10 março 2017

[Resenha] As espiãs do dia D - Por Ken Follett



Título: As Espiãs do Dia D
Autor (a): Ken Follett
Páginas: 448
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Segunda Guerra Mundial. Na fúria expansionista do Terceiro Reich, a França é tomada pelas tropas de Hitler. Os alemães ignoram quando e onde, mas estão cientes de que as forças aliadas planejam libertar a Europa. Para a oficial inglesa Felicity Clairet, nunca houve tanto em jogo. Ela sabe que a capacidade de Hitler repelir um ataque depende de suas linhas de comunicação. Assim, a dias da invasão pelos Aliados, não há meta mais importante que inutilizar a maior central telefônica da Europa, alojada num palácio na cidade de Sainte-Cécile. Porém, além de altamente vigiado, esse ponto estratégico é à prova de bombardeios. Quando Felicity e o marido, um dos líderes da Resistência francesa, tentam um ataque direto, Michel é baleado e seu grupo, dizimado.
Abalada pelas baixas sofridas e com sua credibilidade posta em questão por seus superiores, a oficial recebe uma última chance. Ela tem nove dias para formar uma equipe de mulheres e entrar no palácio sob o disfarce de faxineiras. Arriscando a vida para salvar milhões de pessoas, a equipe Jackdaws tentará explodir a fortaleza e aniquilar qualquer chance de comunicação alemã – mesmo sabendo que o inimigo pode estar à sua espera. As espiãs do Dia D é um thriller de ritmo cinematográfico inspirado na vida real. Lançado originalmente como Jackdaws, traz os personagens marcantes e a narrativa detalhada de Ken Follett.

 "DIETER ESTAVA PERPLEXO. Quando o confronto perdeu força e seu batimento cardíaco começou a voltar ao normal, ele se pôs a refletir sobre o que tinha visto. Jamais imaginara que a Resistência francesa fosse capaz de uma investida tão bem planejada e tão meticulosamente executada. De acordo com o que aprendera nos últimos meses, acreditava que os ataques daquela gente não passavam de uma provocação rápida seguida de fuga. Tinha sido a primeira vez que ele os via em ação. Os franceses estavam muito bem armados e, pelo visto, não careciam de munição - ao contrário do Exército alemão. Pior de tudo, haviam demonstrado uma coragem inacreditável. Dieter ficara impressionado com o sujeito que atravessara a praça com seu fuzil em punho, com a moça que lhe dera cobertura com uma submetralhadora Sten e, sobretudo, com a loirinha que, vendo-o ferido, carregara nas costas um homem pelo menos quinze centímetros mais alto que ela. Pessoas assim representavam uma inegável ameaça à ocupação alemã. Não eram como os criminosos com os quais ele lidara antes da guerra, quando trabalhava na polícia de Colônia. Criminosos eram burros, preguiçosos, covardes, toscos. Aqueles resistentes franceses eram guerreiros."


Em 1944, às vésperas do dia D, alguns agentes ingleses e membros da resistência francesa se reuniram para explodir o castelo de Sainte-Cécile, um lugar utilizado pelos alemães, onde concentravam todo o seu sistema de telefonia e era de onde partiam as comunicações diretas com Berlim. A destruição desse local traria uma série de prejuízos para os alemães, mas infelizmente informações erradas fizeram com que os agentes imaginassem que a segurança do castelo estava desprotegida, quando na verdade se mantinha forte. Passada a ocasião fracassada, com muitas mortes de membros da resistência, o dia D vinha se aproximando e Felicity, mais conhecida como Flick, a agente responsável pela operação, tem uma ideia súbita e arriscada: reunir várias mulheres e entrar no castelo disfarçadas de faxineiras, para executar o serviço antes do grande dia.

"- Só você poderia encabeçar essa nova operação. Mas a viagem da qual acabou de voltar deve ser a sua última, Flick. Você sabe demais. Faz dois anos que está nesse vaivém. Teve contato com a maioria das células da Resistência no norte da França. Se for capturada, pode entregar todas elas. Não temos condições de correr esse risco.
- Eu sei - disse Flick, séria. - É por isso que sempre ando com uma pílula suicida."

Depois de muita dificuldade para convencer seus superiores devido ao fracasso anterior,  Flick finalmente consegue a autorização para executar o plano, e precisa, em menos de uma semana reunir mulheres especialistas em explosivos, atiradoras, engenheiras, e treinar a todas, para tentarem ser bem sucedidas na operação ou prepará-las para morrerem por seu país. E em uma operação arriscada, cheia de imprevistos, encontros nos quais quase são pegas e  dentre outros riscos que correm, chega o grande dia e as mulheres precisam tentar dar o melhor de si para serem as responsáveis por uma grande conquista e para  contribuírem com o sucesso do dia D.

"Ninguém está certo o tempo todo, mas, numa guerra, quando um líder se engana, pessoas morrem. Uma verdade difícil de engolir. Mesmo sabendo disso, Flick deu asas ao pensamento na esperança de encontrar algum consolo, algo que pudesse fazer para que o sacrifício daquelas pessoas não tivesse sido em vão. Talvez conseguisse transformar aquela derrota no primeiro degrau rumo a uma vitória posterior."

Com sua escrita cativante, que já  é conhecida, Ken Follet mais uma vez nos insere no ceio da segunda guerra mundial e nos apresenta à personagens fortes, intrigantes e que parecem ser reais através de um enredo espetacular.

"Eis a minha equipe, ela pensou com seus botões: uma sirigaita, uma assassina, uma arrombadora de cofres, um transformista e uma aristocrata sem sal. Faltava uma, notou: Diana ainda não dera as caras, e já eram sete e meia."





Há muito tempo que me tornei uma grande fã de Ken Follett, desde que conheci o maravilhoso Os pilares da terra, e a trilogia O século, escritos por ele, e me tornei ainda mais fã conforme fui acompanhando seus outros lançamentos. Assim que saiu As espiãs do dia D, em 2015, logo adquiri o livro, mas por um motivo ou outro o deixava parado, e nunca lia, apesar de todos elogiarem muito. Até que desejosa de ler algo sobre guerra, resolvi abri-lo, e me vi mais uma vez envolvida, encantada e presa por uma obra tão intrigante e cheia de detalhes que fazem toda a diferença.

Inicialmente, o fato de aliar fatos reais com os fictícios, torna o livro ainda mais intrigante, porque acabamos não sabendo o que realmente aconteceu e o que o autor criou, mas o tempo todo nos sentimos como se estivéssemos vivenciando tudo o que está sendo narrado e descrito ali. Ainda, durante a leitura, me senti aprendendo um pouco mais sobre como funcionava a resistência francesa, bem como a Executiva de Operações Especiais, que era uma organização que fazia sabotagens, e as torturas, tristezas e descrições do que os alemães cometiam com aqueles que eram pegos são extremamente bem construídas, nos dando todo um panorama da época. Também, cada personagem foi construído com personalidades marcantes e de modo que nos afeiçoamos a eles e em alguns momentos temos uma gama de sentimentos em relação a cada um, desde o amor até o ódio. O cenário também é incrível, e pude imaginar com perfeição todos os lugares descritos.
Sinceramente não consigo encontrar pontos negativos para destacar, mas creio que os leitores que não gostam de obras relacionadas a guerras podem se sentir incomodados com essa aqui, pois ela se passa no auge da segunda guerra mundial.

Em relação aos personagens, Flick,  a majór, é uma mulher extremamente admirável, daquelas que elegemos como grandes divas da literatura, uma vez que ela é destemida, forte, durona e ao mesmo tempo não perde a sua fragilidade e os seus desejos de mulher. Também fiquei encantada por Paul, um americano envolvido com a executiva de operações especiais, que a princípio, se torna o superior de Flick, mas logo também vem a ser um grande amigo, e foi um personagem que tira em alguns momentos o foco do horror da guerra e apresenta um foco no amor que nunca é esquecido, mesmo nos momentos tensos. Também achei muito bom o fato de conhecermos de perto os membros da resistência francesa e seus papéis, pois mesmo que esses tenham sido fictícios creio que através deles foi possível vermos a ação de muitos que existiram de verdade.

O livro se passa em um período de tempo curto, começando no dia 28 de maio de 1944 e passando dez dias, e apesar de ser uma obra grande e ter o espaço temporal bastante restrito, suas páginas são repletas de ação, suspense e  em nenhum momento a obra se torna cansativa. Além disso, o livro é dividido em 53 capítulos de um tamanho razoável, e a narração foi realizada em terceira pessoa, e infelizmente encontrei alguns erros no ebook, que no entanto, não foram prejudiciais durante a minha leitura.

Cabe destacar também que esse livro já foi lançado aqui no Brasil, porém com o título de Jackdaws, mas, em 2015 a editora Arqueiro trouxe novamente a obra, com nova tradução e nova capa, assim como tem feito com a maioria dos livros do autor.
Recomendo essa obra para os fãs de Ken Follett, ou até mesmo para aqueles que não o conhecem, pois ele é um autor extraordinário, que nos prende da primeira à última página e nos faz passar noites insones lendo, a fim de descobrir o destino dos personagens e da história.

11 comentários:

  1. Oi Tamara,
    Cada vez mais eu ficou louca para ler os livros desse autor. Principalmente pelo embasamento histórico que ela traz.
    O fato de ser um livro grande em um curto espaço de tempo assuntou, mas ainda bem que você ressaltou que as páginas são cheia de suspense e ação. Assim o livro não acaba sendo muito detalhista sem necessidade.
    Gosto muito de história ambientadas na segunda guerra então acho que esse será um prato cheio.

    Bjs,
    Garotas de Papel

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  2. Oi,
    Eu já li esse livro como outros de Ken Follett, gosto muito da escrita dele. Agora, o que me desmotiva, hoje, a solicitar os livros na parceria com a editora, é quantidade de páginas e o prazo para resenha, pois, a escrita dele exige atenção do leitor, cuidado. Para mim enquanto leitora, acho ótimo, mas para parceria, acho complicado. Eu concordo com você, a cereja do bolo, no caso, do livro, é atrelar fatos reais e fictícios.

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  3. Nossa, ótima resenhaa!!Já estou com vontade de correi na livraria pra comprá-lo!

    Adorei o blog, vem conhecer o meu: https://modelacomela.com

    Bjbj

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  4. Oie! Tudo bem?

    Ainda não tive coragem de ler algum livro do autor, todos falam muito bem de suas obras e principalmente por ele colocar fatos reais em uma história fictícia, mas o tamanho deles me desanima um pouco, como não sei como é a narrativa das histórias, por enquanto não me arrisquei, mas quero muito ler algo dele algum dia!

    BJss

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  5. Oiii tudo bem??

    Nunca li Ken Follett, estou sempre ensaiando. Mas um dia chego ao final e consigo.
    Adorei sua resenha, e acredito que adoraria ler. Vou anotar a dica, pois adoro essa mistura de ficção com a realidade.
    Bjus Rafa

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  6. Nunca li nada do autor e me sinto morando embaixo de uma imensa e pesada pedra, por ainda não poder opinar sobre seus livros com alguma propriedade. São tantos elogios e tantos admiradores que a sensação de estar perdendo alguma coisa importante é muito forte. Adorei sua resenha e anotei a dica e espero que em breve eu possa sair da caverna da ignorância e poder ler alguma coisa deste autor tão amado e elogiado.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  7. Ola
    Ainda não li nada desse autor, mas ele está na minha lista, especialmente porque já li bons comentários a respeito de suas obras, assim como em sua resenha. A premissa parece ser ótima e eu realmente fiquei curiosa quanto ao desenvolvimento diante do gênero.
    Beijos, F

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  8. Oi!
    Ken Folett está na minha lista dos autores não lidos, mas que em breve pretendo ler, tendo em vista o tamanho sucesso que seus livros fazem e quantidade de leitores que falam muito bem.
    A história desse livro parece ser excelente, e me chamou muito a atenção por focar em uma personagem feminina forte. Adoro quando é dado destaque à força e poder da mulher, pois ainda sinto falta de livros assim na literatura atual.
    Pela sua dica de que o livro prende do início ao fim, pretendo ler a obra com certeza!
    Beijo :*

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  9. Oi, Tamara!
    Uma amiga gosta da escrita do autor, mas confesso que não faz meu estilo. :/ Acho que nem tanto pelo livro ser ambientado na guerra, mas por ser extenso e com uma leitura mais densa e arrastada. Quem sabe um dia eu consiga ler algum livro do autor? Com a sua empolgação com o livro, não posso deixar de ficar com vontade de ler algo dele. ^^
    Obrigada pela dica!
    Beijão!
    http://www.lagarota.com.br/
    http://www.asmeninasqueleemlivros.com/

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  10. Já ouvi falar muito de Ken Follet mas não tive a oportunidade de ler nenhum livro dele ainda, porém esse livro me interessou muito, muito mesmo! Já o adicionei na minha lista do skoob e logo vou procurá-lo. Juntar segunda guerra e mulheres fortes com certeza deve ter gerado uma história incrível.

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  11. Oi, tudo bem? Ainda não conferi essa obra e nem nada do autor, mas livros com guerras como plano de fundo me atraem bastante e instigam a minha vontade de ler. Sua resenha está muito boa e consegue empolgar quem a lê, ainda mais dizendo que o autor é extraordinário. Vou anotar a dica, beijos.

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