22 fevereiro 2017

[Resenha] Crave a marca - Por Veronica Roth



Título: Crave a marca
[Crave a marca #1]
Autor (a): Veronica Roth
Páginas: 480
Editora: Rocco
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Sinopse: Num planeta em guerra, numa galáxia em que quase todos os seres estão conectados por uma energia misteriosa chamada “a corrente” e cada pessoa possui um dom que lhe confere poderes e limitações, Cyra Noavek e Akos Kereseth são dois jovens de origens distintas cujos destinos se cruzam de forma decisiva. Obrigados a lidar com o ódio entre suas nações, seus preconceitos e visões de mundo, eles podem ser a salvação ou a ruína não só um do outro, mas de toda uma galáxia. Primeiro de uma série de fantasia e ficção científica, Crave a marca é aguardado novo livro da autora da série Divergente, Veronica Roth, que terá lançamento simultâneo em mais de 30 países em 17 de janeiro, e surpreenderá não só os fãs da escritora, mas também de clássicos sci-fi como Star Wars.

Cyra e Akos não possuem nada em comum, a não ser que moram no mesmo planeta e mesmo isso não pode ser levado em consideração já que ela é uma shotet e ele um thuvhesitas, duas raças que se odeiam vivendo no mesmo planeta. Os thuvhesitas são o povo oficialmente reconhecido pela Assembléia, e, constantemente, os shotet tentam dominá-los de modo a mostrar sua soberania.

"Corações frágeis fazem valer a pena viver neste universo."

Akos vem de uma família afortunada o que gera grande preconceito em meio ao seu povo visto que as profecias são destinados a eles. Tudo estava indo bem até que os oráculos profetizaram as fortunas para as famílias. Seu irmão Eijeh seria o próximo oráculo e Akos possuí a infeliz fortuna de morrer servindo a família Noavek, família no qual faz parte da raça que odeia seu povo. Assim, Akos e Eijeh são capturados e levados para viver entre seus inimigos, e ele com apenas quatorze estações, foi obrigado a virar um guerreiro shotet.

"- A terceira criança da família Kereseth – leu Ryzek em othyriano, a língua mais comum da galáxia. De alguma forma, ouvir a fortuna no idioma em que foi anunciada soava mais real para mim. Imaginei se Akos, estremecendo a cada sílaba, sentia o mesmo. – Morrerá a serviço da família Noavek."

Cyra é filha do tirano e soberano shotet. Apôs a marte do seu pai, Ryzek Noavek, seu filho mais velho assumiu o posto. Ele fora treinado para ser igual ao pai, e não mede esforços para conseguir aquilo que deseja, nem que pra isso tenha que usar sua irmã como arma. Cyra teve seu dom da corrente desperto muito cedo, e ao contrário da maioria das pessoas, seu dom é mortal. Apenas um toque da jovem faz com que a mais forte das pessoas sucumba a uma dor insuportável, o dom não é nocivo apenas para aqueles lhe tocam, mas também para a própria Cyra que sofre diariamente.

"- Cyra, este é Akos Kereseth. A terceira criança da família Kereseth. Nosso… - Ryzek abriu um sorriso afetado. – Servo fiel.[...]
[...]- Eu interrompo a corrente. - Sua voz era surpreendentemente grave para alguém de sua idade, mas falhava, como era de se imaginar. - Não importa o que ela faça. - O dom da minha irmã é importantíssimo, Kereseth – disse Ryzek. - Mas, nos últimos tempos, perdeu a maior parte de sua utilidade pela forma que a incapacita. Para mim, parece que dessa forma você poderá cumprir melhor sua fortuna. – Ele se inclinou para falar ao ouvido de Akos. – Claro, você nunca deve esquecer quem realmente manda nesta casa."

Akos também teve seu dom da corrente manifesto apôs estar vivendo com os shotet. Ele possuí o dom de interromper o fluxo da corrente, e assim, Ryzek faz com que Akos fique perto de Cyra parando o fluxo da irmã e  evitar as dores que lhe impedem de fazer aquilo que ele deseja. Mas Akos tem outros planos, ele pretende salvar seu irmão das garras de Ryzek, e com a ajuda Cyra,talvez possa obter sucesso.




Veronica Roth se consagrou como escritora através da trilogia Divergente, também publicado aqui pela editora Rocco. Quando acabou a trilogia muitos se perguntavam quanto tempo demoraria para a autora voltar a escrever, mas logo tivemos a notícia que Crave a marca estava a caminho. Tornei-me fã de seu trabalho, mas confesso que tinha grandes reservas com o que ela poderia trazer nessa nova trilogia, mas é com alegria que falo que não poderia ter sido melhor surpresa.

"- Encontre outra razão para continuar - aconselhei. - Não precisa ser boa ou nobre. Precisa apenas ser uma razão."

Aqui acompanhamos primeiramente a trajetória de Akos e toda sua vontade inesgotável de salvar seu irmão que aos poucos tem perdido a própria essência em prol de um tirano. Quando digo vontade inesgotável é no mais fiel sentido da palavra, pois Akos é incansável, ele pensa a todo instante em formas e esquemas que façam com que Eijeh tenha a liberdade que tanto merece. Vemos um menino acanhado e cheio de inseguranças se tornar um homem forte, determinado e muito corajoso. A evolução que Akos tem ao decorrer da estória é tão nítida que chega á ser notado pela própria Cyra.


Ela por sua vez é uma jovem que é usada como arma por aqueles que deviam amá-la, isso gerou um endurecimento e amadurecimento prematura na personagem. Cyra foi por diversas vezes mal-humorada e um tanto quanto ácida, mas se coloquem em seu lugar, a todo instante ela recebe ondas fortíssimas em sua pele que geram muita dor no qual foi obrigada a conviver desde criança, vendo por esse lado até mesmo euzinha iria ficar amargurada. Vemos através de seu ponto vista as circunstâncias que fizeram com que ela despertasse o dom incomum, e também vemos seu endurecimento para sua proteção.


Algo que tem sido duramente criticado por grande parte dos leitores foi o fato do preconceito explicito que tem na obra, mas não vi nada de gritante e até mesmo acho que grande parte daqueles que reclamaram não entenderam o que a autora quis passar, foi totalmente proposital e até mesmo uma alfinetadinha para os leitores. Cyras e Akos tem um senhor preconceito um pelo outro simplesmente pela raça, mas o legal disso tudo foi a autora mostrar que ao se conhecerem eles se tornam amigos, e gostei muito dessa transição, e, deles mesmos caindo em si que já não pensavam mais da mesma forma e até mesmo poderia ali existir atração.

"- Honra - falei, bufando.– Não há lugar para honra na sobrevivência."

Outra coisa que achei fantástica foi a forma com que foi explorada as duas culturas. Tudo foi muito bem desenvolvido e a autora nos mostrou um mundo sensacional. Vemos primeiramente a forma como os thuvhesitas vivem e suas crenças, e após Akos ser capturado, vemos como os shotet vivem. Cyra mostra e explica como as coisas funcionam onde foi desde uma festa típica até a "peregrinação" que o povo faz através do universo seguindo a corrente. Também gostei da construção dos personagens secundários, todos tiveram seu espaço e importância na estória, ninguém ficou sem proposito ou utilidade. O destaque vai para o irmão tirano da Cyra, podemos ver toda sua crueldade e sede de poder. Confesso que demorei um pouco pra "engrenar" na leitura justamente por esses elementos, é tudo muito novo e com nomes difíceis de pronunciar, mas que com o pequeno dicionario que trás ao final do livro, tudo pode ser encaixado e entendido.

"- O dom de uma pessoa vem de quem ela é - disse Ryzek.- E ela  é o que o passado fez dela. Pegue às lembranças de uma pessoa e tomará o que a faz ser quem ela é. Você pega seu dom. E por fim..."

Como ponto negativo da estória destaco a narrativa. Veronica é fantástica em sua escrita, mas o livro possuí a narrativa de Cyra em primeira pessoa, e de Akos na terceira pessoa, isso quebrou totalmente o ritmo de leitura pois quando já estava acostumada lá entrava um capitulo em terceira pessoa e depois voltava em primeira. Não sei por que foi feito dessa forma, pois só mostra mesmo o ponto de vista do Akos quando está em terceira pessoa. Outra coisa foi a lentidão do começo da estória. Até a metade do livro as coisas são muito, mas muito calmas e monótonas, mas depois tudo começa a ficar frenético e somente nesse ponto pude perceber que estava mesmo lendo um livro da Veronica, pois ali estava tudo que sempre amei em seus livros.


A edição física do livro está apaixonante. No começo temos um mapa do "sistema solar" onde eles vivem, mostrando a nave da assembleia e seus planetas dentro do fluxo-da-corrente. A capa trás um azul forte e mais vivo ao olho nu. Internamente trás letras e espaçamentos formatados de maneira excepcionais. Geralmente quando se traduz um título do inglês para o português, acaba por trocar para que faça sentido com o livro, mas aqui foi adequado de forma certa e sonoramente mais agradável. Carve the mark literalmente seria "Esculpa a marca", mas vamos combinar que "Crave a marca" ficou bem melhor.


No geral adorei o livro e ao final fiquei bem ansiosa pela continuação que está prevista para sair lá fora em 2018. Aconselho a todos que desejam ler lembrar que essa é uma trilogia totalmente diferente  de Divergente, e como tal, deve ser apreciada por aquilo que ela é. Outro conselho que dou é para não desanimar, o começo da estória é sim bem arrastado e monótono, mas garanto que as coisas mudam completamente na segunda metade da estória e ai sim vemos um livro maravilho com cenas de ação sensacionais, frenéticas e  bem elaboradas. Recomendo o livro á todos!!




15 comentários:

  1. Oi Stefani, a serie Divergente, da mesma autora, não funcionou pra mim, então, meu interesse por este livro aqui, é zero. Mas fiquei curiosa com essa coisa das duas culturas e acho que isso me faria ler, e talvez, eu viesse a gostar.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  2. Nunca li nada dessa autora, simplesmente não me desperta curiosidade alguma e infelizmente com esse livro não foi diferente, mas gostei da sua resenha!

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  3. Oie! Tudo bem?

    Fico feliz que tenha gostado da leitura, mesmo com os pontos negativos que você apontou! Mas infelizmente não gosto dos livros dessa autora, já tentei ler um, uma vez mas não consegui! por isso nem fui atrás para saber mais sobre esse! Mas amei a capa, isso não nego que todos os livros dela são fantásticas!

    Bjss

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  4. Olá!

    Eu me apaixonei pela capa perdidamente, tenho de dizer isso kkk
    Eu não sou grande fã desse gênero (nem li Divergente), mas minha irmã ama e está com ele e eu ansiosa pela opinião dela, já que vi muita gente não gostar dele.
    Amei a sua resenha bem explicativa, notei que talvez o que não vem agrandando o pessoal possa ser a narrativa!

    Bjus

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  5. Olá,

    Li algumas resenhas do livro, algumas nem tanto positiva assim. Acho que não seria um livro que leria por não gostar tanto do gênero. Se eu lesse, também acharia ruim o fato de em uma parte a narrativa ser e primeira pessoa e em outra parte ser na terceira pessoa. Adorei por conferir a resenha e que bom que espera pela continuação!

    www.virandoamor.com

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  6. Oiiii,

    Eu vi este lançamento e fiquei receosa de ler, porque em geral a segunda serie não é tão boa quanto a primeira rs, mas sua resenha me deixou um pouco curiosa para conhecer esta nova aventura, apesar de o inicio ser arrastado ter me desanimado um pouco, acho que vai valer a pena conhecer a história e aí mais pra frente vou pegar para ler.

    Beijinhos...
    http://www.paraisoliterario.com/

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  7. Oi, tudo bem?
    Eu adoro a escrita da Verônica Roth desde que li Divergente, mas, como você, estava um pouco receosa com esse novo livro dela. Não sei por quê, fiquei com medo de me desapontar. No entanto, tenho visto resenhas positivas que estão me deixando mais animada para ler.
    Fico feliz que você tenha gostado da leitura e esteja curiosa para ler a continuação. De um modo geral, sua resenha me deixou mais interessada nesse livro. O único aspecto que acho que me incomodaria é o fato de alguns capítulos serem narrados em primeira pessoa e outros em terceira.
    No entanto, isso não me desanima a ler e o livro já está na minha lista de desejados.
    Beijos!

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  8. Oi, tudo bem? Ainda não tinha lido nada da Verônica e não me interessei por Divergente nos últimos anos, mas Crave Marca já me chamou atenção logo de cara com esse nome e capa fantástica! A premissa é muito interessante e me pareceu muito promissora, já ouvi muitos elogios a obra e estou ansiosa para ler. Uma pena o começo ser meio monótono, assim mesmo vou providenciar meu volume em breve :) Beijos.

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  9. Talvez se as duas narrativas fossem em primeira pessoa o enredo teria "rolado" melhor. Não conheço ainda o trabalho da autora, apesar de ter visto os filmes. Já estou de olho neste livro.
    Bjs

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  10. Oi Stéfani,
    Já tive minha experiência com a autora e acho a escrita dela muito boa, mas não sei se quero realmente ler esse livro, pois as impressões que tenho lido são meio decepcionantes, com exceção da sua. Acho legal essa alternância da narrativa, pois ela funciona para mim, mas sei que muitos leitores não curtem.
    Acho que vou anotar a dica, mas só ler depois que todos os livros estiverem lançados.
    Beijos

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  11. Olá! Que bom que as duas cultura fora explorada de forma fantástica e a história bem desenvolvida. Adoro conhecer novos mundos, bom saber que esse é sensacional. Que bom que os personagens secundários também foram bem construídos e tiveram seu espaço. Eu gostei de Divergente, tomara que esse livro seja melhor ainda. Beijos'

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  12. Oiee! Adorei sua resenha, ficou ótima, e as fotos ficaram lindas. Eu nunca li nada da Veronica mas tenho muita vontade, principalmente em ler Crave a Marca, pois acho a premissa realmente interessante, e essa capa não podia ser mais linda! Espero ter a oportunidade de ler logo.
    Beijos!

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  13. Oi, Stéfani

    Que bom que você curtiu tanto. Eu não lerei esse livro por dois motivos; primeiro porque a trilogia divergente possui dois dos piores livros que já li, oa dois volumes finais foram péssimos (ao meu ver, claro ) e foram leituras sofríveis. Então meio que peguei trauma da autora. E o segundo motivo é o gênero, esse negócio meio distopia meio ficção cientifica... não rola pra mim.

    Beijos

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  14. Oiee Stefani ^^
    Poxa, o segundo só sai ano que vem? *-*
    Eu também gostei bastante desse livro, tirando que demorei um pouquinho para entender o universo e a coisa das correntes e etc. No início fiquei bem perdidinha, mas logo me encontrei. Adorei os personagens, a evolução dos mesmos, seus medos e todo o resto ♥
    MilkMilks ♥
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  15. Gostei muito da trilogia Divergente, embora o último livro ainda esteja na minha estante esperando para ser lido. Mas quando vi a capa do Crave a marca e a sinopse, já o desejei logo de cara por gostar da escrita da autora.

    Também criei bastante expectativa e espero que não seja frustrada, como a sua não foi. A respeito da historia ser arrastada, acredito que é por conta da apresentação do mundo... Mas isso até divergente o é. Desejo esse livro pra ontem!

    Abraços!
    www.asmeninasqueleemlivros.com

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