23 março 2017

[Resenha] Frankenstein - Por Mary Shelley



Título: Frankenstein, ou O Prometeu Moderno
Autor (a): Mary Shelley
Páginas: 304
Editora: Darkside
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Sinopse: Victor é um cientista que dedica a juventude e a saúde para descobrir como reanimar tecidos mortos e gerar vida artificialmente. O resultado de sua experiência, um monstro que o próprio Frankenstein considera uma aberração, ganha consciência, vontade, desejo, medo. Criador e criatura se enfrentam: são opostos e, de certa forma, iguais. Humanos! Eis a força descomunal de um grande texto.
Quando foi a última vez que você teve a chance de entrar em contato com a narrativa original desse que é um dos romances mais influentes dos últimos dois séculos? Que tal agora, na tradução de Márcia Xavier de Brito? Além disso, esta edição conta com quatro contos sobre a Imortalidade, em que Shelley continua a explorar os perigos e percalços daqueles que se arriscam à tentação de criar vida: “Valério: O Romano Reanimado”; “Roger Dodsworth: O Inglês Reanimado”; “Transformação”; e “O Imortal Mortal”, histórias pesquisadas e traduzidas por Carlos Primati, estudioso do gênero.
Frankenstein, ou o Prometeu Moderno é um dos primeiros lançamentos da coleção Medo Clássico — ao lado do volume de contos do mestre Edgar Allan Poe — no início de 2017. A qualidade do livro é impecável, para cientista maluco nenhum colocar defeito. Capa dura, novas traduções, ilustrações feitas por Pedro Franz, artista visual e autor de quadrinhos reconhecido internacionalmente. O livro é impresso em duas cores: preto e sangue.

Victor Von Frankenstein é um jovem napolitano filho de imigrantes suíços muito ricos. Desde pequeno teve tudo o que desejou, mas foi educado para ser um homem de bem. Cresceu, tornando-se um belo e prodigioso jovem a ser enviado para uma das melhores universidades da Europa. No entanto, duas fortes características sempre o acompanharam: uma grande fome por conhecimento e uma curiosidade maior ainda.

"Alguns milagres tornaram isso possível; contudo, as etapas da descoberta eram nítidas e prováveis. Depois de incríveis dias e noites de trabalho e fadiga, obtive êxito ao descobrir a causa da geração de vida; mais que isso, tornei-me capaz de animar matéria sem vida."

Entre inúmeros livros de filosofia e ciência, Victor, agora um estudante de ciências naturais, passa a estudar os mistérios da vida e da morte. Querendo chegar aonde ninguém jamais esteve, ele acaba criando vida com suas próprias mãos usando pedaços de outros seres humanos, dando origem a um homem, ou o que aquilo possa ser nominado, de dois metros e meio. No entanto, ao terminar sua “obra-prima”, percebe o grande erro que cometeu e acaba totalmente rejeitando sua criação, que mais tarde vem a voltar-se contra ele, que não se vê capaz de contar o mais sujo de seus segredos, acabando por colocar em risco tudo aquilo que mais preza.

"Quando enfim me convenci de que era, na realidade, o monstro que sou, fui tomado pelas sensações mais amargas de desânimo e mortificação. Ai de mim! Ainda não conhecia totalmente os efeitos fatais de minha deformidade miserável."

No amor, no ódio e na guerra, vale tudo. E Victor Von Frankenstein descobrirá do pior modo que brincar com a mãe natureza e suas filhas, a vida e a morte, pode ser um erro fatal.






No meu quarto post do Mês da Mulher, eu orgulhosamente trago um romance que com o mais sincero e absoluto mérito é considerado um dos três grandes entre os clássicos do horror segundo o igualmente grande autor Stephen King: Frankenstein, da autora inglesa Mary Shelley. Considerado por muitos o precursor da ficção científica em razão do tema abordado nesse ponto. No entanto, o romance de horror com toques góticos e românticos é muito mais do que isso e é sobre isso que pretendo falar durante a resenha.


Antes disso, porém, eu tenho que elogiar muito a edição caprichadíssima criada pela editora Darkside, que mais uma vez se supera em termos de design livreiro! Além da capa extraordinariamente linda, que mal consigo descrever com simples elogios, as páginas são levemente amareladas e a fonte para a leitura, apesar de não muito grande, remete perfeitamente ao estilo antigo de publicar. Isso sem contar as belíssimas capitulações em cada começo de capítulo e as lindas ilustrações que dão um toque magnífico à edição física. Stéfani, MUITO grata pelo resto da minha vida por me mandar essa joia da editora. A minha felicidade não podia ser descrita com palavras quando finalmente pude tê-la nas mãos e sentir o capricho com que a editora trata suas publicações. Apenas olhem as fotos e me digam: estou certa ou errada em ter um caso de amor com essa edição? (Passei vários dias só namorando o livro, -risos-.)


Além disso, a edição tem uns extras que não se pode botar defeito! O prefácio original de 1818, a introdução da edição de 1831, a terceira, consideravelmente revisada pela autora e que ainda hoje serve de base para as traduções, uma resenha escrita pelo marido da autora e publicada após a morte dele, além de quatro contos sobre imortalidade escritos por Mary depois do romance e prefaciados por Carlos Primati. Está bom assim ou querem um pouco mais?


Indo ao livro, pode-se dizer que Mary Shelley, sem saber, introduziu um dos muitos conceitos que são tão usados hoje nas produções literárias e de outras mídias, a "trama de vingança". Mas vamos tratar disso depois porque agora quero falar da história, que na sua execução é nada menos que maravilhosa apesar de profundamente triste, descompensada e carente de esperança porque vemos dois seres basicamente se destruindo à medida que a história segue.


A criatura, sem nome ou propósito definidos, desperta após ser criada e se vê em um mundo que definitivamente não a aceita bem em razão de sua monstruosa aparência. E por mais bom que ele tente ser, a verdade é que as pessoas dificilmente enxergam além da aparência nesse livro e durante a narração do próprio monstro, quando ele e seu criador se cruzam depois de tanto tempo, ele relata, com uma sinceridade muitas vezes desconcertante e incômoda, tudo o que viveu desde ter acordado para a vida, o que pode ser uma metáfora da própria Criação, com Adão e Eva sendo expulsos do Paraíso após comerem o fruto proibido, o Conhecimento. Claro que nesse caso estamos falando de um livro que foi publicado pela primeira vez em 1818 e revisado largamente em 1831, ou seja, muito do que está nele não pode ser levado com tanta intensidade hoje, porém, outras coisas podem...


Preconceito, injustiça, ingratidão, mau caratismo, falta de noção das coisas, omissão, medo. Tudo isso sendo colocado dentro do livro dos mais variados modos, desde o jeito como a criatura de Frankenstein é tratada e rejeitada até o imenso temor de Victor em contar a hedionda verdade sobre seus atos. Afinal, quem nunca cometeu um erro daqueles e não teve coragem de contar a alguém por temer a reação alheia? O problema aqui é que ele não tem ideia de como os outros vão reagir à revelação dele e ao mesmo tempo, ele não tem noção, até certo ponto da história, de que o inominado quer maravilhosamente fazê-lo sofrer, já que o considera culpado por seu infortúnio de viver de forma tão amarga. E odeia Frankenstein mais ainda quando ele desiste de construir para sua criatura uma versão fêmea para que eles possam ter uma vida longe dali. Certo, Victor podia ter compensado ele de alguma forma com isso, mas, ele se deu conta de que essa nova criatura mais a outra podiam ser um futuramente belo problema. Se isso seria, nunca saberemos.


Se bem que fica difícil achar algo positivo nesse ponto considerando os atos que a criatura comete durante o livro, movida por um desejo de vingança contra a humanidade e depois pelo cientista que o criou, tipo de trama que hoje é bem recorrente em livros e séries. Cujos exemplos são incontáveis, um deles sendo a célebre série Revenge. Até chegar a um ponto basicamente insustentável, onde é difícil achar que sairia alguma coisa realmente boa dessa nova criação e mais a junção das duas. Só que agora estou entrando no terreno das conjecturas e Mary Shelley possivelmente preferiu que ficasse assim, já que o livro suscita muitas reflexões. Até onde somos capazes de ir para descobrir coisas novas? “Limite” é mesmo só um conceito criado pela nossa mente? Quantas vezes julgamos alguém pela aparência e não nos damos ao trabalho de tentar ver além daquilo que os olhos enxergam? Será mesmo que alguém pode se tornar uma pessoa má após sofrer tanto? Ou é possível tirar alguma coisa realmente boa de tanto sofrimento?


O livro dá respostas bem possíveis para essas perguntas, mas a grande verdade é que a reflexão permanece porque sempre existirão outras opções por mais que a situação não pareça ter jeito de mudar. Porque as circunstâncias quase sempre serão diferentes nos mais variados casos. Razão pela qual Frankenstein, ou O Prometeu Moderno, é uma excelente e atemporal história, ainda hoje causando fascínio, medo e olhos arregalados em quem a lê. E dificilmente você não a lerá novamente porque sempre há algo novo a ser descoberto dentro da história. Mas isso eu deixo com vocês, garotos e garotas.


Porque aqui eu termino minhas considerações sobre o livro, mas esse post vai continuar nessa mesma hora e nesse mesmo canal falando sobre os quatro contos inseridos na edição e considerações sobre a extraordinária mulher que tornou isso possível, Mary Shelley.




17 comentários:

  1. Ola
    Eu quero muito fazer a leitura desse livro, especialmente porque gosto muito de ler a respeito de Frankenstein, e a sua resenha me deixou muito empolgada. Legal saber que há a inserção dos contos, sobre reflexões, pelo desejo de vingança e todo o fascínio que envolve essa trama. Sobre a edição, é só amor né ♥
    Beijos, F

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  2. Oi, Renata!
    Essa edição está lindíssima!!! Apaixonada por ela e as suas fotos. ^^
    A única coisa que li de "Frankenstein" foi uma história em quadrinho. Gostei bastante da edição. Dá até mesmo uma certa de pena de Frankenstein, mas seus atos são muito cruéis e a minha compaixão acabou por não mais existir por ele.
    Espero um dia ter me minha estante tão linda!!! <3
    Beijão!
    http://www.lagarota.com.br/
    http://www.asmeninasqueleemlivros.com/

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  3. Olá,

    Lembro-me que a Dark divulgou a publicação desse livro ano passado e fiquei muito curioso em fazer a leitura, agora que ela lançou e descobri que é um livro rico em detalhes eu fiquei mais curioso ainda. A sua resenha me animou bastante, ainda tem um pouco de receio com a história, pois não conheço muito sobre o Frankestein, mas acho que seria bem legal eu conhecesse pela DarkSide, adorei sua resenha e as fotos estão lindas! ♥

    → desencaixados.com

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  4. Nunca me interessei muito pela história do Frankenstein,mas essa edição da Darkside mexe muito com a vontade da gente,sem falar que citei a Mary no meu TCC,e agora talvez eu vou ter essa edição comigo em breve!

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  5. Esta é uma história que todo mundo acha que conhece, mas não conhece e eu sou uma das que quer ler este livro, para poder conhecer de verdade. A arte gráfica segue aquele padrão inatingível da Darksides e eu babei em todas as suas fotos.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  6. Oie, tudo bom?
    Eu AMO livros da editora Darkside! São sempre lindos, caprichados e com histórias maravilhosas! Mal posso esperar pra ter a coleção completinha <3
    Bela resenha, amei as fotos!

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  7. Oi Renata. :)
    Esse gênero nunca me chamou a atenção, se eu tiver algum livro nesse contexto eu abandono rs.
    Sua resenha ficou muito boa, parabéns.
    Obrigada pela visita no Blog As Meninas Que Lêem Livros.
    Bjs.

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  8. Oie
    Tudo bom?
    Ainda não tive a oportunidade de ler esse livro, mas sempre me encantei com a história e em ver como ele se arrependeu de sua criação e a vingança dessa criatura após ser rejeitado.
    Adorei sua resenha e a edição dá Darksiders é um luxo.
    Beijos

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  9. Olá!
    Não é exagero! Que edição maravilhosa!! Totalmente justificável ficar admirando essa preciosidade!
    Li sua resenha e, meu Deus, foi como estar revendo Penny Dreadful e todas essas questões! E, sendo a fã que eu sou de Penny Dreadful, estou bem motivada a lê-lo assim que houver uma oportunidade!
    São questões bem tocantes e inquietantes as que você levantou, mas só lendo para realmente tirar uma verdadeira reflexão delas ;)

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  10. Oiiii, eu sou louca para ler este livro, a história me encanta, apesar de não fazer muito meu estilo eu já tinha muita vontade de ler, agora fiquei com mais vontade ainda rs. Agora é sempre preciso ressaltar: QUE EDIÇÃO É ESSA SENHOR???? Simplesmente maravilhosaaaa!!

    Beijinhos...
    http://www.paraisoliterario.com/

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  11. Olá, tudo bem?
    Eu tenho muita vontade de ler Frankenstein, mas também tenho um pouco de medo.
    Sei que este livro é considerado um clássico e que a importância dele é inegável, mas sou muito medrosa e, por ter um toque de terror, não sei se esse livro é uma boa opção para mim.
    Sua resenha ficou ótima e me deixou ainda mais curiosa para ler. Se eu conseguir vencer o medo, com certeza lerei o livro.
    Beijos!

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  12. Oiee! Tudo bem?

    Estou louca por esse livro e todos os clássicos de Terror lançados, mas principalmente este por ter sido escrito por uma mulher! E pela sua resenha tenho certeza que irei gostar do que encontrarei na história da Mary quando eu realizar a leitura! Dica mais que anotada *--* Ps: se o seu livro sumir, já sabe quem foi! Porque essa edição está diva demais <3

    Bjss

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  13. Oie...
    Adorei sua resenha e achei suas fotos MARAVILHOSAS, mas, acho que todo mundo já deve saber que não leio livros de horror, então, acho melhor passar a dica!
    Beijos

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  14. Que livro sensacional!! A Darkside arrasa como sempre! Eu já assisto aos filmes de Frankenstein mas nunca tive a oportunidade de ler um livro sobre ele. Pelo que li da sua resenha, acho que vou adorar. Alias amei a sua resenha e amei as fotos! Me deixou com vontade de sair correndo para comprar o livro!

    beijinhos!

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  15. OIe
    ai que edição maravilhosa, eu sei a história do Frankestein mas por ouvir falar pq acho que nunca li ou vi, porém bate a curiosidade pois amo o gênero e com certeza irei pensar nesse livro

    beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  16. Olá!
    O livro tá tão lindo! A darkside sempre capricha.
    Por você ter lido esse livro, eu recomendaria uma série que conta um pouco da vida do Victor: Penny dreadfull. Bem interessante. Não só dele, mas de outros "monstros" também.
    O que não gostei muito, foi da rejeição que ele impôs a sua primeira criação. Achei até meio triste.
    Fiquei super curiosa com esse livro. Dica anotada.

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  17. Tem como não amar as edições da Darkside? Sempre tive contade de ler o livro da Mary Shelley, mas ainda não tive a chance.

    Esse livro da editora pelo jeito é rechado de coisas incriveis da autora, né? Que delicia! Suas reflexões acerca da história são excelentes. Acredito que limite é realmente só um conceito, assim como a liberdade. E no fim, é tudo resultado das escolhas feitas no decorrer da vida... ser mau ou bom, por exemplo, depende de como absorvemos as coisas e como pensamos em lidar com elas. Se aprendemos ou nos vingamos...

    Abraços!
    www.asmeninasqueleemlivros.com

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