31 outubro 2016

[Resenha] O último adeus - Cynthia Hand



Título: O último adeus
Autor (a): Cynthia Hand
Páginas: 352
Editora: DarkSide Books
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Sinopse: O Último Adeus é narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz.
O divórcio dos seus pais, as provas para entrar na universidade, os gastos com seu carro velho. Ter que lidar com a rotina mergulhada numa apatia profunda é um desafio diário que ela não tem como evitar. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? Eis uma das grandes questões desse livro apaixonante.
O Último Adeus é sobre o que vem depois da morte, quando todo mundo parece estar seguindo adiante com sua própria vida, menos você. Lex busca uma forma de lidar com seus sentimentos e tem apenas nós, leitores, como amigos e confidentes.

“Não escreva sobre o fim”, disse Dave. “Tente escrever sobre uma época em que ele era feliz. Quando vocês dois eram felizes juntos”.
Balancei a cabeça, negando.
“Não consigo me lembrar”. E é verdade. Mesmo depois de quase 7 semanas, só 47 dias sem interagir com meu irmão, sem jogar ervilhas nele na mesa da cozinha, sem vê-lo nos corredores da escola e agindo, como qualquer irmã mais velha responsável faria, para manter as aparências, como ele dizia só para me perturbar, a imagem de Ty se tornou embaçada em minha mente. Não consigo visualizar o Ty que não está morto. Meu cérebro gravita em direção ao fim. Ao corpo. Ao caixão. À cova."

Lex era uma garota comum e feliz, que passava a maioria dos seus dias apenas se preocupando em manter as suas notas escolares com boa média a fim de entrar na faculdade dos sonhos, e que gostava de sair e passear com as amigas e com o namorado, e alguém que acima de tudo amava matemática. Porém, essa calmaria muda no dia em que o irmão de Lex se suicida, e a garota se afunda no luto e na dor, tentando entender as motivações do irmão para cometer tal ato. Ao mesmo tempo, a mãe da garota também chafurda na dor e ambas começam a ter vislumbres como se estivessem sentindo o perfume de Ty, o irmão de Lex, e também em uma ocasião a garota imagina vê-lo próximo a si.

“Certo. Mas quero que me prometa que se um dia se sentir daquele jeito de novo, como se quisesse...”
“Não vou...”, disse ele.
“Mas se acontecer, tem que me dizer. Ligue, envie mensagem, pode me acordar às três da madrugada, não me importo. Quero saber. Estou do seu lado.”

Confusa e ferida, Lex vê seus dias perder a cor, até que sua mãe a manda  para um terapeuta que sugere que por sua dificuldade de expressar os sentimentos a garota escreva em um diário. Inicialmente achando tudo uma grande bobagem, aos poucos Lex vê que a escrita funciona e desabafa seus temores mais íntimos e com a ajuda de várias pessoas pode quem sabe começar a aceitar o acontecido e pode continuar sua vida.

"Então, quando termina, quando a mata se silencia de novo, eu acordo. No meu quarto. No escuro. Sozinha de novo.
Esses sonhos vêm se repetindo há semanas. Sempre a mesma coisa, eu e Ty, fazendo algo que costumávamos fazer, conversando como costumávamos conversar, e então, depois de um tempo, algo dá errado e Ty morre. Até agora, ele morreu em um acidente de avião, levou um tiro de um membro de uma gangue e foi atingido por um raio durante uma tempestade. Em um deles, caiu da escada e quebrou o pescoço. Em outro, foi atingido por um carro enquanto íamos de bicicleta para a escola. É minha versão pessoal do Kenny de South Park, mas Ty nunca morre como morreu. E sempre que ele morre, sempre que o vejo morrer, parece real."

Nessa história linda e cativante, vemos um pouco da dor, do luto e do significado das perdas.

"Dave mexe na barba, que é o que faz quando está prestes a dizer algo incrivelmente profundo. “O perdão é confuso, Alexis, porque, no fim, tem mais a ver com você do que com a pessoa que está sendo perdoada.”"




Essa é uma história que vinha sendo muito falada na blogosfera, e eu, curiosa que sou, logo quis conferir, ainda mais com uma temática forte como essa. E quando comecei o livro fui tão envolvida pela escrita cativante da autora, seu modo de conduzir tudo que não consegui largar até finalizar a leitura. Confesso que eu não chorei em nenhum momento, não o achei pesado. Na verdade senti que o livro aborda mais o que vem depois da dor e do desespero, o que chega depois da catástrofe, o que há depois do  momento principal, e mesmo o tema sendo dramático por si só, ele não trouxe algo que me emocionasse, apenas fiquei com um certo sentimento de melancolia e de despedida, como as personagens sentiam, mas isso de modo algum é uma impressão negativa e posso dizer que eu, sendo uma leitora que não gosta de livros com personagens adolescentes, amei essa obra.


O ponto mais positivo de todo o livro obviamente é a abordagem dessa temática do suicídio na adolescência, achei  bastante intrigante e necessária, já que isso vem acontecendo com cada vez mais frequência, além de a autora expor de uma forma muito crua os sentimentos da irmã e da mãe de ty e o modo como a sociedade em geral reagiu a isso. Outro ponto que merece destaque é a construção dos personagens, pois apesar de Lex ser uma adolescente ela tem uma personalidade ímpar, muito madura e é aquele tipo de personagem de quem desejamos ser amigos. Além disso, outra coisa que me chamou muita atenção são as diversas referências a livros, desde clássicos como metamorfose, de Kafka, até o caçador de pipas, os personagens mencionam várias obras que conhecemos e para mim isso gerou uma identificação maior com a obra.


Já em relação a pontos negativos não tenho muito o que destacar, exceto que a narração é feita em primeira pessoa e em vários momentos eu fiquei querendo saber mais a respeito do pensamento de cada personagem, além da visão de Lex.

Em relação aos personagens achei todos muito bem construídos, pessoas cheia de defeitos e de qualidades, e relações humanas e imperfeitas construídas com muita habilidade. Uma das personagens que acabou me comovendo mais foi a mãe de lex, com toda a sua dor, além de eu ter adquirido um forte apego a Lex, a personagem principal, à medida que ela nos revela tudo o que aconteceu na fatídica noite.


O livro é dividido em 37 capítulos de um tamanho razoável e a escrita é extremamente fluída, o que faz a leitura ser bastante ágil.

Recomendo para os leitores que gostam de bons dramas, que trazem como temática algo polêmico e forte, esse é o tipo de livro que nos desperta um forte desejo de que exista uma continuação.

16 comentários:

  1. Essa madrugada eu vi uma promoção imperdível na amazon com os livros da darkside, dentre os 4 livros que comprei, este estava na lista. Eu também tenho visto comentários muito positivos a respeito desse livro e não podia deixá-lo de fora. Essa temática me interessa muito, principalmente por se tratar de assuntos psicológicos. Fico mais do que satisfeita ao saber que todos os personagens são muito bem construídos. Aliás, em livros como esse, também prefiro terceira pessoa.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  2. Acho que não tinha uma melhor escolha de livro para um dia de finados do que esse. Simplesmente um livro que fala sobre como lidar com as perdas e a dor de perder alguém que gostamos. Sobre a edição... Mais uma vez a Darkside arrasando. Beijos

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  3. Oi Tamara, está aí um livro que eu quero e não quero ler ao mesmo tempo. Quero porque por sua resenha puder perceber o quanto ele é bem escrito e intrigante. Não quero porque já imagino o quanto ele deve mexer com meu emocional! Eu também não sou fã de temáticas com adolescentes, mas já que você falou que vale a pena, acredito em você! Gostei muito de sua resenha e suas considerações. Beijos

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  4. Olá minha flor, tudo bem com você?
    Eu já vi diversas resenhas sobre essa obra, e como você comentou essa obra estava com um baixa d é um fuzuê pelos blogs! Eu quero muito ler a obra pela fato do tema que ele aborda e também, agora, por saber que a obra vai focar depois da catástrofe também. Já sobre a forma de escrita (1° pessoa) eu amo essa forma de ler. Quanto a capa,eu nem preciso dizer o quanto essas edições da dark são um luxo não é? Até mais vê
    Bjks

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  5. Realmente esse livro vem sendo muito comentado entre os blogs e eu fico cada vez mais curiosa com ele. Acho que é uma leitura muito intensa que que nos abre os olhos para um tema muito importante. Ao contrário de você, a narração em primeira pessoa sempre é melhor para mim, eu gosto mais, mas não me atrapalha quando é em terceira.

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  6. Esse é um daqueles muitos livros que comprei no lançamento e ainda está na pilha pra leitura. Eu amo a editora e compro de olhos fechados todos os livros, mas chegou num pronto que não dei conta de ler tantos, aí esse ficou. Eu também não sou tão fã de livros narrados em primeira pessoa, sempre acho que poderia saber um pouco mais da história. Mas esse foi o único ponto negativo, tá ótimo. Tentarei me organizar melhor e acrescentar ele na lista de leitura ainda esse ano.

    ;D
    Nelmaliana Oliveira

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  7. Olá Tamara,
    Já tem algum tempo que estou querendo ler esse livro, e a curiosidade se deu justamente pelo tema de suicídio na adolescência. Gosto desse tipo de leitura, sempre me envolvi com os personagens, compartilhando os seus sentimentos com todos os erros e acertos. As referências de outras obras também deixa a leitura mais rica para mim. Espero ler em breve.
    Bjim!.
    Tammy

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  8. Olá...
    Estou babando nessa edição da Darkside, o que já é comum ao se tratar da editora, né?
    Venho lendo excelentes comentários a respeito dessa obra e não tenho dúvidas que ela irá me agradar, tanto que está no topo dos meus desejados.
    Sua ressalva não me incomodou, pois, amo narrações em primeira pessoa.
    Beijos

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  9. Li poucos livros com a temática de suicídio, mas os que li me deixaram muito angustiada e triste, não que seja algo ruim, mas as leituras foram tão sensíveis, que fizeram isso comigo. Eu acho que com essa leitura não vai ser diferente, mesmo que mostre mais o depois e tal. Espero poder ler ainda esse ano!
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  10. Oi! A DarkSide arrasou na capa do livro cheio de post it! Eu sem dúvidas leria o livro, mesmo tendo essa pegada envolvendo a psicologia, suicídio e coisas relacionadas aos nossos problemas mentais, talvez não nesse momento em que estou vivendo, mas o livro entraria para a minha lista sem dúvidas.
    Adorei os quotes que você separou do livro, mostra quão profundo ele é.
    Bjks

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  11. Tal temática em livros sempre me chamam atenção e a Darkside sempre capricha nas edições, tudo isso só colabora para querer lê-lo. Espero que com a black friday eu consiga adquiri-lo

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  12. Olá!
    Eu gosto de dramas, já li e assisti vários. Eles sempre me colocam para analisar certos aspectos da minha vida e alguns me fazem chorar horrores. Mesmo gostando de dramas, confesso que não me interessei muito pela obra. Pela a sua resenha o livro é muito bem escrito e a autora trata o suicídio, que é um assunto delicado, com muita sensibilidade.
    Apesar de parecer se tratar de um ótimo romance, acho que faltou alguma coisa na premissa para me fazer querer ler o livro, que sabe futuramente?

    Parabéns pela resenha, ficou clara e bem escrita!
    Abs ^^

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  13. Nossa Tamara. Lex é intensa! Fico me perguntando como ela conseguiu passar por tudo isso sabe? Ainda bem que é na escrita que ela transfere essa sensação ruim de desespero. O que gosto nos livros da Darkside é o teor psicológico. Achamos confuso no início mas ao terminar a leitura é uma sensação de dever cumprido e aprendido sabe?!
    Prima visão de leitura!

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  14. Olá Tamara,
    Posso querer todos os livros da DarkSide? rs
    Adorei conhecer sua opinião e tenho curiosidade de ler essa obra, justamente, por essa temática de suicídio na adolescência que, como você bem disse, vem acontecendo com cada vez mais frequência. Me sinto como você se sentiu ao ler esse livro quando leio algumas obras narradas em primeira pessoa.
    Vou tentar comprar meu exemplar logo para ler.
    Beijos

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  15. Estou doida para ler esse livro. Tenho a impressão de que se trata de uma obra de grande sensibilidade, não só por todos os dramas que a garota vive, mas pela forma que todo esse sofrimento é conduzido. O projeto gráfico parece estar excelente. Ótima resenha!

    Tatiana

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  16. Oi Tamara, tudo bem?
    Fico muito feliz em ver que você indica o livro, eu sempre senti uma certa necessidade em lê-lo, ainda mais por se tratar de uma história adolescente e que relata um assunto sério que é o suicídio, eu particularmente gosto muito de livros narrados em primeira pessoa, então acredito que iria amar a trama e iria amar acompanhar os acontecimentos. Fico feliz com a indicação!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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