15 outubro 2016

[Tocando o Terror] Menina má: Filme x Livro



Título: The bad seed
Lançamento: 1956
Duração: 2h 09min
Direção: Mervyn LeRoy
Gênero: Suspense, Drama, Terror

A análise abaixo contém spoiler sobre o livro Menina má da editora DarkSide Books. 


Sou completamente apaixonada por filmes, e recentemente descobri que os filmes clássicos de terror são os que mais gosto. Quando digo clássicos, são os clássicos mesmo com data de mais de 40 anos de estréia, como no caso de The bad seed, ou como ficou conhecido aqui no Brasil, Tara maldita. Nem quero entrar na questão da tradução do título pois iria me irritar, mas uma coisa digo, não entra na minha cabeça que The bad seed, em tradução livre seria A semente do mal, tenha ganhado esse título tão tosco.



O que mais me atraí nesse tipo de filme é a simplicidade. Em 1956, ano de estréia do filme, essa arte ainda era em preto e branco, e a grande sensação ainda era o rádio e o teatro. Cinema ainda era novidade, então, os filmes não tinham efeitos especiais grandiosos, muito menos aquele retoque mágico como vemos hoje. Nessa época era o cinema na arte pura e crú, eles contavam somente com as atuações dos atores e um roteiro que prendesse o público, e vemos esses aspectos durante o filme The bad seed.


A atuação de Nancy Kelly ao personagem Christine, mãe de Rhoda, é totalmente teatral com cenas ao ponto dela se curvar de desgosto e mostrar todo sentimento que a personagem está sentindo, e grande parte do elenco entra nesse segmento de atuação. A pequena Rhoda é medonha, a menina grita, se esperneia, se joga no chão, entre outras coisas. Tudo é bem livre e sem amaras como se fosse uma peça de teatro.

Vocês devem estar se perguntando porque trouxe essa explicação quando na verdade o assunto é as diferenças entre o Filme x Livro. Bem, seria impossível traze-las sem antes explicar, pois o filme foi adaptado para suas condições da época onde o teatro dominava. Vemos coisas que são bem comuns em peças, como no caso de passagens de cena onde sai um personagem e no mesmo ambiente uma porta se abre, e outro personagens entra. Quis deixar isso claro justamente por isso, para vocês entenderem que todo o filme parece uma obra de arte moldada de um grande livro.


No geral o filme não trás grandes mudanças como vemos nas adaptações de hoje. Rhoda é fria sim, mas senti que ela foi transformada de uma menina psicopata em uma criança birrenta que faz malcriações quando não consegue o que quer. Já Christine foi pouco explorada no filme, no livro vemos ela vendo as coisas que a filha apronta, mas no filme o foco ficou totalmente em Rhoda, a sensação que tive foi que ela era uma mulher desequilibrada e não uma mãe preocupada.


Teve algumas modificações mas nada que desconfigurasse a obra, muito pleo contrário, creio que foram feitas pensando nas pessoas que somente iriam ver o filme, e nessa caso, necessárias para entendimento melhor dos acontecimentos, como o aparecimento do pai de Rhoda indo viajar mostrando que ele estaria fora como acontece no livro. Também o pai de Christine está vivo, coisa que no livro já fazia um tempo que ele havia falecido.

A grande sacada e diferença entre eles foi o final. Após o termino do livro o filme continua criando sua própria estória, e devo admitir que o desfecho foi sensacional dando exatamente aquilo que o leitor desejava. Como já tinha lido o livro, foi uma grande surpresa e muito bem vinda diga-se de passagem, não ficou exagerado e nada fantasioso.


Amei ambas as obras, mas ainda o livro Menina má superou todas minhas expectativas sendo de longe minha melhor leitura de 2016. Recomendo o filme para todos que tenham lido o livro, e peço gentilmente que tenham em mente que é um clássico de 60 anos atrás, e como tal, deve ser compreendido em sua plenitude e contexto de época. O final deu um toque especial a obra mostrando que o filme pode ir além daquilo que o livro produziu. Menina má, ou The bad seed são ótimos exemplos que os clássicos valem a pena de ser apreciados.



Título: Menina Má
Autor (a): William March
Páginas: 272
Editora: DarkSide Books
Skoob || Encontre || Resenha
Sinope: Rhoda, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também.
Publicado originalmente em 1954, MENINA MÁ se transformou quase imediatamente em um estrondoso sucesso. Polêmico, violento, assustador eram alguns adjetivos comuns para descrever o último e mais conhecido romance de William March. Os críticos britânicos consideraram o livro apavorantemente bom. Ernest Hemingway se declarou um fã. Em menos de um ano, MENINA MÁ ganharia uma montagem nos palcos da Broadway e, em 1956, uma adaptação ao cinema indicada a quatro prêmios Oscar, incluindo o de melhor atriz para a menina Patty McComarck, que interpretou Rhoda Penmark.
MENINA MÁ é um romance que influenciou não só a literatura como o cinema e a cultura pop. A crueldade escondida na inocência da pequena Rhoda Penmark serviria de inspiração para personagens clássicos do terror, como Damien, Chucky, Annabelle, Samara, de O Chamado, e o serial killer Dexter.



21 comentários:

  1. Ola Everton, eu quero muito ler esse livro e ver toda essa maldade em uma criança me surpreende, como pode um ser inocente carregar tanto ódio no coração, além da linda edição da editora que é sempre um destaque a parte. Amei a postagem. beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

    ResponderExcluir
  2. Olá
    Adorei poder conferir suas considerações a respeito desse livro. Na verdade, é a primeira resenha que leio sobre, mesmo já conhecendo a edição. Por falar em edição, mais uma vez a editora se destaca quanto a isso ne?! A premissa é muito intrigante, e na minha opinião só por envolver a criança e sua personalidade má, ja torna tudo mais assustador.. o trailer nossa, eu não conhecia, mas adorei!!
    Beijos, Fer
    www.segredosemlivros.com

    ResponderExcluir
  3. Olá como vai?
    Gostamos muito da postagem!!
    E um livro que realmente estamos super curiosas para ler, nos interessou muito. ♥
    Beijos
    Vou Arrasar

    ResponderExcluir
  4. Oi Everton. Eu amo essa edição da Darkside. É linda e tem.um.ar angelical que o livro não tem. Amei sua explicação prévia antes de fazer o comparativo livro x filme. Achei bem pertinente visto que temos mudanças na forma como é feito cinema hoje. Enfim... Amei! Beijos

    ResponderExcluir
  5. Olá,
    Ainda não li a obra, mas estou me coçando para fazer. A premissa é bem interessante e a abordagem da psicopatia em uma criança, mostrando toda a frieza de Rhoda me chama muito a atenção.
    Pretendo ler e depois tentar assistir ao clássico levando em consideração os pontos ressaltados aqui.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  6. Oi. Éverton Tudo bem?
    Gostei bastante da sua contextualização histórica no início, mostrando a aproximação do filme com uma encenação teatral. Só preciso discordar de uma coisa, eu não acredito que seja a novidade que tenha inviabilizado a utilização de efeitos especiais e etc. Eu diria que essa impossibilidade viria mesmo da falta de tecnologia e de uma identidade cinematográfica. Como você mostra muito bem, e não tinha dado conta disso, o filme tem uma teatralidade. Isso, basicamente, acontece sempre que uma nova técnica surge no mercado. Antes só tinha o teatro, então em um primeiro momento foi no teatro que o cinema se inspirou. Então, até que o cinema encontrasse a sua identidade, ou seja, a sua própria forma, ele imitou o que já tinha que era o teatro. O mesmo aconteceu quando surgiu o telejornalismo. Os primeiros telejornais eram feito com base no rádio. Era o âncora na frente da câmera e lendo um texto, coisa que era feita no rádio, mas só com a voz. Mas hoje vemos que o telejornal tem suas próprias característica e assim acontece com tudo.
    Bem, eu li o livro e também assisti ao filme. Como você, eu também gostei dos dois, mas gostei mais do livro, embora a adaptação seja muito boa . Você comenta das diferenças entre o livro e o filme e isso me fez lembrar de uma disciplina que tive no mestrado este ano. Quando estamos diante de uma adaptação, como o próprio nome diz, é uma adaptação, não necessariamente precisa ser como o livro. Esse filme me deixou muito claro isso, antes eu ia assistir uma adaptação na esperança de ver tudo o que li, mas agora não faço mais isso. E acredito que o mais incrível é ver um história sobre outro ponto de vista. Lógico com o essencial do livro, mas com sua próprias regras.
    Quando estava, assistindo ao filme, eu imaginei a minha própria adaptação. Garanto que eu faria um filme completamente diferente. Talvez exploraria mais a personalidade da Rhoda e de sua mãe, o que fica um pouco a desejar, quando comparamos com o livro. Fora isso, eu achei o filme incrível. O diretor conseguiu me surpreender.
    Desculpe ter alongado de mais no comentário, mas fiquei muito empolgado com a resenha e ,como gostei bastante tanto do livro quando do filme, tive que expor um pouco do que pensava aqui. Bem legal a sua resenha. Parabéns
    Abraço!

    ResponderExcluir
  7. Olá
    Eu só fiquei sabendo que esse livro havia um filme a poucos dias, e sinceramente fiquei bem surpreso com isso. Tenho muita vontade de ler esse livro, pois me parece ser bem legal e até perturbador rsrs. Quão a essa adaptação, ela realmente deve ser bem legal pela sua simplicidade da época. Adorei conferi suas opiniões sobre a a mesma e espero poder ver o filme também. Até mais ver
    Abcs

    ResponderExcluir
  8. Olha, eu não li o livro e nem vi o filme mas tenho vontade de fazer ambos. Eu sou muito medrosa e por isso venho adiando a leitura do livro e só quando eu ler é que vou ver o filme. As adaptações sempre tem modificações e em alguns casos acontece de ficar melhor para o entendimento mesmo, mas eu geralmente fico chateada com essas modificações. ,

    ResponderExcluir
  9. Oi Éverton, tudo bem?
    Esse é um dos livros mais desejados da minha lista e com certeza irei adquiri-lo ainda nesse ano, gosto muito de temas que abordam a psicopatia de alguma maneira. Não fazia ideia que existia o filme e admito que também fiquei incomodada com a tradução do título. Por se tratar de um clássico, compreendo que as atuações dos personagens estivessem teatrais demais. É uma pena que a menina parece mais birrenta do que psicopata no filme, mas por ser um clássico é um erro compreensível. Achei bacana você ter falado que o final complemente algo do livro e fiquei curiosa para saber o que seria. Assim que adquirir meu exemplar e ler, com certeza irei assistir o filme e fazer minha própria análise também, fiquei muito mais ansiosa agora.

    Beijos! ♥

    ResponderExcluir
  10. Também gosto bastante de filmes antigos, mas acho que se fizessem um remake hoje desta obra, o filme ganharia mais na questão da tecnologia que se tem disponível nos dias de hoje. Estou bem curiosa pra conferir os dois, livro e filme, apesar de não ser uma fã do gênero.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

    ResponderExcluir
  11. Olá!
    Eu não sou muito fã desse gênero e confesso que a história não me interessou. Mas gostei de saber as suas impressões sobre o livro e o filme. Só de ver as fotos do elenco do filme deu para ver como o filme é totalmente diferente dos que vemos hoje, é bem arcaico. Mas deve ter sido uma experiência muito boa.
    Adorei o post.
    Beijinhos!

    ResponderExcluir
  12. Olá,
    Conhecia o livro, mas não o filme. Gostei de poder conferir sua comparação do filme com o livro e as explicações quanto aos filmes de antigamente, mas ainda sim parece interessante. Legal o filme ter produzido um pouco além do livro e espero vê-lo em breve!
    http://www.virandoamor.com/

    ResponderExcluir
  13. Olá!! :)

    Eu já tinha ouvido falar do livro e ate me foi aconselhado neste contexto de proximidade de Halloween! :)

    Bem, adorei saber que tem filme e conhecer mais sobre a historia! :) Ainda bem que gostaste!! :) Bem, olha que e verdade, temos de ter em conta os valores e o contexto histórico! :)

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livros.webnode.com

    ResponderExcluir
  14. Olá Éverton,
    Li o livro recentemente e, mesmo não ficando assustada, o livro me deixou preocupada com o que encontrei e bastante perturbada.
    Gostei muito de conhecer sua opinião sobre o filme e, quando você disse que fizeram a Rhoda ser uma personagem que grita e se joga no chão, já soube que tinham, em partes, mudado sua personalidade, pois, no livro, ela é completamente diferente. É uma pena que não tenham explorado a mãe dela, mas achei muito legal terem continuado após o final, pois, mesmo tendo gostado, fiquei com uma sensação de quero mais.
    Com certeza, quero assistir.
    Beijos,
    Um Oceano de Histórias

    ResponderExcluir
  15. Oi, tudo bem? Eu não li o livro ainda é também não assisti o filme embora já tenha minha edição linda da Darkside em mãos. Pretendo assistir só filme depois de ler o livro.
    Gostei bastante da análise que você fez sobre ambos apontando as diferenças. Também gostei da forma como foi feito o filme é interessante saber que ficou bem teatral. Acho legal assistir algo que foi feito nos primórdios do cinema. Adoro como você disse a arte nua e crua.
    Bjs

    ResponderExcluir
  16. Esse é mais um daqueles livros que comprei no lançamento e ainda não. Na realidade nem tirei do plástico ainda, acredita nisso? Mas foram tantos comprados nos últimos tempos que acabei me perdendo com tantas leituras possíveis. Mas sem dúvida nenhuma esse é um dos que tem que sair urgente da pilha.

    ;D
    Nelmaliana Oliveira

    ResponderExcluir
  17. Oi, tudo bem? Não li o livro e nem vi o filme, mas tenho grande interesse no livro. Essa edição da Darkside é incrível e ficaria muito feliz de adquirir ela. Sua análise ficou muito boa, mesmo não tendo contato com a história ainda, entendi seu ponto de vista e a comparação me pareceu justa. Acho que poderia ter um remake hein, quem sabe. Ótima post viu, beijos.

    ResponderExcluir
  18. Olá! Não sou muito fã de filmes ou livros de terror (alerta de medrosa), mesmo quando não é tão pesado, prefiro não encarar. A edição da Darkside é linda, adorei o fato de você ter trazido o filme antigo para comparar e trazer todo o contexto histórico, mesmo não estando na minha lista de leituras, foi legal saber mais sobre ambos. Beijos,

    Luana

    ResponderExcluir
  19. Oi, tudo bem?
    Eu não costumo ler livros desse tipo, mas tenho curiosidade com esse e acho que seria uma leitura que me conquistaria. Sobre o filme, eu não tenho hábito de ver filmes antigos assim e por isso tenho uma grande dificuldade para ver, pois é um tanto estranho. No entanto, achei bacana tudo o que você falou, especialmente a parte em que diz que o filme continua a história depois do fim do livro.

    Beijos :*

    ResponderExcluir
  20. Olá, confesso que não li a postagem toda, fiquei com muito medo de pegar algum spoiler porque por conicidência eu estou lendo no momento esse livro,e estou adorando, a personagem rodha é realmente maravilhosa, eu estou adorando-a, dá até vontade de ter uma filhinha que nem ela (ou não), quero muito ver o filme também, pois ele é muito bem falado e eu adoro filmes antigos, espero gostar muito do livro quando acaba-lo

    ResponderExcluir
  21. Oii, tudo bem?
    Li "Menina Má" recentemente e foi um dos livros que eu mais gostei esse ano, achei o livro da Menina capirota (apelido que eu dei <3) muito bom, mesmo quando eu acabei fiquei meio "revoltado" com o final, mas depois tudo foi se encaixando na minha cabeça. Ainda não vi o filme, vou ver seu eu acho e assistir nas férias. Adorei o post!

    Abraços!
    http://lendocomobiel.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir