14 março 2017

[Resenha] Casos de família - Por Ilana Casoy



Título: Casos de família
Autor (a): Ilana Casoy
Páginas: 272
Editora: DarkSide Books
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Sinopse: O assassinato do casal Richthofen e de Isabella Nardoni foram reunidos em um só livro e trazem novos detalhes observados por quem estava nos bastidores. A criminóloga Ilana Casoy, em CASOS DE FAMÍLIA: ARQUIVOS RICHTHOFEN E ARQUIVOS NARDONI, abre pela primeira vez seus cadernos de anotações utilizados durante a pesquisa na Polícia Civil, Científica e Ministério Público dos dois crimes, tudo isso com a qualidade quase psicopata de edição, uma marca registrada de todos os títulos da DarkSide® Books.
Em “Arquivos Richthofen” o leitor vai acompanhar o comportamento dos três assassinos — as contradições e os erros decisivos; a distância de Suzane ao relatar os fatos, o descontrole de seu namorado Daniel na reprodução simulada do crime, os depoimentos e técnicas de investigação da polícia, dos médicos legistas, peritos e especialistas, que não deixaram outra alternativa aos culpados que confessar os assassinatos brutais. A grande novidade fica por conta da transcrição inédita do emblemático debate entre acusação e defesa, com o objetivo de oferecer os detalhes do julgamento nunca publicados.
Em “Arquivos Nardoni” o mergulho é em um dos casos criminais mais polêmicos já ocorridos no Brasil, que contou com um qualificado trabalho da polícia técnico-científica — única “testemunha” do crime. Ilana reconstrói os cinco dias do julgamento de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella de Oliveira Nardoni, condenados pelo assassinato dela. A autora foi colaboradora do Ministério Público, que, com a ausência da confissão dos réus, trabalhou com provas periciais irrefutáveis para confrontar a versão do casal no tribunal do júri.

Por que crimes familiares mexem tanto com nossos sentimentos? Será que por ferir um dos mandamentos de Deus ficamos mais suscetíveis? Mas, por que justamente os casos dos Von Richthofen e dos Nardoni tiveram comoção nacional, enquanto tantos outros casos parecidos que também ocorreram na mesma época não foram visados? Será que fomos influenciados pela mídia a achar que esses crimes foram mais importantes daquela época, que até mesmo hoje, quase 17 anos depois, ainda causa comoção? Qual nosso papel como sociedade diante de tais acontecimentos?


Essas foram algumas questões que obtive ao ler Casos de família escrito por Ilana Casoy e publicado pela Darkside Books. Confesso que ainda não obtive essas respostas, mas só de saber que essa consciência fora despertada dentro de mim, de alguma forma me consola e se torna gratificante.


É extremamente raro alguém que em 2002 possuía no mínimo 10 anos não tenha conhecimento do crime dos Richthofen, e o mesmo vale para os Nardoni. A comoção da mídia foi gigantesca, eram matérias e mais matérias estampadas em jornais e revistas mostrando o que estava acontecendo, fora os inúmeros programas de TV que dedicaram programas inteiros para dissecar os acontecimentos. Mas porque esses casos em especial atraíram tanta atenção das pessoas, ao ponto de se envolverem psicologicamente ao desenrolar de tudo. No caso de Suzane fora simplesmente saber que a jovem filha planejou e ajudou executar a morte dos pais de forma cruel sem demonstrar o minimo sentimento, e mesmo após assumir o crime, na reconstituição da cena, enquanto o namorado e cunhado estavam a beira de desespero ela estava fria como sempre fora.


Casos de família é um livro extremamente denso e difícil de ler. Dividido em duas partes, temos primeiramente o "Arquivos Richthofen" onde a autora trás de forma minuciosa todo o caso da Suzane e dos irmãos Cravinhos. Logo de início temos dramatização da noite do crime e foi impossível não sentir certo arrepio com as atitudes frias e calculadas da Suzane. Os pais estavam dormindo, e como a própria Ilana nos fala, não tinha razão para eles trancarem a porta do quarto pois é impensável que teriam que se proteger da própria filha. Já nessa dramatização pude perceber algo sobre a escrita da Ilana Casoy, a forma como ela escreve nos induz a sentir exatamente aquilo que ela deseja, desde raiva a desconforte, é notável o controle que ela tem sobre o leitor, e essa impressão se desenrolou por todo o livro, se é algo positivo ou negativo, ainda não consegui me decidir.


A dinâmica desse caso é um pouco diferente porque os envolvidos foram réus confessos, bastou somente a condenação e a defesa tentar uma pena menor. Mas não se enganem, é muito interessante ver todo o desenrolar da acusação desde o processo original, necropsiaria, reprodução simulada, depoimentos, e por fim, a condenação. É um livro que trás um amplo acervo de pesquisa com várias fotos da reconstituição dos fatos e tudo o que fizeram para confundir a polícia sobre o que de fato aconteceu naquela noite. Algo que notei depois de ler todas as informações, foram as atitudes totalmente opostas dos irmãos Cravinhos e da Suzane. Na própria reprodução simulada temos algumas fotos e lá percebemos os semblantes desesperados dos irmãos sabendo que deveriam mostrar exatamente o que fizeram, enquanto Suzane permanece alheia a seu redor. Muito do que absorvi do caso me fez lembrar as atitudes de Rhoda, do livro Menina má, também publicado pela DarkSide Books. Não vou dizer que Suzane é psicopata como a pequena Rhoda, mas sim que suas atitudes frias e calculistas são muito parecidas. Depois de tudo isso, me lembrei ainda da vez que saiu nos jornais que ela fora instruída a chorar para conseguir absolvição pelo júri popular, e isso é uma óbvia manipulação, que felizmente, não surtiu nenhum efeito.


Já na segunda metade do livro conhecemos o "Arquivos Nardoni" e ao contrário do caso Richthofen, Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá mantém sua posição de inocência do começo ao fim. Ilana Casoy também trás uma dramatização do crime e logo depois já caímos no julgamento que foi basicamente uma luta entre acusação e defesa. Confesso que foi a parte mais cansativa do livro pois é usado vários termos técnicos, e para alguém leigo, foi bem difícil entender algumas coisas. Já aqui não me senti impulsionada a ler rápido, absorvi as coisas com calma e de longe a parte que mais gostei foi da pericia. Mostra como foi coletado provas, a forma como o crime aconteceu baseado na cena e vestígios que passariam despercebido a olhos comuns, até por fim, a condenação.


Não vou negar, Casos de família é um livro muito cansativo e impossível de se ler uma sentada só. É um livro difícil e por diversas vezes complicado, mas o que mais gostei foi poder ver os bastidores dos casos. Conhecemos tudo pelos olhos da mídia e da manipulação que foi feita, então saber exatamente como tudo se desenrolou foi bem interessante. Algo que considerei um ponto extremamente positivo foi saber como um caso de assassinato é tratado pela justiça brasileira. Sou fã de séries como CSI, e adoro ver o desenrolar das investigações que reconstroem tudo até chegar ao assassino, mas não fazia ideia de como isso acontecia aqui no Brasil, de certa forma, essa informação acrescentou algo a mais na minha vida.


Outro ponto positivo na leitura são as questões reflexivas que Ilana Casoy propõe ao leitor. Lembra as perguntas que fiz lá no começo, pois então, algumas delas foram feitas pela própria autora o que me levou a questionar ainda mais o entorno a qual vivemos. Também tive certeza desde o começo que a autora sabia o que estava falando, ela é criminologista e tem experiência no assunto, então é bem real a forma com que ela coloca no papel os acontecimentos, e por isso chego acreditar que ela tem domínio sobre o que leitor deve ou não sentir.


O projeto gráfico do livro foi outro ponto extremamente positivo. Ele é bem dinâmico e trás diversas fotos, fluxograma, mapa do júri, imagens da reprodução simulada, fotos do caderno de anotações da Ilana Casoy, etc... A capa do exemplar também ficou bem criativa onde simula a capa de um caderno de arquivo nos dando a impressão de ser algo mais técnico e profissional, assim como de fato a estória pede. Mais uma vez, um trabalho de muita qualidade da DarkSide Books.



No geral Casos de família é um livro que vale muito a pena de ser lido. Seja para conhecer o bastidores do caso que causou tanta comoção no público, como também simplesmente para saber como a justiça brasileira funciona em crimes de assassinato. Como disse, é uma leitura lenta, talvez arrastada em algumas partes, mas o saldo de conhecimento que adquirimos ao final da leitura é tão positivo que esses fatores pouco importam. 

10 comentários:

  1. Olá, Stéfani!
    Confesso que o livro me chama mais a atenção pela edição que pelo conteúdo. Mas, curioso como sou, provavelmente irei compra-lo.
    Só achei que se tratavam de mais casos, e não só desses que foram tão saturados na mídia. Espero me surpreender!

    Abraço, http://lupiliteratus.blogspot.com.br/

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  2. Mulher adorei sua resenha, muito bem escrita e com observações importantes e relacionadas as dúvidas que eu tinha sobre o livro.
    Agora quero ele mais ainda! Parabéns!

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  3. Olá
    Nossa ler esse livro deve ser bem tenso mesmo. Lembro - me muito bem de ambos os casos e nem sei dizer qual foi ou se teve um pior. A livro está lindo e pretendo tê -lo na minha coleção Dark.
    Beijuh

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  4. Olá, Sté.
    Pelo visto é um livro bem forte. Acompanhei um pouco dos dois casos e foram crimes que chocou o país.
    O bom de ler esse livro é para conhecer mais a mente dessas pessoas e o que levaram elas a cometerem estes atos.
    Adorei a capa do livro, como sempre a Dark arrasando. Ótima dica de livro!

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  5. Olá Sté,
    Estou louca para ler esse livro - e qualquer outro da autora, confesso - mas ainda não tive oportunidade. Gostei muito da sua resenha e achei interessante você ter ressaltado que o livro é cansativo e impossível de ler numa sentada só. Aliás, essa ideia eu já tinha.
    Como confio em você e não tenho dúvidas que esse livro vale a pena ser lido, vou anotar a dica.
    Beijos

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  6. Também sou fã de CSI e gosto de conhecer os bastidores de casos famosos. Mas achei que os termos técnicos de reprodução do julgamento realmente cansam o leitor leigo. Eu, particularmente, gostaria de ver um anexo ao final do livro com outros casos além dos 2 citados, mesmo que por alto. Sobre a edição da DSB, bem... Como dizer que não é impecável? Espero poder conferir o livro pessoalmente!

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  7. Oi Ste, tudo bem?

    Acredita que um dia estava conversando com minha amiga que ttinha vontade de ler um livro com os maiores crimes televisionados pela mídia do país. Ao ler sua resneha fiquei com a certeza de que esse é o livro que necessito. Eu amo histórias com um fundo jornalístico, pois são sempre completas e nos apresentam diversas visões. A edição da Darkside está linda, como sempre! Apenas necessito desse livro. Excelente resenha!

    Beijos!

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  8. Olá... tudo bem???
    Sinceramente nem sabia que tinha esse livro, a capa é bem bonita e acredito que seja bem condizente com o tema abordado. Nunca tive a curiosidade de ler algo neste estilo mais técnico... eu ouvi falar muito dos dois casos, mas os do Nardoni foi o que mais me chocou... existem muitos casos acontecendo diariamente, mas nem sempre a mídia pega algo para ser mostrado... sabe-se se lá como essas coisas realmente acontecem para chegar no jornal e repercutir da maneira que acontece. Enfim... mesmo que a história tenha sido cansativa, eu te dou os parabéns por ler um livro técnico deste tamanho. Xero!

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  9. Oi Sté,
    Menina, que barra, esse livro deve ser bem pesado mesmo, os casos em si foram terríveis, mas sua pergunta me fez questionar... Realmente, muitos filhos já mataram os pais assim como pais mataram seus filhos, mas nenhum dos casos fez tanto barulho.. Porque? Enfim, eu também amo seriados policiais e acredito que me daria bem com a leitura, mas por ser uma coisa real, eu ia ficar numa bad terrível kkkkk.
    Drak como sempre dando um show em edições.

    Beijokas

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  10. Olá!
    Estou louca pra ler esse livro há um bom tempo!
    Adorei sua resenha e as fotos!
    Espero ter a oportunidade de ler em breve <3
    Beijos

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