01 dezembro 2016

[Resenha] Dartana - Por André Vianco



Título: Dartana
Autor (a): André Vianco
Páginas: 784
Editora: Rocco
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Sinopse: Dartana conta a história de Jeliath e Dabbynne, dois jovens que lutam para salvar seu mundo da “maldição do pensamento”. Em Dartana as pessoas não conseguem guardar conhecimento, as gerações vão sucedendo sem poder se desenvolver intelectualmente. Se aprendem a fazer um cercado, quando adormecem, a experiência se apaga, condenando-os a uma existência miserável e sombria. Para que isso mude, os jovens de toda Dartana precisam partir atrás de seu deus de guerra para o Combatheon, o mundo onde os deuses de vários planetas que sofrem do mesmo mal se enfrentam com o objetivo singular de libertar suas terras das garras da ignorância e somente o último deus vivo no Combatheon quebrará a maldição em sua terra natal.
Uma vez no Combatheon os exércitos se dividem em três classes de combatentes; guerreiros, feiticeiras e construtores e nenhuma dessas classes conseguirá sobreviver sem ajuda da outra. Jeliath torna-se um construtor de Dartana enquanto Dabbynne será uma das feiticeiras mais importantes no confronto que se aproxima.
Para que seus exércitos se saiam bem em suas batalhas e para que seus construtores produzam as melhores armas possíveis, os deuses de guerra no Combatheon precisam se conectar aos olhos que possuem aqui na Terra. Os avatares terrenos dos deuses em conflito têm então suas mentes ocupadas pelo desejo de saber sobre as armas de combate e suas vidas são transformadas. Qualquer um pode ser escolhido, qualquer um, até mesmo uma criança.
Dartana é novo livro de André Vianco e, como em qualquer história do autor, momentos de pura emoção e aventura estão prontos, esperando por seus olhos e por sua imaginação. 


E atenção, muita atenção! Aqui fala o seu ‘Repórter Esso’, testemunha ocular da História.
Cá estamos diretamente do planeta Imagination para dar as notícias de hoje, falando com nossa correspondente Lady Trotsky diretamente do planeta Dartana, cuja sina é ligada a uma terrível maldição que impede seu povo de guardar conhecimento e evoluir. Sendo única saída ser marchar diretamente para o Combatheon junto de seu deus guerreiro, e, guerrear com outros exércitos e seus deuses de guerra na tentativa de vencer essa árdua batalha. Quem a vencerá e cruzará o Portão da Vitória?

“Essas três classes de guerreiros é que tornavam a marcha possível, cada equipe cumprindo seu papel no campo de batalha, servindo ao glorioso deus da guerra que lutaria até a morte para defender a terra e libertar o povo em troca da adoração de um mundo inteiro aos seus feitos, e, esses guerreiros, que marchariam a seu lado, seriam chamados de sua legião, de campeões, e teriam a honra de existir para todo o sempre ao lado do grande deus de Dartana.”

Até o momento, ninguém sabe. Inúmeros deuses diferentes buscam um mesmo objetivo e estão dispostos a lutar até a morte para alcançar seus objetivos, mas, os Dartanas, não vão jogar para perder e um de seus construtores, um jovem cidadão chamado Jeliath, estará disposto a qualquer negócio para ajudar seu deus de guerra a cruzar vitorioso esse portão. E ele passará por aventuras que nunca em sua vida seria capaz de imaginar junto com personagens como Glaucia, Dabbynne, Thaidena e outros tantos que deixarão sua marca durante essa dura jornada onde perguntas serão feitas e respondidas ou deixadas no ar.
Aqui encerra o seu ‘Repórter Esso’, testemunha ocular da História.





Falar sobre Dartana, o novo livro do André Vianco, está longe de ser uma tarefa fácil. Não apenas porque tem nada menos que 784 páginas, mas também porque é apenas o primeiro de uma nova trilogia. E assim sendo, o encerramento deixa mais perguntas que respostas embora esclareça muita coisa e faz a gente criar mil e uma teorias sobre como as coisas realmente funcionam.


Igualmente eu não poderia esquecer de elogiar tremendamente a edição física: uma capa linda que tem TUDO a ver com a temática do livro, páginas levemente amareladas, fonte excelente para leitura, embora a mesma precise ser feita mais devagar para absorver tudo o que a história oferece.

Começamos com a primeira parte, intitulada Combatheon. O Devorador de Almas, que, em sua essência, conta como funciona a rotina do planeta Dartana e da guerra que eles terão de lutar se quiserem se livrar da maldição que impede o povo de pensar maior e melhor, e, consequentemente, evoluir. E aí começam as questões: quanto valor o conhecimento realmente tem? Ele pode realmente resolver tudo? Vale a pena morrer para ser capaz disso?

Pois, ninguém que foi lutar em tal lugar voltou para contar como era, e, menos ainda, qualquer deus de guerra que tenha antes pisado lá venceu a série de batalhas que os leva ao Portão da Vitória, cujo outro lado apenas os deuses vencedores conhecem. E que torna possível libertar o mundo Dartana da maldição que os aflige. Embora um dos personagens, Jout, mostre que isso pode não ser tão simples como aparenta, já que ele é o primeiro a conseguir uma luz, mesmo que controversa: será mesmo que há um Combatheon? Existirá mesmo um Portão de Vitória? Embora não seja muito desenvolvido, pelo menos por enquanto, é um mistério a origem desse inesperado conhecimento de dúvida. O que nos leva a perguntar como as coisas realmente funcionam no universo onde Dartana está inserido.

“Criaturas invisíveis e tão mágicas quanto as feiticeiras, enquanto os dartanas dormiam, devoravam de dentro da cabeça todo o conhecimento ou pensamentos que se juntasse, impedindo que os dartanas aprendessem ou que repetissem feitos que poderiam melhorar a vida de todos.”

A construção feita pelo autor nesse ponto é extremamente convincente. e, inclusive, é incrível como ele consegue desenvolver os personagens mesmo eles não exatamente sendo seres muito inteligentes, já que o planeta sofre por sempre ter qualquer réstia de conhecimento devorado por seres denominados “vorazes”. O primeiro grande mistério do livro, que como vamos descobrir na segunda parte, que não vou dizer o título porque é spoiler, não afeta apenas Dartana. Outros planetas sofrem desse mesmo mal e muitos outros sofreram antes, inclusive o nosso amado planetinha azul, a Terra, cujo deus de guerra é nada menos que Jeová (embora a grafia no livro seja outra) citado na boa e velha Bíblia. E isso é apenas um dos muitos deuses citados na história. Inclusive as divindades inseridas dentro do livro são extremamente ricas, desde Egito até Asgard e provavelmente serão exploradas no próximo volume. Pelo qual eu espero ansiosamente porque, meu Deus, tem coisa para ser explorada!



É na terceira parte, cujo nome também não direi porque é igualmente spoiler, que Jeliath, um dos protagonistas da trama, vai ter mais interações com a Terra e os humanos. E vai descobrir que o grande rival do deus de guerra está usando uma menina de dez anos como seu avatar, além de outras duas pessoas e não vai desistir fácil de conseguir a vitória. Ok, Alkhiss pode até ser um tanto vil e covarde já que de cara comete uma grande maldade, mas, considerando o contexto, é compreensível. Pois todos querem vencer essa batalha não apenas por si próprios, mas também por seu povo e planeta, que sofrendo dessa incapacidade de ter conhecimento, acabam tendo problemas que seriam facilmente resolvidos se eles pudessem conhecer melhor.


É justamente essa pergunta que vem à nossa cabeça quando vemos a clara diferença entre Dartana, o Combatheon e a Terra. O primeiro mundo sendo uma idade das cavernas do modo mais rudimentar possível, o segundo dando uma chance aos povos sem a luz do conhecimento conseguirem uma vida melhor, ainda que de modo controverso e o terceiro sendo o nosso mundo dotado de grande avanço tecnológico. A tal ponto que o Jelitah fica atordoado com tantas novidades. Até mesmo com um muito básico remédio para dor. Só para vermos o tamanho do atraso de Dartana. Se esse planeta já é atrasado, imagina o nível disso de outros.

“O povo de Dartana marcharia atrás de seu deus de guerra para lutar, para combater junto ao portento divino, para fazer com que seu deus de guerra fosse o campeão contra outros tantos deuses.”

Como diria Carl Sagan: Se não existisse vida fora da Terra, o universo seria um grande desperdício de espaço. Só que, se isso for mesmo verdade, como serão os povos alienígenas? Serão como os Dartanas? Serão mais avançados que nós? Pior que, lendo esse livro, consegui imaginar com perfeição essa existência de outras formas de vida embora eu tenha me apavorado de pensar que elas poderiam ser assim. Se bem que, quanto mais conhecimento, menos humanas algumas pessoas se tornam. E sinceramente confesso: imaginar personagens como Jeliath, Thaidena e Dabbynne perdendo sua pureza de coração devido ao conhecimento e ao avanço me abala muito.

Sim, gente, sou dessas que se apega com personagens de uma maneira, quase como se eu pudesse tocar nas pessoas. Embora o Mander tenha me deixado meio furiosa com a obsessão dele em se vingar, mas quando a gente pensa na situação dele, é difícil não entender como ele se sente. E se fosse você que estivesse com dois filhos sofrendo de uma doença que pode matá-los, e disso eles escapam se tiverem muita sorte de sobreviver a pelo menos três ciclos lunares, e você não é capaz de fazer nada porque não sabe como combater essa moléstia? Perguntinha difícil, não acham?

“O povo ficava fascinado quando as feiticeiras se juntavam, falavam sobre o saber e davam a alguns felizardos uma centelha de pensamento.”

No final, aliás, “conclusão inicial” (vou chamar assim porque Dartana é só o primeiro livro), descobre-se que o título da primeira parte faz sentido de uma maneira que eu jamais teria esperado e deixou tantas perguntas que fica difícil não querer de uma vez por todas o segundo livro.
Se o André Vianco queria nos instigar, posso dizer com certeza que ele conseguiu o intento com o mais absoluto sucesso. Certamente um livro que merece ser lido e apreciado para quem gosta de ficção científica e gosta de questões profundas com um monte de respostas possíveis.



17 comentários:

  1. Olá
    Eu também já fiz essa leitura e gostei bastante do desenvolvimento, mas também admiro muito o trabalho do André Vianco. E todos os livros que li dele me agradaram. E só por ser ficção científica já me intrigou demais.
    Beijos, Fer
    www.segredosemlivros.com

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  2. Olá, não conhecia o livro, não sei se encararia 700 páginas! hahah é tipo as crônicas de gelo e fogo, tenho vontade de ler mas não tenho coragem de encarar, talvez em outro momento, me parece uma história muuuuuito boa e que vale a pena, porém morro de medo de desanimar e abandonar o livro, me sinto horrível deixando livros pela metade.

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  3. Nunc ali nada do Vianco porque não é muito o meu gênero literário, porem, acho que este livro aqui seria um bom motivo e indicação para eu sair da zona de conforto e ler coisas diferenciadas. Gostei da forma como você descreveu o livor, empolgada com os detalhes. Espero ler em breve.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  4. Oi, Renata!

    Caramba, não conhecia esse livro! 700 páginas?! Jesus! Nunca li um livro com esse tanto de páginas, mas tudo tem sua primeira vez, não é? O gênero é novo para mim, então fico com um pé atrás para a leitura, mas saber suas impressões foi uma maravilha porque aí sim me deu mais vontade de lê-lo. Não curti muito a capa, mas não vai ser por isso que vou descartar a leitura. Obrigada pela dica, super anotada!

    Sucesso com o blog sempre!
    Beijos, Belle.
    floraliteraria.blogspot.com

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  5. Olá amore,
    Adoro o layout de seu blog, é uma delícia navegar em blog´s assim.
    Comecei a ler um livro do André Vianco a algum tempo, mais não lembro muito bem qual... só lembro que não cheguei a terminar a leitura... mas lembro que trata-se de uma escrita muito bem escrita.
    Sua resenha me instigou bastante, legal saber que se trata de uma trilogia. É muito bom livro que nos deixa com vontade de quero mais.
    Obrigada pela dica amore!
    Beijokas!
    www.facesdeumacapa.com.br

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  6. Eu simplesmente amei o modo como você começou essa resenha como um repórter o investigativo e dando notícias de Dartana. Me deixou muito curiosa só por aí. Beijos

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  7. Oi Renata, tudo bem?
    Vi várias pessoas por aí animadas com esse novo lançamento, mas tenho que admitir que não fazia ideia desse número de páginas, isso até me assusta um pouco, já que faz um bom tempo que não leio um livro tão grande. Porém, ao conferir suas impressões, vejo que vale a pena realizar a leitura, visto que se trata sobre esse planeta diferente e se o povo que é impedido a pensar, irá conseguir ultrapassar essa barreira. Me parece ser uma leitura bem interessante, dica anotada!

    Beijos! ♥

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  8. Oie!!
    Menina tenho que te contar que eu amei a capa desse livro! Não o conhecia, acredita?
    Caraca quantas páginas :o :o :o até assusta não é?
    Anotei a sua dica, mas confesso que eu to um pouco receosa por medinho da escrita do André hahaha

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal

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  9. Esse foi o primeiro livro do autor que li e me apaixonei por ele! Claro que surgem muito mais perguntas no final, mas achei até que bastante coisa foi respondida nesse volume. Achei incrível essa ideia de criar um mundo (vários, no caso) em que as pessoas não conseguem aprender e evoluir, embora tenha doído meu coração por terem que passar por uma guerra para ter essa chance. Torci demais por Dartana e achei a história extremamente envolvente. Que venha logo o segundo volume!

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  10. Oi, tudo bem?
    Confesso que tenho uma certa curiosidade em conhecer alguma obra desse autor, mas o gênero dele não é o que eu costumo ler e por isso sempre acabo enrolando, sabe? Esse livro em questão eu achei bem curioso, é interessante essa coisa das pessoas não conseguirem guardar conhecimento, além disso fiquei apaixonada pela capa. No entanto, eu confesso que não pretendo ler, pois apesar de você ter elogiado a obra, eu não fiquei tão animada assim e é um livro longo, sem contar que é o primeiro volume ainda e eu não gosto muito de séries/trilogias.

    Beijos ;*

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  11. Oi ! Quando me deparei com a capa do livro aqui nesse post , já fui logo pensando : "vish , não vou gostar desse livro, porém tive uma boa reforma no pensamento ao ler a sinopse e a resenha. Fico imaginando uma sociedade onde não conseguimos guardar conhecimento, algo desesperador. Espero ter a oportunidade de ler esse livro algum dia. Beijos

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  12. oie!
    Já conhecia esse livro. Logo de cara já me apaixonei pela capa e sua resenha só me deu mais vontade ainda de lê-lo.
    Tenho escutado boas críticas sobre o André, mas nunca tive a oportunidade de ler os livros dele.
    Este livro está aqui anotadinho para ser lido.
    Beijos

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  13. Oie, tudo bem? Eu já ouvi falar do autor mas nunca li nada dele. Não sou muito fã de ficção científica, sempre fico meio perdida, e um livro com quase 800 páginas, sendo o primeiro de uma trilogia? Será que eu aguento? É um caso a se pensar, porque de fato, reconheço que a premissa é bem interessante e tem uma coisa té reflexiva e filosófica com essa questão de absorver (ou não)conhecimento, mas vou buscar mais opiniões sobre a obra para tomar minha decisão kkkkk Bjosssss

    http://porredelivros.blogspot.com

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  14. Olá!
    Eu nunca li nada do André, mas confesso que esse livro e sua resenha me deixaram bastante curiosa. É uma história bem peculiar, né!? O que faríamos sem conhecimento? Acho que não muita coisa, né. Voltaríamos a idade da pedra, onde somente se contava com seus instintos primitivos!? Sei lá... Fiquei bem intrigada. Vou colocar na minha lista pra uma futura leitura.

    Parabéns pela resenha.

    Beijinhos!
    Jaqueline Silva - Meus Livros, Meu Mundo.

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  15. Olá Renata,
    Ainda não li nada do André Vianco, mas sempre vejo tantos elogios para esse autor que sinto necessidade de ler.
    Acho que o intento do autor era, mesmo, instigar o leitor e você também cumpriu muito bem esse papel, parabéns.
    Estou me perguntando o que acontece nesse livro e como esses títulos encaixam no final.
    Acho que é uma obra grande na quantidade de páginas, mas, ainda maior, no conteúdo.
    Beijos,
    Um Oceano de Histórias

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  16. Oi Renata, tudo bem?
    Menina assim como você sou apaixonada pelo Vianco e acho que nem preciso re dizer o quanto estou doida para ler esse livro.
    Acredita que eu não sabia que Dartana era o primeiro de uma trilogia? Nossa você deve estar bem ansiosa para ler os outros não é?
    Bjs

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  17. Oi Renata, tudo bem?
    Eu morro de vontade de ler os livros do autor, mas devo confessar que essa obra em especial eu não sinto curiosidade, talvez por ser de um gênero que não curto muito. Mas fico feliz em ver que você gostou, com certeza é uma boa pedida para quem curte.

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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