua resenha me deixou ainda mais curiosa e ansiosa para lê-lo! Me parece um livro rico, e como você disse, pesado e leve ao mesmo tempo! Acredito que há uma mensagem a ser passada deixando de ser uma simples história! Me parece enriquecedor, e amo isso em livros!
    Obrigada pela dica!

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  5. Olá!

    Que resenha linda Isabela! Arrasou!

    Sempre tive muita vontade de ler esse livro, principalmente pelo tema, sei que é triste mas eu gosto de autores que abordam temas tão intensos.

    Tenho certeza que será um leitura incrível, estou louca para conhecer Auggie e principalmente sei que vou gostar dele por ser corajoso como você falou, preciso ler urgente!

    Beijos
    Jess
    www.pintandoasletras.com.br

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  6. Olá!!
    Li esse livro tem uns 3 anos eu acho e com certeza um dos melhores livros que já li,não tem como não se apaixonar por esse garotinho que nos deu uma lição de vida. Não vejo a hora de assistir logo o filme!!!
    Algumas pessoas se incomodaram um pouco mesmo com a divisão dos capitulos mas dai é só costume,quando vc se entrega na leitura isso fica imperceptivel.

    http://livroaoavesso.blogspot.com.br/2017/05/resenha-lua-de-sangue-nora-roberts.html

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  7. Eu to doida pra ler esse livro! Nunca li uma resenha sequer que não tenha sido positiva. O modo com que a obra lida com o preconceito parece ser muito bom. Basta! Acho que vou correndo comprar na livraria ainda amanhã!

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  8. Oi, eu não tive a oportunidade de ler o livro ainda, mas já ouvi e li muitas resenhas sobre ele. Já imagino o quão bom a leitura tenha sido, visto que até vai ser adaptado. Sabe o que mais gosto desses livros? O fato de mostrar pro leitor algo que é perceptivel, mas a gente não vê. Como você mesma disse, o preconceito de um adulto em relação à aparencia de uma criança deve ser algo bem complicado de engolir. Quero muito ler esse livro e espero que o filme seja tão bom quanto.


    www.porredelivros.com

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  9. Oi Isabela!

    Tudo bem? Primeiramente a sua resenha está maravilhosa (mesmo para mim que não tenho interesse no livro!). Bom acho que sua resenha foi a primeira (que eu li!) que apresentou um ponto negativo para o livro. Para ser bem honesta essa questão de intercalar narradores geralmente é um ponto positivo para mim, mas acho que se a autora não conseguir entrar na cabeça de cada um deles para descrever acontecimentos de forma diferente então imagino com vários outros personagens... Pode ser mesmo bastante confuso!

    Achei legal você ressaltar a profundidade da relação entre August e sua irmã e como a Via o defende. Gosto de livros com esse tipo de ligação entre os irmãos, acho extremamente fofo.

    Beijinhos - Jessie
    www.paraisoliterario.com

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  10. Oi, tudo bem?
    Eu li o livro muito tempo atrás e lembro que me apaixonei por ele, e também me emocionei, fico feliz em ver que o livro te conquistou. Eu estou bem curiosa para assistir o filme, pelo que vi os trailers está bem fiel ao livro. Ótima resenha!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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  11. Amo tanto este livro que só de ver a capa na sua resenha, meu coração salta uma batida. Como você bem disse, ele é pesado, mas é leve e a mensagem é tão pertinente que tem que ser leitura obrigatória na vida!!!
    Beijos

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